quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Entrevista: Alarm Clock Conspiracy


Oriundos de Ashville, NC, os Alarm Clock Conspiracy são uma banda de indie rock, power pop e country alternativo. Nascido como duo acústico evoluiu para um projeto de grande qualidade artística como se prova no segundo trabalho Harlequin, motivo da nossa conversa com o membro fundador Ian Reardon.

Olá Ian! Obrigado por nos concederes esta entrevista. Podes fazer uma breve apresentação dos Alarm Clock Conspiracy para os rockers portugueses?
Somos um grupo Indie Rock, Power Pop e country alternativo com influências dos anos 60 e 70.

Uma das coisas mais estranhas na banda é o seu nome. Há algum significado particular para Alarm Clock Conspiracy?
Originalmente era apenas um comentário improvisado para o fato de nenhum de nós gostar dos nossos trabalhos diários, de modo que se supôs uma crença de que havia uma certa "conspiração" para tudo, desde acordar de forma irracional, correr para os nossos empregos e ver as nossas vidas a deteriorarem-se num abismo de tédio. Nos anos seguintes tornamo-nos mais filosóficos a este respeito. Agora é uma chamada para as pessoas dizendo: "Acordem e comecem a desfrutar da vossa vida."

E agora estão de regresso aos álbuns. Harlequin é o vosso segundo, certo? Algumas diferenças para em relação à estreia?
Sim, Harlequin é o nosso segundo álbum. O que diferencia este do anterior é que este foi gravado num estúdio profissional com um produtor nomeado para um Grammy - John Keane Studios - REM, Widespread Panic, Warren Zevon, Uncle Tupelo. O nosso primeiro álbum foi gravado com o nosso bom amigo Greg Sipes. Todos nós produzimos o álbum com Greg e ainda estamos por trás até hoje. Todos nós fizemos ajustes para que o álbum realmente visse a luz do dia. Este álbum esteve nas mãos de John Keane. Temos muito respeito por John e confiamos nele para fazer justiça com as nossas músicas, o que sentimos que, definitivamente, fez. Nunca tínhamos estado com um produtor deste nível. O processo de nos afastarmos e confiarmos nele para saber exatamente o que as músicas precisavam foi uma sensacional experiência educativa.

Uma vez que todas as canções foram escritas ao longo de vários anos, ainda são representativas dos ACC atuais?
Absolutamente. Esta banda sofre metamorfoses e mudanças ao longo do tempo, mas voltamos sempre às nossas raízes.

Os principais escritores és tu e Chris. Podemos supor que esta coleção de músicas é, de certa forma, pessoal ou não?
Sim, esta coleção de canções é muito pessoal. Todos nós escrevemos o que sabemos, e sempre escrevemos sobre as experiências que acontecem nas nossas vidas nesses momentos. Estas músicas têm personalidade e significam algo que nunca ninguém irá entender. Dito isto, queremos que os ouvintes estejam envolvidos, por isso, escrevemos de uma forma que alguém possa fazer referência às suas próprias vidas. Nesse sentido, eles podem fazer das músicas algo próprio e é isso o que torna a música especial para o ouvinte. Eles ligam-se à nossa arte.

É possível ouvir diversas influências na vossa música. Como é feita essa mistura a fim de conseguir criar um álbum sólido?
Quando nos sentamos para escrever música não temos nenhuma influência em mente nem dizemos: "Ei, vamos escrever uma música assim”. As influências surgem naturalmente como uma pintura numa tela limpa, por assim dizer. Isso é assim com todos, acho eu. Para se honesto contigo, estamos todos um pouco ADD a executar a nossa gama de influências. Se uma sucessão de acordes ou um certo som sai e nós gostamos, desenvolvemos uma canção. Temos pelo menos 15-20 músicas para encontrar as melhores e que mais gostamos e vamos para estúdio para monitoriza-las e, em seguida, cortar as músicas que simplesmente não encaixem bem com as outras, bem como as restantes. Há sempre mais músicas do que precisamos e estamos sempre a escrever para o álbum seguinte. Algumas dessas canções sofrem cortes, outras nunca têm cortes e outras, simplesmente, aparecem do nada para bater as outras para fora dessa lista, porque são as que mais nos inspiram.

Há alguma teoria da conspiração em Harlequin?
Não, nenhuma conspiração. Apenas um conto de perda e redenção. É realmente um conto pessoal, mas encorajamos os nossos ouvintes para fazer a sua própria história.

Vocês são uma banda que toca em dois campos: acústico e elétrico. Onde se sentem mais confortáveis, se é possível dizer?
As nossas raízes estão baseadas num duo acústico, mas apreciamos muito as misturas. Por isso olhamos para pessoas como Neil Young, The Beatles, The Foo Fighters e Wilco como influências. Bandas que entendem a necessidade de ter os dois estilos de música no que fazem. Estamos confortáveis tocando músicas acústicas tranquilas. Gostamos de fazer isso, mas também estamos confortáveis com guitarras elétricas a tocar uma canção punk rock de uma maneira negligente.

Como decorreu a experiência de gravação deste álbum?
Foi um processo muito suave e agradável. John comandou o estúdio e estivemos todos a bordo a fazer a nossa parte no melhor das nossas capacidades. Foi um período muito divertido. Estamos unidos como jamais estivemos enquanto banda. No geral, foi muito gratificante e medicinal.

Contaram com alguns convidados em Harlequin. Queres apresentá-los e dizer-nos que papel desempenharam no resultado final?
Sim, John Keane foi quem mais contribuiu para este álbum. Tocou pedal steel, Hammond, um pouco de percussão, guitarra e alguns backing vocals. O outro convidado foi Randal Bramblett (Traffic, Steve Winwood, Greg Allman Band, Bonnie Raitt...).  John tem uma boa amizade com Randal pelo que o trouxe para tocar a parte de piano em To My Lost Friend, bem como a parte Hammond na canção de Wes Something Tells Me. Não poderíamos estar mais felizes com o que estes dois músicos trouxeram ao álbum.

Próximos projetos tempo? Alguma coisa em mente?
Só agora começamos a falar sobre isso e a juntar as músicas. Temos pensado em voltar para estúdio ainda este ano, mas isso ainda está para ser determinado. A única coisa em que todos estamos de acordo, é que o nosso próximo álbum vai ser um projeto muito divertido e muito mais experimental, mas sempre com a nossa sensibilidade pop porque no fim vem sempre a canção. Sem a música, o que tens?

Mais uma vez, Ian, obrigado. Há alguma mensagem que queiras deixar?
Muito obrigado. Apreciamos muito…

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