domingo, 3 de fevereiro de 2013

Entrevista: Vandroya

Vandroya é, definitivamente, uma dos nomes mais excitantes do metal atual e um dos segredos mais bem guardados do Brasil. Conduzidos pela bela e fantástica vocalista Daísa Munhoz, que também participou na metal opera Soulspell, o coletivo adiciona algo de diferente ao cenário do metal melódico por via das suas incursões pelo prog. Numa entrevista em primeira mão para Portugal, Daísa falou do crescimento de Vandroya e de One, o novo álbum já disponível.
 
Olá Daísa! Antes de mais obrigado por responderes a Via Nocturna e, em segundo lugar, parabéns pelo vosso excelente álbum. Por isso, queria perguntar-te como foi preparar e compor One?
Nós é que agradecemos a vocês da Via Nocturna pela oportunidade de falar em primeira mão ao público de Portugal. Também agradecemos pelo elogio ao nosso álbum. A preparação e composição de One acabou por ser um processo bem complexo e cansativo, porém muito gratificante. Quando decidimos que gravaríamos o álbum, tivemos que sentar e analisar muito material que havíamos arquivado durante muitos anos de banda. Esse processo juntamente com a finalização das composições durou aproximadamente três meses e somente após esse processo entramos em estúdio para iniciar as gravações. A produção do álbum ficou por conta do nosso guitarrista Marco Lambert, já a mixagem e masterização Heros Trench (Mr. Som Studio), que também é guitarrista da grande banda brasileira Korzus, foi o responsável.
 
Na realidade, verificou-se um longo hiato desde a vossa estreia através do EP Within Shadows. Tal ficou a dever-se a algum motivo em especial?
Gravamos o Ep Within Shadows em 2005, mas no mesmo ano começamos a ter alguns problemas com mudança de integrantes. Na realidade, esse problema acabou por se arrastar praticamente até o final de 2009. Estávamos muito cansados e desanimados para continuar, portanto no inicio de 2010 resolvemos parar para reorganizar as ideias. Ainda em 2010, Marco Lambert e eu participamos da tournée do segundo álbum da Soulspell Metal Opera, e no final da tournée em dezembro de 2010, Heleno Vale, baterista e idealizador dos Souslpell incentivou-nos muito para voltar com os Vandroya e gravar um álbum, e depois de tanta insistência, paramos para pensar e resolvemos voltar com os Vandroya para gravar o One.
 
Mas começaram a trabalhar em One em 2010, certo? Porque tanto tempo? Tiveram problemas em estúdio?
De forma alguma, na verdade, começamos a trabalhar com força total em One somente em janeiro de 2011 e iniciamos as gravações apenas no final de março. A partir daí, o processo demorou um pouco, pois não tínhamos pressa, afinal já havíamos esperado tanto tempo, 10 anos para ser exata. Achamos que não seria nada positivo correr com as gravações e edições, por isso tivemos muita calma e procuramos estar atentos a todos os detalhes. One estava pronto nas nossas mãos em setembro de 2012, porém acabamos por ter que atrasar os lançamento em função do contrato de lançamento que conseguimos com o selo japonês Spiritual Beast e o selo europeu Inner Wound. Estávamos muito ansiosos para lançar o nosso primeiro álbum o quanto antes, mas diante da possibilidade de lançarmos o disco para uma maior quantidade de países não pensamos duas vezes, e esperamos um pouco mais.
 
