terça-feira, 23 de outubro de 2012

Entrevista: Inkilina Sazabra

Já são conhecidos como o mais emblemático nome do rock literário nacional. Depois de A Divina Maldade surge a confirmação com Almas Envenenadas. Falamos dos Inkilina Sazabra, projeto que nasceu, desenvolveu-se e apresenta fortes argumentos para se impor definitivamente numa área rockeira não muito usual no nosso país.
 
Viva! Depois da experiência com A Divina Maldade que correu muito bem aí estão de novo os Inkilina Sazabra, com mais um trabalho de rock literário, Almas Envenenadas. Desta vez, houve algumas diferenças na forma de trabalhar?
Realmente existem diferenças significativas do Divina Maldade para o Almas Envenenadas, dado que no Divina Maldade estávamos a musicar um livro com todas as suas personagens inerentes ao qual não podíamos fugir. No Almas Envenenadas já não existe livro nenhum, é evidente que existe um grande cuidado pela escrita, até porque a escrita também faz parte do universo de Inkilina Sazabra, não estivesse o Pedro Sazabra ligado à literatura. Mas no Almas Envenenadas já não estávamos a musicar nenhum livro, digamos que o Almas Envenenadas é mais o espirito de Inkilina Sazabra que o Divina Maldade. É importante referir também que no Divina Maldade primeiro foram feitas as letras e depois a música e, desta vez o Carlos Sobral compôs primeiro a música e o Pedro Sazabra colocou as letras por cima da música. Na verdade uma grande diferença na forma de trabalhar de um álbum para o outro já com um espirito mais apurado do que é Inkilina Sazabra.
 
Portanto, as letras voltaram a estar todas a cargo do Pedro Sazabra ou mais alguém participou desta vez?
As letras continuaram neste álbum a cargo de Pedro Sazabra. Um dos pontos em que Inkilina Sazabra foi criado em 2010, foi para o Carlos Sobral dar caminho à sua musicalidade como compositor e o Pedro Sazabra dar caminho à sua escrita como pessoa ligado à literatura. No Almas Envenenadas embora se tenha alterado algumas formas de trabalhar, a composição continuou totalmente a cargo de Carlos Sobral e a escrita a cargo de Pedro Sazabra. Ainda não sentimos vontade de alterar esse propósito.
 
Em Mentes Envenenadas há uma abertura maior, deixando de ser um projeto a dois para se transformar numa aventura em grupo. Concordas e era essa o vosso objetivo?
Sem dúvida que existe uma abertura maior, é importante recordar que os Inkilina Sazabra começaram por uma ligação de projetos, neste caso Inkilina Morte de Carlos Sobral e Pedro Sazabra, daí Inkilina Sazabra. Na altura em 2010 não sabíamos bem no que iria dar isto, tanto que nem nos julgávamos uma banda ainda, mas sim uma ligação de projetos. Só que as coisas começaram a correr bem, vieram oportunidades de concerto e, para subirmos ao palco teríamos que recrutar mais músicos, e dado que precisávamos de um teclista e guitarrista a escolha foi fácil, por serem nossos amigos e terem bastante talento como músicos, César Palma na guitarra e Paulo Dimal nas teclas, felizmente eles aceitaram nosso desafio e sem dúvida têm sido uma mais-valia em prol deste projeto e amizade. Já quanto à questão se era nosso objetivo o palco quando surgir Inkilina Sazabra, era uma hipótese que estava e mente e nos agradava, mas era algo que não pensávamos muito, foi mais no género: vamos compor e escrever, depois logo se vê.
 
E é nessa filosofia que se enquadram os convidados?
Agora que Inkilina Sazabra já se assume como banda aceitamos o desafio do palco. Neste novo álbum achamos que para além do quarteto que somos, poderíamos adocicar mais o álbum ao convidar artistas que admiramos. Felizmente eles aceitaram o nosso desafio e sem dúvida alguma acrescentaram mais valor a este álbum que muito nos orgulha. Algo que apreciamos e vamos tentando por em prática é a interação entre músicos, artistas dos vários quadrantes. Têm sido assim na fotografia, nos vídeos, folhetos de álbuns e agora também em 4 músicas do Almas Envenenadas. Gostamos disso.
 
