segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Entrevista: Moonshade

Prova cabal do enérgico movimento underground nacional são os diversos projetos que vão surgindo um pouco por todo o país. Apesar de não serem propriamente novatos (afinal já toda a gente tem experiência e até já haviam lançado um EP em 2010), os Moonshade como que iniciam uma segunda vida com o novo trabalho Dream Oblivion. Quisemos conhecer um pouco melhor a banda e o que se passou para quatro anos de silêncio. Aqui fica o resultado.

Olá! Obrigado pela vossa disponibilidade. Para começar, quem são os Moonshade?
De nada, obrigado nós. Moonshade é um projeto musical portuense que explora sons no âmbito do death-metal melódico com temáticas líricas variadas de caráter ominoso e obscuro, composto por 5 pessoas: os guitarristas Pedro e Dinis e, Ricardo, o vocalista, fazem parte da primeira formação original, e juntam-se a nós os mais recentes membros Afonso, o nosso baixista e Sandro, o nosso baterista.

O que vos motivou a erguerem um projeto como este?
Cremos que o único aspeto motivador para seguir este tipo de som em particular foi o gosto que cada um de nós tem por sons que são ao mesmo tempo pesados e melódicos.

Quais são as vossas principais influências?
Tentamos ao máximo ser originais e fazer algo mais do que simplesmente imitar outras bandas do género, portanto pode-se dizer que a nossa principal influência é a música.

Já tiveram outras experiências anteriores?
Sim, todos nós já tivemos bandas anteriormente e alguns de nós ainda têm outros projetos em andamento, sendo que o Afonso continua numa outra banda da qual já fazia parte antes de Moonshade, que também é de death metal melódico, e o Ricardo e o Pedro têm uma banda de rock/metal gótico.

Podem contar-nos um pouco da vossa história até agora?
Começamos por juntar uma formação inicial que lançou um primeiro EP, chamado The Path Of Redemption, em 2010. Demos uns quantos concertos para o promover, mas entretanto diferenças criativas levaram à saída do nosso primeiro baterista, Cris, que foi substituído por outro baterista, Paulo, que deu dois concertos connosco e teve de sair por razões pessoais, sendo por sua vez substituído pelo nosso atual baterista, Sandro. Nesse espaço de tempo houve também uma troca do nosso antigo baixista Bruno pelo nosso atual baixista, Afonso, e foi com essa formação que lançamos o nosso mais recente trabalho, Dream | Oblivion, apesar de, devido ao Sandro ter entrado no fim do processo de captação, as baterias terem sido compostas e captadas por Luís Neto, baterista dos Shell From Oceanic.

Em termos de gravações houve um hiato de 4 anos. O que se passou?
O principal fator foram as duas trocas de baterista que sofremos, pelas razões anteriormente descritas, sendo que bateristas são extremamente difíceis de arranjar, contribuindo também o fato de cada um de nós ter de conciliar a banda com a vida pessoal.

Como descrevem este vosso novo EP, Dream | Oblivion?
Este novo EP representa uma mudança marcante na sonoridade apresentada no The Path Of Redemption. Apesar de ser mais pesado, apresenta a novidade de coros de vozes limpas, mais instrumentalizações e uma maior aposta na técnica em todos os aspetos, sendo a bateria a mudança mais notória. É também o nosso primeiro trabalho conceptual.

