terça-feira, 6 de novembro de 2012

Entrevista: Soulspell

Soulspell é uma metal opera criada pelo brasileiro Heleno Vale. Hollow’s Gathering é já o terceiro ato desta impressionante criação não só em termos criativos como também logísticos. São, no total, duas dezenas de vocalistas dezena e meia de instrumentistas. Uma produção majestosa e mais um disco de grande qualidade, seguindo as regras estabelecidas pelas metal operas dos Avantasia mas sempre com o dedo de Heleno Vale bem vincado. O próprio baterista respondeu às questões de Via Nocturna.
 
Olá Heleno, tudo bem? O que tens feito com os teus Soulspell desde a última vez que conversámos em 2010?
Olá! Muito obrigado pela oportunidade. Eu tenho trabalhado muito para este novo lançamento e para aprimorar a nossa banda ao vivo para as próximas tournées. Além disso, estou a preparar um novo vídeoclip.
 
Para a produção deste novo capítulo da tua história voltaste a demorar dois anos. Costuma ser a tua média de tempo de trabalho?
Sim. Todos os discos dos Soulspell demoraram cerca de 2 anos para ficarem prontos. Eu acho que é uma boa média e espero mantê-la para os próximos discos.
 
E o que se passa de mais significativo neste terceiro capítulo?
O ponto mais importante é a morte da princesa Judith, que tenta ajudar seu filho, Timo, mesmo estando no “purgatório”. Além disso, Timo encontra a sagrada árvore morta, de quem consegue informações para procurar seu pai no Labirinto. É melhor vocês lerem a história completa, pois é bastante complicado explicá-la em apenas algumas linhas.
 
Como foi desta vez feita a escolha dos músicos que te acompanham e de todos os convidados?
Tudo ocorreu normalmente. Eu escolhi os instrumentistas e vocalistas que mais me agradam e que mais se encaixavam com os personagens desta parte da história. Estou a tentar dosear a quantidade de músicos internacionais e nacionais para que possamos ter boa visibilidade internacional. Com o passar do tempo estamos a criar uma boa rede de relacionamentos e, dessa forma, posso criar uma boa lista com maior tranquilidade.
 
Voltaste a fazer algum concurso de prospeção de talentos?
Sim. O concurso é uma oportunidade maravilhosa para novos talentos do Brasil e, particularmente, eu gosto muito desse tipo de competição. É muito emocionante! A garotada se dedica pra valer!
 
E como foi a forma de trabalhar com todos eles desta vez?
Eu adoro a vontade, espírito, bom astral e dedicação dos garotos mais jovens. Eles animam muito o ambiente durante as gravações e eu acho que isso contribui muito para o resultado final. Eu tenho a certeza que eles aproveitaram bastante o momento e que estão bastante orgulhosos de seu trabalho.
 
De todos os elementos que aqui colaboram há algum que te tenha proporcionado um significado especial? Porquê?
É difícil apontar um único momento ou pessoa principal. Todos contribuíram o máximo que podiam. Todos foram importantes. Porém, acredito que posso apontar alguns fatores de extrema importância para o resultado final: mais uma vez a grande atuação de nosso produtor Tito Falaschi; a grande participação da talentosíssima Daisa Munhoz e o grande Markus Grosskopf (Helloween) que nos trata sempre com todo o respeito e carinho que todo ser humano deveria tratar outro ser humano. Um grande abraço ao meu amigo Markus. Ele é um ser humano maravilhoso e um talento incomparável.
 
Neste trabalho parece-me que tens algumas composições um pouco mais dark. Concordas?
Não concordo, não! Eu acho que o nosso disco anterior é um pouco mais Dark que o Hollow’s Gathering. Esse novo trabalho é mais rápido, mais melódico, mais poderoso e mais maduro. O meu objetivo foi resgatar um pouco da velocidade do nosso primeiro trabalho (que é ainda mais rápido que este último), mantendo uma identidade própria e dosando algumas pitadas do misterioso Labyrinth Of Truths. Eu tenho certeza que temos três grandes discos e 30 grandes canções para trabalharmos um excelente show ao vivo daqui em diante.
 
Já agora, como é que processa a composição? É a história que orienta a música ou o contrário?
Sim. É a história que orienta as minhas canções. Eu prefiro trabalhar assim, como uma trilha sonora para a história, pois, dessa forma, os fãs conseguem imergir um pouco mais na história dos Soulspell, que é uma belíssima história. Porém, nem sempre isso dá certo e eu confesso que já escrevi músicas antes de saber em qual parte da história iria encaixá-la. Eu acho que dosear esse tipo de coisa é bastante importante para um projeto como esse. Eu tento sempre trabalhar as músicas de um disco de forma que elas funcionem bem sozinhas e em conjunto. E, principalmente, que tenhamos discos que não se tornem chatos de ouvir. O principal é sempre agradar os fãs.
 
E como decorreu o processo de gravação?
O mesmo de sempre até aqui. Gravamos a maioria dos instrumentos e vozes em Lençóis Paulista, num maravilhoso estúdio chamado Genesis Hi Tech. Algumas coisas foram gravadas fora do país e outras na capital do nosso estado: São Paulo. Temos um excelente produtor e excelentes conselheiros, portanto isso não é um problema. Adoramos gravar e trabalhos com excelentes músicos e produtores que possuem extremo bom gosto. Confiamos em todos por igual.
 
O álbum foi masterizado pelo conceituado Miro. Como se proporcionou essa hipótese?
Eu entrei pessoalmente em contato com o Miro, de quem sou muito fã. Ele atendeu –me prontamente e, como um produtor maravilhoso que é, desempenhou muito bem seu trabalho. Pretendo trabalhar com ele mais vezes, quem sabe até mais profundamente já no próximo álbum.
 
Chegaste a fazer uma tournée após a edição do álbum anterior. Qual foi a sensação?
Nós fizemos alguns shows com os Soulspell, acabamos de encerrar uma tournée de um ano e meio realizando espetáculos por todo o Brasil. A sensação de ver o povo a cantar as tuas músicas é indescritível e maravilhosa. Desejo todos os dias da minha vida que isso possa acontecer ao redor do mundo. Estou a trabalhar muito para criar um show sem precedentes para a nova tournée dos Soulspell, na qual espero poder contar com as nossas grandes participações internacionais e ter uma estrutura digna das grandes bandas de Heavy Metal de hoje em dia.
 
Então, já há algo planeado em termos de futuros espetáculos?
Como eu disse, estamos em fase de planeamento, pois queremos que a próxima tournée ganhe outras proporções. Queremos muito realizar shows memoráveis para os nossos fãs, com uma estrutura grandiosa e com participações que mostrem que os Soulspell não são somente mais uma banda ou projeto, mas sim o projeto que mais cresce atualmente no mundo.
 
A terminar queres dizer algo mais para os nossos leitores aqui em Portugal e também aí no Brasil?
Sim. Queria aproveitar a oportunidade para mandar um grande abraço a todos os nossos fãs de Portugal (eu sei que são muitos, pois recebo muitas mensagens de incentivo) e do Brasil também. Não vejo a hora de pousar em Portugal para fazer apresentações emocionantes para todos vocês. Tenho certeza que posso contar com o vosso apoio! Muitíssimo obrigado por todos esses anos de paciência e incentivo. Grande abraço!

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