Já agora, queres apresentá-los?
Rui Sidónio (Bizarra Locomotiva) participou no tema Almas Envenenadas, Nuno Flores (The Crow) participou no tema Cala-me Essa Boca, Fernando Abrantes (produtor de Luís Represas etc) participou no tema Viver, Morrer e Irina Monteiro (membro da Orquestra Filarmónica de Grândola) participou no tema Predador Mental.
 
De que forma se tornou possível conjugar o vosso trabalho com estas colaborações dignas de realce?
Foi uma fase simples, foram convidados e como são todos pessoas humildes e acessíveis tornou-se fácil conjugar todo o processo. Embora com o Nuno Flores e o Fernando Abrantes o convite tenha sido para gravar uns takes sem certeza que seria utilizado neste disco, o Carlos Sobral (que havia feito os convites) é que acabou por estruturar e editar esses takes e usá-los em Inkilina Sazabra.
 
Apesar de se tratar de um projeto que deve muito ao campo literário, desta vez a componente musical foi mais trabalhada, parece-me…
Sem a mínima duvida, por várias razões. Já temos uma perspetiva mais segura de quem são os Inkilina Sazabra. Neste álbum o Carlos Sobral compôs como quis musicalmente sem haver letras ainda, embora tivesse alguns cuidados com a caraterística vocal de Pedro Sazabra. Não teve de seguir os textos já feitos e as suas estruturas como no disco de estreia e assim pôs em prática um processo de composição mais à sua maneira pois o A Divina Maldade foi feito de propósito para ser mais curto e simples de modo a musicar um livro já escrito.
 
Desta vez há também uma editora a assinar o lançamento do álbum, no caso a Infektion Records. Como aconteceu esta associação?
Tivemos algumas conversas com editoras, e a Infektion Records foi a que nos disse precisamente o que poderia fazer, onde nos podia ajudar dentro das suas limitações e sem oscilações de discurso.
 
Em termos promocionais, já está disponível o primeiro vídeo, certo?
Sim o primeiro vídeo foi lançado um mês antes do lançamento do álbum e felizmente têm tido uma boa aceitação. A música que escolhemos como videoclip de apresentação do álbum é o Almas Envenenadas que conta com a participação de Rui Sidónio e no vídeo contamos com as colaborações da Eva Plaisir, Fernando Nilo, Pedro Teixeira, e um grande trabalho do César Palma. Foi filmado num ambiente de festa entre nós todos por Bucelas, Graça, Vialonga e Grândola. Foi bastante divertido com entre gentes de bem.
 
E em termos de concertos, como estão a decorrer as coisas e o que está planeado para os próximos tempos?
Os concertos estão a correr bem (com as limitações e problemas que todos os artistas e bandas inseridos no meio underground têm de enfrentar). A ideia é correr o país inteiro em concertos, pausadamente e com tempo para respirar, gostamos de dar um concerto por mês, dois no máximo, mas a ideia é chegar a público que não chegamos com o disco de estreia.
 
A terminar, querem acrescentar mais alguma coisa ao que já foi aqui abordado?
Queremos agradecer a todos os "malditos" que têm apoiado o percurso de Inkilina Sazabra, tem sido um caminho muito prazeroso. Estamos muito orgulhosos deste novo álbum, há pessoas já a saberem as letras todas de cor, e a dizerem que é dos melhores discos portugueses que já ouviram o que nos deixa muito felizes e queremos partilhar a nossa obra cada vez mais com todos os "malditos". Gostávamos de pedir a toda a gente que pelo menos de uma chance às bandas portuguesas para serem ouvidas; oiçam e analisem não excluam logo à partida por ser português como ainda acontece muitas vezes. Parabéns também a Via Nocturna pelo excelente trabalho que vai desenvolvendo.

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