sábado, 18 de agosto de 2012

Review: Magala Invisível (Fadomorse)

Magala Invisível (Fadomorse)
(2012, Ethereal Sound Works)

Se existir justiça na música, o projeto transmontano Fadomorse deverá constar nos anais da história da música portuguesa como um dos mais originais, criativos e exploradores de novas sonoridades. A comemorar 13 anos de existência, o projeto liderado por Hugo Correia apresenta, em 2012, um álbum triplo dividido em três partes (Fadomorse, Magala e Invisível) que em muito ultrapassa o conceito de simples música. Acima de tudo este trabalho é um autêntico manifesto de arte contemporânea. Largamente abrangente, Magala Invisível visita inúmeras áreas que vão desde a música étnica e world music ao rock, passando pelo jazz, fusão, hip hop, fado, samba, entre outros, assumindo-se fortemente experimentalista e minimalista. A grandiosidade deste álbum pode ser analisada, também, pela diversidade de instrumentos utilizados e pela quantidade e qualidade dos músicos envolvidos com a Orquestra Sinfónica Transmontana a assumir um importante papel, com destaque para a épica (quase uma hora de duração) Matraquilhos dos Pobres, soberba faixa de inovação e genialidade artística que aparece na terceira parte, Invísivel. Outros épicos, embora mais curtos, marcam presença logo no primeiro CD (Fadomorse). É o caso do atualizadíssimo tema título com a colaboração de Sérgio Castro (Trabalhadores do Comércio) e com a inclusão de excertos de Grândola Vila Morena, bem como Jardim dos Cravos Vencidos que incorpora excertos de letras de José Mário Branco e que conta com a colaboração de Rui Veloso. A sublinhar, ainda, uma sensacional declamação (como só ele sabia fazer) por parte de Mário Viegas na faixa de abertura, Estado de Alma Civilizacional. Mas sublinhe-se que não é a presença destes nomes sonantes que fazem de Magala Invisível um disco memorável. É todo o sentimento artístico de verdadeira fusão. É uma vontade férrea de arriscar entrar por campos inexplorados. É a capacidade de transportar para os instrumentos ideias únicas de paisagens sonoras complexas, bizarras e exóticas. Os mais fundamentalistas fans do rock/metal poderão ignorar estes Fadomorse. Todavia, quem procura a diferença e consegue ter suficiente abertura de mente para se deixar impressionar por outros géneros musicais, Magala Invisível é, claramente, um desafio apaixonante. Um disco inteligente, intrigante, sensual e simultaneamente, provocador, agitador e contestatário.

Tracklist:
CD 1:
1.      Estado de Alma Civilizacional
2.       Fadomorse Magala Invisível
3.      Digo-me Adeus
4.      Renasce o Tempo
5.       Step Away
6.      Oh da Guarda
7.      Não Existe Idade pra Nascer
8.      Algemas Invisíveis
9.      Abraço Amputado
10.  Here To Please
11.  País Cantado
12.  Tango November
13.  Jardim dos Cravos Vencidos

CD 2:
1.      Red Melody
2.      Karma Art
3.      Chorinho em Fado
4.      Kamikase
5.      Axuel Eutérpe
6.      World Bass
7.      Dança Agregada
8.      Flamenco a Avi
9.      Só Sei Meu Nome
10.  Goodbye Butterfly
11.  Concerto Trás-os-Montes

CD 3:
1.      Matraquilho dos Pobres
2.      Overture em Forma de Origem
3.      Homo Côa
4.      Destino
 
Internet:

Lineup:
Ronaldo Firmino - bateria
Bruno Barreto - baixo elétrico
Henrique Portovedo - saxofones e flauta transversal
Hugo Correia - guitarras, guitarra portuguesa elétrica, viola braguesa, programações e voz
Hugo Ferraz - percussão e voz
Tiago Morais - gaita-de-foles
Sofia Portugal – voz
 
Colaborações:
Sérgio Castro, Emmy Curl, Rui Babince, Mónica Simões, Noémia Pastora, Carlos Martins, Rui Veloso, Diana Silveira e Barros Onyx - vozes
Mário Viegas, Ivo Prata, Raquel Lima e Mena Matos - narradores
David Sousa - flauta transversal e flautim
Sérgio Neves - clarinete
Filipe Raposo - piano
André Silva - bateria
Maria da Rocha - violino
Fernando Chaib - percussão
Leandro Alves - oboé
Joe Medicis – guitarra elétrica
Bruno Rodrigues - baixo
Orquestra Sinfónica Transmontana

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