Precisamente, Dream Oblivion representa uma história criada por vocês. De que se trata? Qual é o conceito?
O conceito do Dream | Oblivion foi criado pelo Ricardo e fala, essencialmente, do desespero face à crueldade humana. A história, introduzida pelo instrumental A Bleak Sunrise, gira à volta de um homem que se vê incapaz de conciliar as suas crenças com a razão e com todo o sofrimento e caos que sempre caraterizaram a nossa espécie. Na primeira música, Dawn Of A New Era, há um choque psicológico que causa uma libertação dos dogmas caraterísticos do típico indivíduo alienado, e este choque deriva do reconhecimento da imensa falta de empatia do ser-humano para com todos os seres vivos, inclusive os pertencentes à sua própria espécie. A música seguinte, Goddess Eternal, é um louvar à bênção que é a morte, o derradeiro fim de todo o sofrimento, surgindo a primeira consideração da personagem relativamente a pôr término à sua vida. No entanto, o instrumental The Depths Of Despair introduz outro estado de espírito na sua personalidade semidemente que induz uma busca por respostas em dogmas antigos, nomeadamente na Bíblia, que após uma leitura cuidada, interpreta-a à sua maneira, como qualquer “bom cristão”, e entende que a Serpente do Éden é a deusa da sabedoria, sonegada por um deus cruel, visto que convenceu Eva a comer a maçã que lhe deu a conhecer o bem e o mal, em Génesis 3.5. Esta opressão da sabedoria, no entendimento da personagem, originou repercussões inevitáveis na moral humana, bem como incontáveis mortes e sofrimento desnecessário. No final, temos a Fall To Oblivion, onde o personagem vê-se incapaz de lidar com tudo acima referido, e decide pôr término à sua vida, caindo para a escuridão do abismo.

Haverá apenas uma edição digital ou também física?
Planeamos mandar fabricar 100 cópias brevemente, que podem ser encomendadas por intermédio dos membros da banda, do facebook oficial ou por e-mail. Quando estiverem finalizadas, podem obter as informações todas relativamente a compra e envio no facebook da banda (www.facebook.com/moonshadeofficial).

Quem vos quiser conhecer melhor e ouvir o vosso novo disco o que deve fazer?
No facebook oficial dos Moonshade estão disponíveis todas as notícias e informações importantes relativas à banda, inclusive contacto de e-mail e link para a nossa página do Bandcamp (moonshadeofficial.bandcamp.com) onde podem ouvir ambos os nossos lançamentos na íntegra, ler as letras do novo EP, e comprar ambos em formato digital a preços acessíveis.

Como analisam Dream Oblivion quando em comparação com o EP de estreia The Path Of Redemption?
Em última análise, o Dream | Oblivion é uma mudança de direção que desejamos desde o The Path Of Redemption, e representa também uma melhor qualidade de produção da parte do nosso guitarrista Pedro, que também produziu o último EP.

Um dos temas, Goddess Eternal foi alvo de um lyric video. Porque a escolha deste tema?
Escolhemos a Goddess Eternal porque pensamos que é a música que melhor representa o EP tanto a nível de temática como de sonoridade.

Há previsões para mais algum vídeo ou não?
Seria fantástico, principalmente se fosse um videoclip. Já falamos sobre isso, mas de momento preferimos concentrar-nos em começar a dar concertos e promover o projeto. Mais tarde, quem sabe!

Como decorreu o processo de gravação?
Correu relativamente bem, se bem que foi pouco ortodoxo, considerando que as partes de bateria foram compostas após as guitarras, baixo e voz estarem captadas. Enviamos as composições para o Luís, que compôs a bateria à maneira dele com algumas sugestões nossas. Mais tarde captamos as baterias e o Pedro tratou de compor e gravar as instrumentalizações, misturar e masterizar.

Que objetivos pretendem atingir com os Moonshade?
Não temos objetivos definidos, de momento só queremos compor música, ensaiar e dar concertos. O resto vamos vendo com o tempo.

Como estamos de apresentações ao vivo? Próximas datas?
Neste momento estamos a preparar um espetáculo que faça valer a pena o tempo e dinheiro que as pessoas estariam dispostas a gastar caso nos fossem ver a atuar. Temos de contornar algumas nuances como a falta de teclista e a falta de tempo para ensaiar, mas contamos estar no ativo no final do verão/início do outono deste ano.

Obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou vossos fãs?
Gostaríamos de agradecer a quem nos apoiou até agora, de convidar os leitores que não conheçam Moonshade a investigarem este nosso projeto, e esperemos que gostem! Mais uma vez, obrigado à equipa da Via Nocturna por nos terem concedido esta entrevista.

Sem comentários: