quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Entrevista: SweetKiss Momma

Com o estranho nome de SweetKiss Momma, chega-nos mais um coletivo de southern/roots rock americano. A Reckoning Is Coming é o seu segundo registo e aquele que tem permitido à banda alargar a sua base de fãs, chegando até à Europa onde iniciarão uma tour já em janeiro. E é o álbum que até já está nomeado para Best New Album da Weekly Volcano. O guitarrista e vocalista Jeff Hamel falou com Via Nocturna a respeito de todos estes aspetos.

Olá Jeff, antes de mais obrigado pela tua disponibilidade. Podes apresentar os SweetKiss Momma (SKM) aos roqueiros portugueses?
Olá e obrigado pela oportunidade de falar convosco! Somos uma banda de Rock-n-Roll que é muitas vezes descrita como Southern Rock; somos do noroeste dos EUA (tão longe da América do Sul como do Alasca). Provavelmente somos melhor descritos como Roots Rock (talvez American Roots Rock para os teus leitores). É um termo que aqui encapsula os blues, country, gospel e claro, Rock-n-roll, que formam a base da moderna música rock norte-americana. A banda é composta por mim (Jeff) na guitarra e vocais, pelo meu irmão Jeremy no baixo, Jimmy Hughs na bateria e Jack Parker na guitarra.

Podes falar-nos um pouco da vossa história até agora?
Jeremy e eu crescemos a tocar música na nossa igreja local, o que para nós significa uma dieta saudável dos hinos, gospel e spirituals que faziam parte dos vários serviços semanais. Acho que muito do nosso som sulista parte daí. É difícil não ter um pouco da tua educação escoar no que és na vida adulta. Os SweetKiss Momma são uma banda desde 2008, quando fizemos o nosso primeiro espetáculo oficial. O line-up mudou algumas vezes ao longo dos anos, mas com o Jimmy a bordo há um par de anos, e Jack que se juntou a nós, faz realmente é uma banda fantástica de se pertencer.

E como surge um nome como Sweetkiss Momma?
Veio de um apelido que eu tinha para minha esposa. Um dia ela beijou-me, enquanto usava aquele brilho labial com sabor que as meninas utilizam para agradar. E comentei com o meu filho que nós tínhamos tido "doce beijo da mamã”. Na realidade pensei que seria um grande nome para uma banda de Funk, mas ficou preso a nós.

Quais são as vossas principais referências e/ou influências?
Quando éramos mais jovens, Jeremy e eu ouvíamos os discos dos nossos pais, o que nós chamamos de Classic Country: Merle Haggard, Johnny Cash, Willie Nelson e afins; depois, já mais velhos aproximamo-nos das bandas de Seattle. Pearl Jam, Nirvana e Alice In Chains ainda estão entre os nossos favoritos. Não foi até ao meio/final da adolescência que estive exposto ao que a maioria das pessoas chamaria de Album Rock; bandas dos anos 60 e 70 que realmente estabeleceram o padrão para a grande música de rock. Eu tenho uma coleção de vinil em constante crescimento, e gosto que haja tantas bandas novas a retomar a sensação e o som dos álbuns antigos.

São quase quatro anos depois da vossa estreia. Porque um hiato tão longo?
Não sei se tenho uma boa desculpa. Passamos por um conjunto de mudanças pessoais e na vida e, com cada mudança veio um período de adaptação. E quando são muito seguidas são necessários muitos ajustes. Tínhamos estado em conversações para gravar o álbum nos grandes Robert Lang Studios em Seattle, já em 2011, mas por causa dos motivos mencionados anteriormente, não conseguimos. Eu sei que, se tivéssemos começado mais cedo, não teríamos tido a oportunidade de trabalhar com Ken (Coomer) e Richard (Dodd). Talvez por isso a ausência prolongada foi uma coisa boa.

A respeito de A Reckoning Is Coming, como o descreverias?
Estamos realmente orgulhosos do modo como o álbum saiu. Eu, pessoalmente, sinto que, com a ajuda de Ken, Richard e Patrick Miller (nosso engenheiro de sessão), fomos capazes de criar algo que foi muito além de qualquer expetativa que eu tinha. Jeremy e Jimmy soam incríveis, o nosso amigo Dan Walker saiu para Nashville connosco e fez um trabalho incrível nos teclados e a minha esposa Kim ainda acrescentou o seu toque às harmonias que completam o álbum. Espero que as pessoas que também ouviram o Revival Rock (o nosso primeiro álbum) consigam reconhecer o quanto a banda cresceu.

Gosto muito das vossas variações entre o elétrico e o acústico. Porque decidiram fazes isso?
Muito obrigado. Eu queria mostrar uma gama de texturas do álbum, e já que escrevi a maioria das músicas na guitarra acústica, pensei que seria ótimo poder incluir esse elemento no álbum.

E onde te sentes mais confortável: na fase elétrica ou acústica?
É engraçado, nós tocamos quase que exclusivamente na fase elétrica, mas quando estou em casa, tudo o que toco é acústico. Portanto, acho que provavelmente sinto-me igualmente confortável em ambos.

Este álbum foi gravado com Ken Coomer e foi misturado pelo vencedor dos Grammy Richard Dodd. Como foi trabalhar com estes nomes? Qual foi o seu input no vosso som?
Tanto Ken como Richard foram incríveis. Com o curriculum destes elementos, sentimo-nos extremamente honrados por termos sido capazes de trabalhar com eles. Ken esteve lá quando fomos moldando as músicas e ajudou nos arranjos. Junto com Patrick, fez a gravação das faixas em mais de 5 dias (mais de 65 horas) de sessões nos Creative Workshop Studios em Nashville. Ele foi muito encorajador e teve algumas grandes ideias que ajudaram as nossas canções a ganhar vida. Richard colocou os toques finais no álbum e fez um trabalho incrível ao colocar a sua marca no som do álbum, enquanto segurava toda a sensação do que fizemos nessas sessões.

Ainda estávamos em setembro, e vocês já tinham sido nomeados para Best New Album na Weekly Volcano. Como receberam essa notícia?
Ficamos honrados. Embora, para nós, o objetivo em fazer música não seja ganhar prémios, é bom saber que as pessoas ouviram e apreciaram o nosso trabalho duro.

E também as reviews têm sido ótimas! Parabéns, antes de mais. Sentiram, desde o início, que tinham feito um álbum com tanto potencial?
Nós não criamos o álbum com expectativas a esse respeito, de como as pessoas o iriam receber. No entanto, é bom que as pessoas apreciem.

Têm alguma tournée planeada? Incluirá a Europa?
Faremos a nossa primeira viagem à Europa em janeiro de 2015 e estaremos por aí, cerca de um mês. Se tudo correr bem, adoraríamos fazer uma segunda tour no final do ano.

Obrigado Jeff. Foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
O prazer foi meu! Gostaria apenas de dizer que estamos incrivelmente agradecidos por todos que despenderam o seu tempo a ouvir a nossa música, compraram, falaram de nós a um amigo, ou qualquer outra coisa que tenha aumentado a consciência sobre a nossa música. Quando começamos, nunca nenhum de nós sonhou que teríamos a oportunidade de compartilhar a nossa música com pessoas em países a milhares de quilómetros de distância, e sentimo-nos abençoados por ter a oportunidade de falar contigo.

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