quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Entrevista: Blackbird Prophet

2014 promete! Pelo menos a atender pela primeira proposta que já nos chegou: Aetherea dos Gaienses Blackbird Prophet. Via Nocturna foi conhecer este jovem coletivo que nos falou do seu trabalho de estreia e dos projetos para o pós-Aetherea.

Viva! Obrigado pela disponibilidade desta entrevista. Para começar, quem são os Blackbird Prophet?
Boas! Nós é que agradecemos pelo mesmo. Os Blackbird Prophet são uma banda de Vila Nova de Gaia e atualmente consistem no Bruno Costa na voz, guitarra e sintetizador, o Daniel Pereira na guitarra e nos sintetizadores e a Cristiana Jesus no baixo e nos backing vocals. No que toca à bateria andamos atualmente a tocar com um baterista temporário, o Paulo Pinto.


São uma banda ainda relativamente jovem. Podem contar-nos um pouco da vossa história até aqui?
Sim, por esta altura nem 20 anos temos em média, se bem que isso não significa muito. A banda começou como um projeto de estúdio em 2011 entre três amigos, o Bruno, o Daniel e o João Faria, no baixo, que saiu do projeto pouco tempo depois de ele ser formado, mas nunca houve efetivamente um estúdio, tudo o que era material composto até à altura era gravado no quarto do Bruno durante tardes e tardes seguidas, e algum desse material acabou por ir parar à internet. Passar de projeto para banda foi muito complicado por causa da falta de uma formação completa, e a demo que os Blackbird Prophet gravaram na época, Symbolic Introduction, nem chegou a sair na integra cá para fora. Só a partir da primavera de 2012 é que o projeto saltou para banda com a entrada do Arai no baixo e do João Poças na bateria, mas esta formação também durou pouco tempo, e finalmente no Outono desse mesmo ano, com a entrada da Cristiana e do João Abade para a banda, é que a formação ficou mais sólida e a atividade começou a aumentar, com concertos na área do Porto. E depois no verão de 2013 finalmente metemo-nos em estúdio, no Estúdio Entreparedes, onde ensaiamos regularmente, para gravar o Aetherea, com o qual estamos muito contentes. O João saiu bastante recentemente, durante o processo de finalização do artwork e booklet.


O que vos motivou para erguerem os Blackbird Prophet?
Muita insatisfação com os nossos projetos anteriores e o facto de não nos estarmos a encontrar musicalmente. Quando começamos os Blackbird Prophet a nossa reação imediata foi algo como "é mesmo isto!", nem 18 anos tínhamos, mas sentimos que tínhamos criado algo sólido para nós mesmos, com uma direção, e mesmo que as coisas fossem difíceis era aos Blackbird Prophet que nos íamos dedicar, para o melhor e para o pior.


Que experiência anteriores já tinham?
O Bruno e o Daniel tocaram sempre em bandas juntos, com mais gente, e foram sempre as cabeças por trás de tudo o que começavam e toda a música que era escrita. Chegaram a ter uma "high school band" quando ainda estavam mesmo a começar que passou por vários nomes como Blue Flames e The Symbols, mas não passava de ensaios, a tocar músicas estilo Classic Rock. O único concerto que deram com essa banda foi no colégio onde estudaram (Colégio Internato dos Carvalhos) e foi verdadeiramente desastroso: paragens a meio da música, instrumentos que nem se ouviam... Pior ainda é que estavam umas mil pessoas na audiência por ser a festa final do colégio. Never again!

Quais os movimentos e/ou nomes que mais vos influenciam?
As nossas influências no que toca a artistas mudam a cada meio ano e somos mais "influenciados" pela mentalidade transmitida pelas bandas do que propriamente pelo seu som, não tentamos aproximar o nosso som ao som de ninguém. Bandas como Pink Floyd, King Crimson, Tool, Porcupine Tree, Mastodon, Faith No More e The Dillinger Escape Plan transmitiram-nos a ideia que podíamos fazer o que bem nos desse na real gana com a nossa música. E é só mesmo isso que queremos.


