sexta-feira, 11 de abril de 2014

Review: Discórdia (Alice)

Discórdia (Alice)
(2014, Independente)
(5.8/6)

Um nome Alice para um grupo de rock não é muito vulgar. Mas neste álbum nada é vulgar: a introdução apenas com vocais à capela, as mudanças rítmicas, a existência de dois vocalistas; as letras, a capacidade de recuperarem letras e melodias de temas anteriores e os incorporarem em temas seguintes. É tudo isto, adicionado de uma criatividade fora de série que o torna Discórdia um disco espetacular. Como já vimos a curta introdução vocal alerta-nos para o que de grandioso poderá estar para vir. De facto: os dois primeiros temas a sério (o tema título e Diabo na Mão) apresentam interessantes mudanças rítmicas, uma perfeita interação entre os dois vocalistas, uma secção rítmica marcante e personalizada e uma dupla de guitarras com um trabalho sensacional – reparem naquele metralhar ao minuto 2:16 de Diabo na Mão! Gato Morto e Império Intendente são dois temas a entrar por campos de blues (a harmónica também ajuda no segundo!), muito gingões e cheios de ritmo. Gato Morto, tema escolhido para primeiro single, é simplesmente fora de série, sendo ainda de destacar os arranjos vocais polifónicos. Curioso e genial é o facto de Império Intendente ir buscar parte da letra e melodia do tema anterior! O mesmo acontece em O Corpo a recuperar parte da letra do refrão de Diabo na Mão. Homem Nobre, tema de fecho é outro dos momentos altos: a melodia dos teclados é divinal, os leads de guitarra memoráveis e a introdução do hip hop de Malabá absolutamente brutal. Não haja dúvidas que o rock português tem produzido ultimamente grandes propostas. Esta é mais uma delas – Alice é um nome que assina um dos melhores álbuns da história do rock feito em Portugal e que tem capacidade para ombrear com o que de melhor se faz por esse mundo fora. Apenas se pede que lhes sejam dadas as merecidas oportunidades, porque Discórdia merece ficar nos anais da história do rock.

Tracklist:
1.      Premissa
2.      Discórdia
3.      Diabo na Mão
4.      Gato Morto
5.      Império Intendente
6.      O Corpo
7.      Homem Nobre

Line-up:
Afonso Alves – vocais
Bernardo Neves – vocais
Guilherme Baptista – guitarras
Diogo Borges – guitarras
António Santos – baixo
Vítor Martins - bateria

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