domingo, 10 de fevereiro de 2013

Entrevista: New Keepers Of The Water Towers

Depois de dois álbuns pela MeteorCity, um dos segredos mais bem guardados da Suécia, os New Keepers Of The Water Towers prepara-se para ser absorvido pelas massas com a edição do fantástico terceiro trabalho, Cosmic Child, via Listenable Records. Dois longos anos de trabalho culminaram num disco de doom psicadélico de extremo bom gosto e de extrema qualidade que Victor Berg se disponibilizou a escalpelizar.
 
Viva Victor! Obrigado por responderes às questões de Via Nocturna. Para começar: o que são as Water Towers e quem são os New Keepers?
Olá! Obrigado pelas tuas questões. Bem, antes de mais, não são coisas separadas. Somos uma banda de metal pesado psicadélico chamada New Keepers Of The Water Towers. Andamos cá desde 2006 e desde então estamos empenhados em criar a música que vai explodir as nossas próprias mentes e as de outros povos. E espero que sejamos capazes de fazê-lo. Especialmente com este último nosso álbum que tem sido uma aventura incompreensível para criar e gravar.
 
Afinal o que se passa com o vosso nome? Mudaram, ou não, acrescentando Of The Water Towers a New Keepers?
Esse tem sido um equívoco comum. A banda começou como New Keepers Of The Water Towers e os nossos dois primeiros EP’s foram lançados sob esse nome. Mas houve um período em que nos chamamos a nós próprios simplesmente como New Keepers. Quando fomos abordados pelo Dan e Melanie da MeteorCity Records eles fizeram-nos essa pergunta. Queriam lançar os dois EP’s como uma compilação de nome Chronicles. E gostaram da versão longa do nome da banda muito mais do que nós. Portanto, Chronicles foi lançado sob o nome New Keepers Of The Water Towers. Por isso, Of The Water Keepers foi retirado apenas durante um breve período de tempo. Simplesmente por sermos preguiçosos a dizer o nome completo.
 
Cosmic Child é já o vosso terceiro lançamento e desta vez por uma editora maior, a Listenable. O que mudou para a banda nesta nova casa?
A mudança mais óbvia de trabalhar com a Listenable é que têm os meios e recursos para colocar cá fora e espalhar este álbum de uma maneira que não temos sido capazes de fazer no passado. E isso é, naturalmente, muito útil, uma vez que queremos que as pessoas ouçam este álbum que criamos. Outras mudanças já estavam em curso ainda antes mesmo de entrarmos em contacto com a Listenable. Tal como o nosso amadurecimento pessoal e musical, tentando expandir as fronteiras do nosso processo criativo. Essas são mudanças que ainda ocorrem e que irão continuar a brilhar aquando da criação de novas músicas no futuro.
 
Entretanto, também tem a adição de um novo membro, o baixista Bjorn. Já esteve envolvido no processo de criação e gravação de Cosmic Child?
Sim, temos o prazer de anunciar a adição do baixista Björn. Ele não é creditado em Cosmic Child uma vez que se juntou à banda apenas quando as gravações já estavam concluídas. Quando o nosso anterior baixista nos deixou, há cerca de dois anos atrás, tínhamos acabado de começar a criação deste álbum e decidimos permanecer apenas nós os três durante o processo de gravação. O que se ouve no álbum são Tor, Rasmus e eu. Mas se vieres ver-nos ao vivo, Björn estará no baixo. E poderia haver outros elementos a fazer barulho também.
 
Como foi a adaptação do Bjorn à banda, aos fãs e também aos temas mais antigos?
Tem sido suave. Temo-nos centrado principalmente no material novo desde que começamos a tocar com ele. Mas em algumas ocasiões saem algumas das músicas antigas. Eu não sei o que os fãs pensam. Mas estamos um pouco preocupados com a forma como o material novo irá ser recebido uma vez que é bem diferente do que fizemos no passado. Até agora, as reações têm sido encorajadoras e sente-se que as pessoas veem isso como uma abordagem de rejuvenescimento em vez de uma traição ao nosso som antigo.
 