Aliás, a banda nasceu em 2001, por isso acaba por ser um reduzido pecúlio e até não muito vulgar nos dias que correm a estreia em formato longo surgir apenas 12 anos depois. Suponho que terá havido uma forte enfase no amadurecimento da banda e dos temas?
Os Vandroya formaram-se realmente em 2001, éramos apenas adolescentes, reuniamo-nos aos domingos para trocar experiências, trocar cd´s e tocar músicas das bandas que admirávamos. Foi assim que a banda surgiu, fazendo covers de diversas bandas, tais como Iron maiden, Helloween, Gamma Ray, Dream Theater, Angra e etc. Com o passar do tempo, percebemos que tocar apenas músicas de outras bandas não fazia sentido, queríamos tocar nossas próprias músicas, e começámos a compor, e isso foi em 2005. Então, saiu Within Shadows e Why Should We Say Goodbye. Quando pensamos a respeito do álbum só ter sido lançado em 2012/2013, vemos que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois todos os músicos amadureceram mais, a banda amadureceu, enfim, todos evoluíram, não há dúvidas de que ainda vamos amadurecer e evoluir para o segundo álbum, mas consideramos One um álbum maduro. Contudo, se tivéssemos lançado One em 2006, 2007 ou 2008, acreditamos que ele seria apenas só mais um álbum de Heavy Metal mal produzido. Nas faixas do Ep de 2005 tivemos muita sorte, pois são músicas boas, tanto que as regravamos, mas temos certeza absoluta de que não teríamos essa sorte no álbum todo.
 
Realmente, para este álbum recuperaram alguns temas do EP. Conferiram-lhe alguma nova roupagem?
Para One resolvemos regravar as duas faixas que estavam no Ep, à faixa título Within Shadows e Why Should We Say Goodbye. Essas duas músicas foram muito importantes para os Vandroya, pois foi com elas que começamos a ter maior visibilidade e credibilidade. Na ocasião, vendemos todas às copias do Ep, realmente ficamos muito surpresos com a aceitação. Mas o principal fator de termos regravado essas duas músicas, foi o sentimento acima de especial que temos por elas. Acho que ninguém nos convenceria a não colocar Why Should We Say Goodbye em One,  sendo assim, seria injusto não colocarmos Within Shadows também. Houve pouquíssimas mudanças nas regravações, eu diria que apenas a Within Shadows ficou um pouquinho diferente em função da genialidade de Gabriel Magioni (Ex-Soulspell) que foi o responsável por gravar os teclados do nosso álbum. Deixamo-lo bem à vontade para colocar arranjos não só nessas duas faixas, mas no disco todo. O Gabriel é um génio no que faz, é um dos melhores teclistas que temos aqui no Brasil sem dúvida alguma, e esperamos poder repetir essa parceria com ele no próximo álbum.
 
Falando mais detalhadamente da música de One, como descreverias aquilo que os fãs poderão ouvir?
Sempre que nos perguntam sobre qual é o estilo de Vandroya, costumamos dizer que é simplesmente Heavy Metal, pois não gostamos muito de rotular o que nós somos. Talvez a melhor definição seja mesmo Power Metal Progressivo, porém, ainda assim preferimos não rotular, pois não sabemos o que será feito no segundo álbum, não gostamos de ficar presos a um rótulo. Mas falando de One ele é um disco que contém todos os elementos que gostamos. Faixas como The Last Free Land, Change The Tide e This World of Yours são velozes e ao mesmo tempo pesadas, bem ao estilo do Power Metal, já em faixas como No Oblivion For Eternity, Anthem (For The Sun) e Solar Night, a velocidade já não é o elemento principal, o que predomina nelas são os riffs de guitarra, mudanças de harmonia, de andamento, mais ao estilo do Progressivo. Contudo, não é um álbum difícil de ouvir, muito pelo contrário. Alguns temas reencontram-se no decorrer das faixas para que realmente “Tudo se torne Um” (All Becomes One).
 
O disco foi primeiramente editado no Japão. Como foram as primeiras reações de lá?
Estávamos muito ansiosos para este lançamento, pois sabemos muito bem o quanto os japoneses gostam e entendem de heavy metal. Recebemos muitas mensagens de apoio e carinho vindas da Ásia e da Oceania, e isso dá-te mais vontade de continuar, entendes? As reações têm sido incríveis.
 