Algum significado para Blackbird Prophet?
Digamos apenas que gostamos muito do Edgar Allan Poe, já é uma pista...

Aetherea é a vossa estreia em absoluto com edição a 4 de janeiro. De que forma analisam o vosso trabalho?
Estamos muito contentes com o Aetherea e achamos que é uma representação fiel de quem somos como músicos e como pessoas neste momento. Gostamos de meter tudo o que temos na escrita e execução das músicas, e se não sentirmos que estamos a evoluir com algum material descartamo-lo imediatamente, por isto o que surge neste trabalho representa muito para nós. Tem de estar tudo perfeito para os nossos critérios pessoais e o que ouvimos a sair dos amplificadores e das colunas tem de ser uma réplica exata do que ouvimos nas nossas cabeças. Isto pode-se tornar tortuoso em alguns momentos, mas é de longe a melhor maneira de trabalhar para nós. Já agora, o trabalho só sai dia 11 de janeiro, mas dia 4 disponibilizamo-lo para streaming na íntegra gratuito.

Quais são os principais objetivos com a edição deste trabalho?
Primeiramente e acima de tudo queremos satisfazer-nos a nós próprios, aliás, esse é o motivo pelo qual fazemos música, porque nos faz felizes. Este lançamento serve como cartão de apresentação do que são os Blackbird Prophet. Claro que queremos fazer com que o Aetherea chegue ao máximo de ouvidos possível e o real desafio nesse aspeto vai começar agora da maneira que mais gostamos: concertos. Adoramos tocar ao vivo tanto ou mais do que gravar.

Fizeram a captação deste registo nos Estúdios Entreparedes. Como decorreram as sessões de trabalho e a experiência?
Já conhecemos o Entreparedes há algum tempo e desde que lá entrámos pela primeira vez que nunca mais saímos. Aliás, o Paulo, que anda a tocar connosco agora, criou os estúdios com a Fernanda Roxo e coproduziu o Aetherea connosco. A captação foi feita muito rapidamente e sem um único minuto desperdiçado, porque a banda trabalha sempre com um orçamento muito limitado. Foi uma experiência muito saudável e fácil, honestamente.

Vocês são referenciados como um trio, embora em algumas fotos apareçam quatro elementos. Quem é esse quarto elemento?
Nas fotos mais recentes é o Paulo, antes tivemos o João Abade e deve haver uma ou outra foto mais antiga com o João Poças. Mudanças de alinhamento sempre foram uma praga para nós.

Sei que já têm uma festa de lançamento agendada. Querem falar disso?
Sim, o nosso release show vai ser na sala 2 do Hard Club, no Porto, no dia 11 de janeiro de 2014 às 21:00! Vamos tocar dois sets, sendo que o primeiro consiste no Aetherea tocado na íntegra sem interrupções, e o segundo no material restante da banda, incluindo músicas não gravadas, versões alteradas de material antigo e uma cover. Vamos ter os Pobres Afortunados e os Dust Bone como bandas de abertura, e existem dois bilhetes disponíveis, a entrada a 5 euros e a entrada mais o Aetherea por um preço mais amigável do que comprar o trabalho separadamente, a 7 euros. Estamos out of our minds com isto por ser um sítio tão mítico e porque já passaram por lá bandas muito importantes para nós, como os The Ocean, num caso atual. É de longe o concerto mais importante da banda até à data.

E depois, que projetos têm em mente desenvolver nos próximos tempos?
Dar o máximo de concertos possível, trabalhar arduamente e definitivamente escrever mais música, porque por esta altura já andamos a mudar outra vez e a querer adicionar ideias e conceitos novos. Não gostamos de nos repetir, por isso uma espécie de Aetherea II está fora de questão.

A terminar, há mais alguma coisa que queiram referir que não tenha sido abordado?
Em relação a nós não nos ocorre nada, queremos só aproveitar para agradecer de novo por todo o interesse e disponibilidade, significa muito para nós. Obrigado!

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