sexta-feira, 18 de julho de 2014

Entrevista: Heart Invaders

A individualidade Pedro Adriano Carlos deu lugar ao coletivo Heart Invaders e esta nova entidade prepara-se para começar a sua conquista. Para já, está aí próxima a sua apresentação no Hard Club numa noite que se prevê memorável. O próprio Pedro Adriano Carlos falou a Via Nocturna desta transfiguração mas nada adiantou a respeito da noite de 2 de agosto. O melhor será mesmo passar mítica sala portuense e descobrir…

Olá Pedro! O que tens feito desde a última vez que conversamos?
Tenho feito a única coisa que sei fazer, Música. Nos intervalos, tenho pensado na minha Música, e quando deixo de pensar nela, estou a ouvir Música dos outros! A sério, a minha vida é muito interessante e desinteressante ao mesmo tempo.

A grande novidade destes últimos tempos parece ser a “transformação” de Pedro Adriano Carlos, em nome individual, nos Heart Invaders, nome coletivo. Quando e de que forma sentiste essa necessidade?
Na altura em que estava a acabar as misturas do álbum já tinha havido uma conversa entre mim e dois dos membros, numa noite de rock ‘n’ roll, e foram eles os primeiros a sugerir que devíamos formar uma banda. Na altura, eu torci o nariz, talvez por estar a pensar demasiado nos contras, mas depois percebi quem é que me estava a fazer tal sugestão: apenas os melhores músicos de Portugal. Lancei o álbum e fui falar com eles. Eles disseram logo que sim, mas só quando ouviram o álbum e se apaixonaram pelas músicas é que começámos a trabalhar de coração e alma no que viria a tornar-se nos Heart Invaders.

E como foi essa evolução?
Demos dois grandes concertos na Avenida dos Aliados e no Noites Ritual Rock, tornámo-nos amigos, e a partir daí temos pensado no futuro, que passa por tocar em todo o lado, dar a conhecer a banda e a sua música. Porque isto só resulta se chegarmos aos sítios que interessam, ou seja, ao público que gosta deste género de música e que se identifica com a nossa mensagem. Esse público existe, mas ainda não sabe que existimos, muito provavelmente. Estamos a pensar num álbum novo, ao mesmo tempo.

Assim sendo, quem mais faz parte destes Heart Invaders?
Ricardo Cavalera, um grande guitarrista, multi-instrumentista, que desempenha talvez o papel mais importante na banda a par com o Pedro Martins, um baterista com anos de estrada, que põe o coração no seu trabalho sempre. Não é por acaso que lhe chamam de “melhor baterista de Portugal”. Concordo! No baixo temos a “grande máquina” que é o Miguel Barros. Consegue dar-nos segurança, mesmo quando ele próprio está inseguro. São todos músicos de Pedro Abrunhosa, que passaram por Parkinson, GNR, WC Noise, Zen. Lembro-me sempre que há muitos anos atrás eu olhava para os Zen e pensava que um dia queria estar a esse nível. Mal eu sabia que viria a trabalhar com o seu baixista. A vida é sempre surpreendente.

Sendo que os Heart Invaders já têm temas novos, ainda se baseiam no teu álbum The Heart Attacks?
Ainda estamos a saborear e a celebrar estas canções do the Heart attacks porque, como disse anteriormente, ainda não chegámos a toda a gente. Achamos que estas canções merecem tornar-se de toda a gente, até porque a mensagem que elas trazem é muito importante.

Parece que é já este ano que irão gravar esses temas. Qual o ponto da situação neste momento?
No outro dia estivemos a ouvir as 25 demos que fiz, e já temos 5 preferidas, que vão fazer parte do álbum com certeza. Mas chegamos à conclusão que ainda é preciso criar mais, para chegarmos a um som específico. Queremos que soe a Heart Invaders. Mas ainda não há certezas quanto a prazos, acho que vamos gravar no timing indicado, de uma forma natural. Talvez daqui a uns tempos faça mais sentido falar sobre o álbum!

Então, para já não se podem prever datas? Mas esse lançamento será apenas em formato digital ou também haverá uma prensagem física?
Também estamos à espera que o boom do grande álbum do Pedro Abrunhosa acalme, para termos espaço para lançar o álbum e podermos estar todos concentrados nisto a 100%. Desta vez vamos fazer tudo à “antiga”, vamos gravar, pensar no formato físico e tentar colocar o disco à venda nas lojas. Porque sejamos honestos: a mente das pessoas funciona assim. Se eu colocar um disco em formato digital on-line, as pessoas vão gostar da banda, mas no dia seguinte esquecem-se, porque têm demasiada informação disponível. Se fizermos um disco que as pessoas podem ter na mão, já é algo que fica para sempre na sua posse, com o seu devido valor.

De que forma essas músicas se aproximam ou afastam do que fazias em formato individual? O que podem os teus fãs esperar deste coletivo em termos musicais?
Eu faço música sempre da mesma forma. Cada canção que faço tem sempre uma abordagem diferente, o que pode tornar as coisas interessantes, na perspectiva dos fãs. Mas este álbum será coletivo, nunca irá soar como Pedro Adriano Carlos a solo. E é isso que queremos, soar a banda e tornar as boas canções novas em grandes canções. Só com o contributo deles é que isso será possível!

Tem havido oportunidades para se apresentarem ao vivo? Como têm corrido as coisas?
Na realidade, não existem muitas oportunidades. O mercado está cheio. Temos que ser nós a procurar cultura, porque a única cultura que nos bate à porta é a arte do marketing, a arte de saber vender, a arte da lavagem cerebral. Ninguém dá nada a ninguém com boas intenções. Temos que ser nós a ir buscá-lo. Mas nós, nas oportunidades que já tivemos, soubemos aproveitar. E agora estou a soar a jogador de futebol. Só me faltava dizer “estávamos à beira do abismo mas demos um passo em frente”.  

Mas, recentemente tiveram que adiar um concerto, não foi? O que se passou?
Tivemos que cancelar, na hora. Existe muito profissionalismo por aí, mas também existem aquelas organizações “au portuguaise” em que as pessoas não fazem a mínima ideia do que estão a fazer. E os Heart Invaders exigem condições, porque quando dão um concerto querem dar essas condições ao público. Achamos que é uma atitude que deve ser tomada em massa, por parte de todas as bandas, porque só assim levarão as novas bandas a sério, e só assim farão um trabalho sério. Lembro-me de um episódio que aconteceu aos QOTSA em que, num festival, queriam revistar os sacos de cada um. Sabes o que é que o Josh Homme disse? “Não tocamos”. Estas situações existem em toda a parte do mundo.

No entanto, está para breve a vossa aparição no Hard Club. Queres falar um pouco sobre isso? Estão a preparar alguma coisa em especial para esse dia?
Sim, estaremos no dia 2 de agosto no Hard Club, com mais duas bandas de covers do rock dos anos 90 (Hungerdogs e Stone Dogs do Nuno Norte). É uma noite de celebração em que contamos com toda a gente. É uma noite nossa, porque estaremos entre amigos e vamos ser nós a organizar tudo. O que estamos a preparar de especial tem que permanecer em segredo! Mas definitivamente, não será uma noite previsível.  

Obrigado Pedro, mais uma vez. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
“Stay Human”é o que costumo dizer. Fiquem atentos ao que aí vem! Muito obrigado, Pedro. Vemo-nos por aí.

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