quarta-feira, 4 de junho de 2014

Entrevista: Souq

De Aveiro, cidade verdadeiramente on fire no que ao rock diz respeito, chega-nos um dos mais surpreendentes projectos deste ano: Souq! Uma trilogia já está escrita, mas At La Brava é apenas o Volume 2, numa altura em que a banda, agora com mais estabilidade interna, já se encontra a preparar o próximo volume. Jorge Loura, guitarrista, falou-nos de tudo isso e escalpelizou At La Brava.

Olá Jorge! Obrigado pela vossa disponibilidade. Para começar, quem são os Souq?
Os Souq são uma banda Aveirense, formada em 2009, e composta por Bruno Barreto (baixo), Bruno Tavares (voz), Jorge Loura (guitarra), Jorge Oliveira (bateria) Paulo Gravato (saxofone), Rui Bandeira (trombone) e Gabriel Neves (saxofone).

O que vos motivou a erguerem um projeto como este?
A motivação foi a de fazer música sem regras pré-estabelecidas e que nos inspirasse.

Porquê Souq?
Souq é uma palavra árabe que significa “mercado”. Nos seus primórdios, os Souqs árabes localizavam-se na periferia das cidades, mas já era onde aconteciam os mais relevantes acontecimentos culturais e artísticos. Com o tempo foram as cidades que começaram a crescer à volta do Souq. Essa metáfora explica um pouco a forma como olhamos para o nosso projeto e a nossa música.

Quais são as vossas principais influências?
Demasiadas para caberem aqui. Naturalmente que, estando a nossa linguagem no terreno do rock, este género seja uma forte influência em todos nós. Mas quem ouve o disco percebe que há muito mais a acontecer e que fomos beber a alguns sítios bem distantes do rock.

At La Brava é, então, a vossa estreia. Para quem só agora tomou contacto com os Souq, como a descreveriam?
At La Brava é uma viagem, tanto a nível musical como lírico. Há uma continuidade narrativa, uma história que se desenvolve ao longo do disco, e a música acompanha isso mesmo. Quanto à música propriamente dita, é um disco com um groove muito forte mas, acima de tudo, muito dinâmico e cheio de surpresas a cada momento.

Como é o processo de composição, sendo que a heterogeneidade de sonoridades é a principal referência?
O processo de composição vai variando à medida que a banda evolui e amadurece. Este primeiro disco foi composto pelo tradicional power trio de rock, tendo por base os riffs de guitarra, e só numa segunda fase se desenvolveram os arranjos da banda completa, à medida que iam entrando novos elementos. Agora que a banda é uma unidade, o segundo disco já está a ser composto de forma mais estruturada e colaborativa, e os resultados têm sido bastante interessantes.

Em alguns momentos, noto algumas aproximações ao trabalho de Pedro Abrunhosa, principalmente do tempo dos Bandemónio. Concordam que existe essa aproximação? Acaba o trabalho do Pedro por vos influenciar de alguma forma?
Não negando a importância do Pedro Abrunhosa na música portuguesa em alguns momentos... não, não é uma influência para nós.

Existe também uma forte componente cinematográfica. Pode depreender-se que se trata de um álbum conceptual?
Sim, é assumidamente um disco conceptual. É um disco “à moda antiga”, para ouvir do início ao fim, com um fio condutor.

Nesse sentido, qual o significado da busca radiofónica em Card Player, ou do monólogo em Point Blank ou dos tiros que se ouvem no final?
Qualquer resposta será um spoiler. As coisas vão acontecendo ao longo do disco e vão sendo compreendidas. Além do mais, este álbum é apenas o volume 2 de uma trilogia que está já escrita.

Aparentemente este disco surgiu ainda no final de 2013, mas só agora começa a ser “badalado”… Mesmo a edição física, segundo me parece, só aconteceu por estas alturas. O que se passou?
Tudo teve a ver com as dificuldades inerentes a uma edição de autor. Estamos a fazer tudo por nossa conta e por isso não é fácil cumprir um plano concertado de edição e promoção. Já existe edição em vinil e a edição em CD está para breve. Estamos a fazer as coisas passo a passo, e felizmente estamos a conseguir chegar a um cada vez maior número de pessoas. Haverá mais novidades em breve.

Como decorreu o processo de gravação?
O processo de gravação foi penoso, pois cometemos o erro de gravar o disco quando ainda não estávamos totalmente oleados enquanto banda, confiando apenas na qualidade e experiência de cada um dos músicos. Percebemos da pior forma que isso não é suficiente para se fazer um disco consistente e por isso decidimos regravar o disco quase na totalidade. Foi a melhor decisão que podíamos tomar, mas isso implicou que o processo se estendesse ao longo de 3 anos. Felizmente valeu a pena.

Desert Snake Catcher é para já, o vídeo disponível. Porquê esta escolha? Há planos para mais algum?
Desert Snake Catcher foi a escolha óbvia não só porque abre o disco, mas também porque é um tema directo e forte. Não é representativo do disco, de forma alguma, porque At La Brava é mais complexo do que isso, mas é um óptimo cartão-de-visita para se perceber a nossa abordagem.

De repente, Aveiro parece ser o centro do rock – assim à vista desarmada, vocês e os The Underdogs. O que se passa por aí? Ainda há mais nomes para saltarem para a ribalta?
Aveiro está a ferver, é um facto. Além de nós e dos The Underdogs, temos os Lazy Lizard, Booby Trap, Moonshiners, Quarteto De Bolso, Silent Preacher, Godvlad, e ainda outros que, não sendo aveirenses, estão estabelecidos na cidade, como Emmy Curl ou Fadomorse. O melhor sinal de que a cidade está on fire a nível musical é que tenho a certeza de que me estou a esquecer de alguns nomes.

Projetos para os tempos mais próximos? O que têm em vista?
Para já temos a edição de At La Brava em CD, que está mesmo aí, acompanhado do lançamento do nosso site. Vamos fazer a promoção ao disco em alguns concertos durante o verão. Ao mesmo tempo estamos já a fazer a pré-produção do próximo álbum, que esperamos editar no início do próximo ano. Para o outono planeamos o lançamento de um segundo single e videoclip, e também uma digressão de um espetáculo interativo idealizado exclusivamente para auditórios. Estejam atentos.

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
Obrigado nós. A única mensagem que podemos enviar nesta altura para os leitores é que ouçam o nosso disco em souq.bandcamp.com e nos acompanhem em www.facebook.com/Souqmusic. Acima de tudo, venham ver-nos ao vivo quando tiverem oportunidade, pois é em cima do palco que os Souq ganham asas.

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