Neste álbum contam a colaboração de Leandro Caçoilo num dueto contigo em Change The Tide. Como se proporcionou esse momento?
Bom, antes de qualquer coisa, temos que voltar lá no começo dos Vandroya, para dizer que éramos grandes fans do Leandro, víamo-lo a cantar nos Eterna e admirávamos muito o trabalho dele. Quando fizemos a tournée com a Souspell, que o Leandro também fez parte acabando por nos aproximar dele e criar uma amizade muito grande. Change The Tide é uma música que foi gravada pelos Vandroya e lançada tanto em One quanto no terceiro álbum dos Soulspell (Hollow´s Gathering), porém, no álbum dos Soulspell eu faço esse dueto com o Micheal Vescera (Ex-Malmsteen). Sendo assim, precisávamos de uma pessoa pra fazer esse dueto em One, e foi aí que fizemos o convite ao Leandro. Ficamos muito honrados por ele ter aceitado o convite, uma vez que todos nós somos muito fans dele, e de repente ele está no nosso álbum. O Leandro é uma pessoa maravilhosa, com um talento incrível, e sem dúvida alguma, é um dos melhores vocalistas do mundo.
 
Falando agora da tua carreira pessoal, tens tido alguma preponderância no projeto Soulspell, que aliás já referiste algumas vezes. Que papel tens desempenhado na história do Heleno e como analisas o teu desempenho? Sentiste necessidade de alguma preparação especial pelo facto de, embora apenas em termos vocais, representares uma personagem?
A minha personagem chama-se Judith e ela evoluiu muito desde o primeiro disco: ela passa de menina sem graça a uma mulher que deve tomar decisões difíceis na sua vida. Judith começa na historia como a namorada do personagem principal e só. Apenas a partir do segundo disco é que ela ganha algum destaque, gera um filho, descobre tramas, até que no terceiro disco ela está em seu auge, ligada a todos os personagens de alguma forma. Ela morre nesse disco. O trabalho vocal dessa personagem foi construído por mim e por Heleno Vale. Heleno soube tirar de mim o que queria exatamente para a construção de Judith, como ela soaria. Ela tem momentos suaves e tristes, bem como momentos de raiva e explosão. Acho que juntos, Heleno e eu, soubemos passar todas essas emoções no disco. Fora isso, nenhuma preparação especial: somente captar o momento da personagem e tentar exprimir na gravação.
 
Também já vimos que tens tido oportunidade de atuar com o projeto Soulspell? Como tem sido?
Apesar de todas as dificuldades em fazer shows de Heavy Metal aqui no Brasil, tivemos oportunidade, Marco Lambert, Rodolfo Pagotto e eu, de fazermos a tournée do segundo álbum da Soulspell (The Labyrinth of Truths). Essa tournée ocorreu de agosto de 2010 a fevereiro de 2012 e passamos por diversas cidades brasileiras, incluindo grandes capitais como São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Natal, Teresina entre outras. Foram shows memoráveis, a banda tem uma energia, um clima muito gostoso para se trabalhar e tentamos passar isso nos shows para o público. Os Souslpell também foram a banda de apoio de Zak Stevens (Ex-Savatage) aqui no Brasil, para uma sequência de cinco shows pela região Nordeste do país, e essa foi outra parte incrível de nossas carreiras, pois éramos grandes fans de Zak também, e ter a honra de dividir o palco com ele foi inesquecível.
 
E já agora, para One têm já alguma coisa planeada para sair para a estrada?
Como já comentei acima, aqui no Brasil, realmente é bem difícil, principalmente para bandas de menor porte, fazer uma tournée grande. Algumas impossibilidades como falta de apoio e de organização, acabam por atrapalhar o agendamento de uma tournée maior. Porém, já estamos com alguns shows agendados e é claro que queremos fazer a maior quantidade de shows possível, para a maior quantidade de pessoas possível, e estamos muito ansiosos para o início dos shows.
 
Obrigado Daísa! Um beijo e deixo-te a possibilidade de dizeres mais qualquer coisa para os vossos fans e para os nossos leitores…
Em primeiro lugar, agradeço a vocês da Via Nocturna por finalmente uma entrevista em português (risos). Muito obrigada pela oportunidade de falar um pouco mais sobre a história de Vandroya, assim como de One, e pelo apoio que temos recebido: isto tem sido realmente muito gratificante. Espero podermos encontrar-nos em breve, numa possível tournée! Um grande beijo a todos! Muito obrigada!!!

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