Sendo Cosmic Child é um álbum conceptual, qual é a principal temática abordada?
É conceptual, mas não de uma forma que resulta de uma determinada linha de história. Cosmic Child lida principalmente com pensamentos e ideias sobre o nosso lugar no mundo através de uma perspetiva cósmica e o facto de que todos nós estamos conectados a ele a um nível atómico. A faixa de abertura The Great Leveler e a seguinte Visions Of Death falam sobre o destino final de tudo, a morte. A faixa seguinte, Pyre For The Red Sage é um hino à capacidade de elevar a sua mente e consciência para outras dimensões, muitas vezes, com a ajuda de várias substâncias. Cosmosis fala da expansão cósmica e do facto de que a força que empurra os seres humanos para a frente é a mesma que nos move para o desconhecido e que é algo que eu acho muito fascinante. A penúltima canção Lapse lida com as diferentes opções na vida e fala do ponto de vista de que cada indivíduo funciona como próprio centro do universo. Finalmente, a faixa-título The Cosmic Child. A agradável melodia da hora de dormir que remete para o embrião, que é a raça humana e a nossa bolha no espaço que é a terra. Este apresenta-se como uma faixa instrumental. O que possa acrescentar é que, mesmo dentro da banda, as palavras falam-nos de maneiras diferentes e as músicas têm significados diferentes para cada um de nós. A melhor coisa para quem quiser ter uma ideia é adquirir o CD, ouvi-lo enquanto lê as letras e poder descobrir por si mesmo o que ele significa.
 
Vocês definiram este álbum como o "trabalho mais ambicioso até à data". Podes explicar porquê? O que é ou foi diferente neste álbum comparando com os vossos lançamentos anteriores?
A maior diferença é o tempo e esforço que colocamos nesta obra de arte. Demorou cerca de dois anos para ser concluído e durante esse tempo as músicas foram sujeitas também a um bombardeio constante de ideias que lentamente as transformou no produto final que se pode ouvir hoje. O tempo foi um fator necessário para este som ter evoluído da maneira que evoluiu. E também a produção desempenhou um papel fundamental na apresentação destas canções. O nosso vocalista e guitarrista Rasmus também é o responsável pela produção e melhorou muito as suas capacidades. Como podes ver, ele fez um enorme trabalho para fazer soar o álbum da forma que soa.
 
Alguém disse que Cosmic Child é o The Dark Side Of Doom. Uma referência deste calibre ao mítico álbum dos Pink Floyd dá-vos mais responsabilidade ou não? Como reagiram?
Sim, isso é uma referência honrosa com certeza. O facto de alguém se lembrar dessa lendária banda a ouvir o nosso álbum é muito bom. E de certa forma, confirma que já conseguimos o que nós tentamos fazer com esse último disco. Os Pink Floyd sempre foram uma enorme influência sobre a nossa criatividade e na vida em geral. A respeito de responsabilidade, não sei. Não se diz que é o sucessor do The Dark Side Of The Moon. É apenas um quadro de referência para que as pessoas possam perceber como é a sonoridade. Penso que é uma comparação, embora feito de uma maneira de doom rock contemporâneo. Espero que as pessoas vejam isto como um sinal de gratidão e respeito em vez de um direito ao trono no qual esse álbum tem um lugar indiscutível.
 
Portanto, podemos dizer que as expectativas são altas, até porque as primeiras reviews têm sido extremamente positivas?
Absolutamente. Apenas tínhamos a expetativa sobre a nossa criação e isso é perfeitamente audível. Estamos muito satisfeitos com as críticas avassaladoras que recebemos até agora e espero que continuem a vir depois do álbum ser lançado. Enquanto as pessoas mantiverem as suas mentes abertas poderá haver algo para todos. Se alguém ficar dececionado com isso, então é bom. Estamos a fazer essa música, porque nós a amamos. Se outras pessoas também a amam, então, é uma prenda incrível.
 
E a respeito de apresentações ao vivo? Já há alguma coisa planeada?
Faremos uma festa de lançamento de Cosmic Child na nossa cidade de Estocolmo, no dia 6 de abril. Depois, faremos alguns festivais aqui na Suécia no verão. Estamos à procura de uma agência ou qualquer pessoa que nos possa ajudar a tocar fora do nosso país porque já há muitos pedidos. De momento, estamos a ensaiar o espetáculo ao vivo deste álbum e estamos ansiosos por o poder levar onde pudermos.
 
A terminar, queres dizer mais alguma coisa aos nossos leitores?
Vou dizer para agarrarem Cosmic Child, que é editado no dia 13 de março. De preferência em vinil para que possam desfrutar do artwork no seu formato único e verdadeiro, fantasticamente apresentado pelo artista Jesse Pepper. Espero que gostem da nossa música tanto quanto nós e espero que nos encontremos quando formos tocar ao vivo para ti. Obrigado pela entrevista, adeus!

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