segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Entrevista: Ravensire

O genuíno Heavy Metal está bem vivo e recomenda-se. Quem o prova é o jovem projeto nacional Ravensire que com o seu EP de estreia Iron Will tem visto o seu nome falado um pouco por todo o mundo. O segredo? Simplesmente tocar heavy metal puro e duro segundo as regras estabelecidas pelos ícones do género. Fiquem com as palavras de Nuno, guitarrista da banda lisboeta.
 
Olá viva! Obrigado por aceitarem responder a Via Nocturna. A primeira questão é: quando se deu a génese dos Ravensire?
Obrigado nós, pelo vosso interesse em Ravensire! Há vários anos que tenho esta ideia de fazer uma banda de Heavy Metal, mas sempre foi complicado encontrar pessoal que gosta REALMENTE deste estilo que foi tão "desprezado" nos anos 90 e 2000. Por volta de 2005 ou 2006, desafiei o Rick (então em Ironsword) a ajudar-me e começámos a dar uns toques em casa dele. Infelizmente, a vida reservou a ambos algumas reviravoltas e acabámos por deixar esta ideia de lado. Finalmente, em 2011, o F resolveu deixar a guitarra e dedicar-se a aprender a tocar a bateria e foi aí que Ravensire realmente começou em força. Entretanto, o Zé Gomes e o Zé Rockhard foram dar uma espreitadela aos nossos ensaios, gostaram bastante e acabaram por ficar definitivamente.
 
Alguns de vocês já tinham experiências anteriores noutros coletivos. Que motivações estiveram subjacentes à criação dos Ravensire?
A nossa principal motivação foi precisamente fazer uma banda que fosse 100% aquilo que nós gostamos! Foi por isso que foi tão difícil começá-la... Havia muito pouca gente com a mesma disposição e visão que nós tínhamos em relação ao Heavy Metal. Além disso, em Portugal há muito poucas bandas a tocar este estilo mais épico e, portanto, sempre acrescentamos alguma coisa "diferente" à cena. No entanto, não queremos, de todo, ficar fechados em Portugal e o nosso objectivo para 2013/2014 é ir tocar a um festival europeu do género do Keep It True (na Alemanha), ou Up The Hammers (na Grécia), ou Headbanger's Open Air (Alemanha), por exemplo.
 
Que nomes ou correntes musicais vocês apontam como sendo as vossas principais referências?
As principais referências para Ravensire vêm todas do Heavy Metal puro e duro. Desde bandas mais conhecidas como Iron Maiden, Manowar e Running Wild, até bandas menos conhecidas (mas não propriamente desconhecidas!!) como Manilla Road, Omen, Solstice, Doomsword, Slough Feg, Skullview, etc. Todos estes nomes já acompanham a nossa vida há muitos anos e todos eles contribuíram para modelar a maneira como tocamos e encaramos a música.
 
Quais eram os principais objetivos a atingir com a edição deste EP?
A nossa ideia inicial até era gravar as músicas de uma maneira menos elaborada para lançar uma espécie de demo. Mas o Francisco Serrano d'A Forja gostou tanto do nosso som que fez questão em fazer uma edição em CD e, para isso, era óbvio que tinha que ser uma gravação com qualidade. A partir desse momento, o nosso objetivo passou a ser fazer o melhor possível e tentar espalhar o CD e o nome de Ravensire por todo o mundo. Felizmente, até agora, temos conseguido esse objectivo e o Iron Will já roda em aparelhagens um pouco por todo o mundo, desde os Estados Unidos e Canadá, até, inclusivamente, ao Japão, passando, obviamente pela Europa. Claro que estamos a falar de números modestos, mas também não temos por objetivo ser profissionais disto, portanto contentamo-nos em ser conhecidos pelos circuitos mais underground e mais acérrimos (risos)
 
E em termos de criação musical, como acontece o processo no seio da banda?
Normalmente começa com umas ideias e uns riffs feitos em casa. Depois desenvolve-se a ideia e constrói-se uma primeira estrutura. Só então é apresentado à banda, que trabalha a ideia em conjunto e faz os devidos arranjos e acertos. Depois de a parte instrumental estar definida, é altura de avançar para a parte vocal e letras. Só depois deste processo todo é que se pode dizer que a música está terminada.
 
De que forma está a ser a receção ao vosso trabalho? Qual tem sido o feedback?
Francamente, está a exceder as nossas expetativas mais delirantes. As críticas que temos recebido dos quatro cantos do mundo até agora têm sido absolutamente entusiásticas, temos respondido a diversas entrevistas de várias publicações, temos pessoas de todo o lado a contactar-nos para dar os parabéns pelo EP e até aparecemos em top-10's de 2012 (risos)! É como digo... Não estávamos mesmo nada à espera deste "impacto".
 
Uma coisa curiosa que se tem verificado ultimamente, é a tendência cada vez mais notória dos grupos contemporâneos irem beber a inspiração às raízes mais profundas, recuando até aos anos 60, 70 e 80. Porque acham que isso está acontecer? Ou melhor, o que vos motivou a vocês, em particular, a seguirem essa via?
Francamente, a mim intriga-me que há 10 anos atrás o Heavy Metal fosse tão mal-visto e hoje em dia, praticamente as mesmas pessoas que o maldiziam, agora andem completamente doidas com isto... No nosso caso particular, não "seguimos essa via". Falando por mim, e também pelos outros membros de Ravensire, nós já ouvimos este estilo e estas bandas há mais de 20 anos, por isso o que toco é uma correspondência directa do que ouço e sempre ouvi. Além disso, se repararem nas bandas que citei como influência, há com certeza algumas dos anos 80, mas também há bandas contemporâneas, porque ao contrário do que muita gente diz, o Heavy Metal não se esgotou nem morreu no final dos anos 80...
 
Porque a escolha de um tema dos Wild Shadow para fazerem uma versão?
Quando decidimos gravar o EP, quisemos prestar um tributo à cena metálica vibrante que havia nos anos 80, já que a maior parte de nós viveu-a intensamente! Como o Zé Gomes tinha feito parte dos Wild Shadow (que foi uma das bandas de referência do underground lisboeta) e gravou a primeira demo com eles, resolvemos aproveitar a ligação. Esperamos, com isto, chamar a atenção da nova (e não só!) geração para a história "escondida" do Heavy Metal português.
 
Já há alguma notícia a respeito de um longa duração para breve?
Nós temos trabalhado continuamente em músicas novas e neste momento temos três músicas já completamente terminadas e mais três em fase de preparação. Em Fevereiro vamos gravar um destes temas novos (Drawing the Sword) para sair num CD compilação de uma revista grega chamada Steel For An Age. Lá para março vamos concentramo-nos mais na criação e arranjo de novos temas para, se tudo correr bem, iniciarmos a gravação do album lá para o verão.
 
E quanto a apresentações ao vivo, Iron Will tem estado muito em estrada? E o que há previsto para o novo ano?
Desde que o CD saiu, já tocámos algumas vezes ao vivo no Porto, S. João da Madeira, Lisboa, Almada, Benavente... Como todos nós temos vidas bastante ocupadas, Ravensire provavelmente não será uma banda que vai tocar todas as semanas em vários sítios, por isso gostamos de seleccionar bem os concertos em que tocamos e com quem tocamos! Além disso, como alguns elementos têm outras bandas, é preciso conjugar as disponibilidades e já aconteceu termos que recusar um concerto porque um dos elementos já tinha compromissos com a outra banda.
 
A terminar, querem acrescentar algo mais para aos nossos leitores?
Se estiverem curiosos com Ravensire, podem sempre dar um pulo ao nosso facebook em http://www.facebook.com/Ravensire lá encontrarão algumas músicas para audição e informação variada. Se quiserem encomendar o CD, podem fazê-lo através do endereço aforja@aforja.org pela módica quantia de 5 euros (mais portes, se for o caso...). Muito obrigado pela entrevista e STAY TRUE, STAND TALL!
Nota: Todas as fotos por André 'BlindInTexas' Assunção exceto as indicadas.

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