sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Entrevista: Neracruz


O conceito Neracruz nasceu em 1995 em Londres com uma ideia em mente: uma mistura bilingue e bicultural, com elementos italianos e ingleses e temas cantados nas duas línguas. O primeiro resultado, em termos de álbuns, apenas surgiu este ano, ficando bem patente a diversidade estilística e cultural do projeto. O guitarrista Kevin Fisher foi o porta-voz da banda nesta entrevista.

Olá Kev! Obrigado pela tua disponibilidade para Via Nocturna e parabéns pelo vosso excelente álbum Neracruz.
Olá Via Nocturna e obrigado pela oportunidade de falar com os teus leitores. Sou o Kev e toco guitarra nos Neracruz.

Como nasceu este projeto?
A banda foi formada num estúdio de ensaios em Londres, em 1995, depois de um encontro casual entre Raff e Steve. A formação atual é composta por cinco membros: Raff (Vocais), Kev (guitarra), Marco (Teclados) e Luca (bateria).

Ter nascido Londres, foi estratégico ou apenas uma coincidência?
Puramente coincidência. Raff viveu lá muitos anos e tinha a ideia de incorporar um pouco da sua cultura italiana na cena britânica de Goth Rock. Depois de um encontro casual com o músico Steve, muita cerveja e algumas jam sessions, nasceu, finalmente o conceito Neracruz.

A vossa música é difícil de descrever, com o cruzamento de diversos estilos. Quais são as vossas principais influências?
Todos trazem os seus próprios estilos e influências, pomo-los na panela e vemos o que sai. Raff traz as suas raízes góticas de Sisters of Mercy, Fields Of The Nephilim, bem como outros projetos, como Sig Sig Sputnik e, claro, The Cult. Eu trago comigo o meu background metálico depois de ter tocado em várias bandas de thrash metal. Steve tem uma ampla influência que vai desde o Glam direto ao núcleo duro do thrash. Marco traz o seu new-wave através de estilos Depeche Mode na composição e na mistura. Como nunca decidimos qual deveria ser a nossa direção, nunca tivemos que nos conformar com um estilo em particular. O resultado é que também nós somos incapazes de descrever o nosso som. Somos o que somos.

No entanto, como disseste, o conceito Neracruz nasceu em 1995. Por que tanto tempo até o lançamento do álbum?
Após uma série de espetáculos bem recebidos e com interesse local a banda embarcou numa pequena tournée pela Europa. Depois de um show em Itália Raff e Steve decidiram permanecer por lá, pois queriam explorar a possibilidade de construir uma base de fãs italianos. Isso causou uma fratura na banda com alguns membros a regressar ao Reino Unido. Novos membros foram contratados, como Marco de Milão e eu (Kev) do Reino Unido. Foi aqui que a personalidade da banda finalmente se transformou no que é hoje. No entanto, infelizmente, o cenário italiano não estava pronto para este tipo de experiências, pelo que avançamos sozinhos. As editoras não nos ligaram. Tivemos ofertas, mas todos os negócios envolviam uma mudança de direção, o que sempre recusamos. Pura sorte, surgiu então a Valery Records. Um rótulo que se recusa a seguir modas e que nos deu a oportunidade de lançar Neracruz da forma que sempre pretendemos.

Uma banda com dois britânicos e dois italianos. É uma mistura essencial para a vossa sonoridade?
Sim, é o que somos e se um desses ingredientes fosse retirado do pote isso iria destruir a própria essência do que é Neracruz.

E há letras curiosas que misturam o italiano e o inglês. Foi sempre a vossa intenção desde o início fazer isso?
Não, nós escolhemos o idioma, assim como eu escolheria um efeito de guitarra. Que língua melhor se adapta à música é um processo natural e não uma intenção.

Foi um trabalho fácil criar e cantar letras em ambas as línguas?
Isso surge de uma forma tão natural que nem sequer nos apercebemos até as canções estarem terminadas. Nunca analisamos e decidimos de antemão se uma música vai ter uma linguagem determinada. As músicas nascem de uma paixão sem nenhum pensamento em termos de viabilidade comercial. Em primeiro lugar, escrevemos para nós mesmos.

Como decorreu o processo de gravação e produção de Neracruz?
Gravamos o álbum nos estúdios Hit Factory com Niccolo Fragile que já trabalhou com artistas de top italianos, como Eros Ramazzotti, Zucchero, Renato Zero e Vasco Rossi. O processo de mistura foi depois transferido para o nosso colaborador de há muito, Marco Trentacoste. Ele é o sexto membro da banda e fez um trabalho incrível fixando num álbum todo o som e diversidade que é Neracruz. Não é uma coisa fácil de fazer com tantos estilos num só. Ele conseguiu dar a cada canção a identidade que pretendíamos.

The Dream é o vosso primeiro vídeo oficial. Porque a escolha desta música?
Simplesmente pedimos a um determinado número de fãs para dar a sua opinião. Foi também uma grande oportunidade para trabalhar com a dançarina Lisa Della Via, que é uma das principais dançarinas burlescas de Itália.

Alguma tour agendada para os próximos tempos?
Alguns shows italianos em fevereiro e, em seguida, esperamos bater a cena Europeia o mais rapidamente possível. De momento, estamos a trabalhar com alguns promotores sobre algumas ideias.

E outros projetos? Têm alguma coisa em vista?
Novas canções e a continuação desta grande colaboração que é Neracruz.

Obrigado Kev! Foi um prazer! Queres acrescentar mais alguma para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
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