segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Entrevista: Vengeful Ghoul


A Turquia não é propriamente fértil em grandes nomes no metal, por isso os Vengeful Ghoul são uma agradável surpresa. Com a sua mistura de power e thrash metal, Timeless Warfare consegui penetrar forte no panorama underground europeu. Numa entrevista que abordou o aspeto musical e até algo da história turca, o coletivo reuniu-se para falar com Via Nocturna.

Viva! Obrigado pelo vosso tempo com Via Nocturna! Quem são os Vengeful Ghoul? Podem apresentar a banda aos metalheads portugueses?
Vengeful Ghoul (VG): Olá e saudações para Portugal!! Vengeful Ghoul é uma banda de metal de Istambul, Turquia. O nosso estilo é power/thrash com elementos de metal tradicional. Lançamos o nosso primeiro álbum Timeless War a 14 de fevereiro de 2014.

Quando e como nasceu este projeto?
Emre Kasapoglu (EK): A banda foi formada em 2005 por mim e Senem Ündemir (guitarra ritmo). Éramos estudantes e o nosso objetivo inicial ao formar uma banda era apenas tocar algumas coisas heavy-thrash nos anos escolares. Depois começamos a organizar as nossas próprias composições, arranjamos outros elementos porreiros para o grupo, começamos a fazer espetáculos em locais de interesse turístico e decidimos gravar uma demo. Não foi muito fácil manter as pessoas. Tivemos muitas mudanças de membros, mas esperamos pacientemente até a mais precisa equipa estar formada.

Quais podem ser consideradas como as vossas principais influências?
VG: Todos gostamos de quase todos os estilos de metal, não queremos limitar isso, mas se és um fã de Helstar, Agent Steel, Vicious Rumors, Primal Fear, Jag Panzer, Iced Earth, Nevermore ou Kreator, provavelmente irás gostar de Vengeful Ghoul.

Timeless Warfare é o vosso primeiro álbum e já foi gravado em 2012. Ainda representa os atuais Vengeful Ghoul?
VG: Sim e não. Naquela altura não havia espaço suficiente para a contribuição dos outros membros da banda, além de Özgür, Emre e Senem. Atualmente, mesmo considerando que a estrutura principal das músicas continua a ser escrita por Özgür e Emre há mais aromas dos outros membros da banda também. Portanto, principalmente, temos um som mais coletivo.

Aliás, podemos assumir que, por esta altura, já devem estar a escrever novas músicas. Corresponde à verdade?
VG: Sim as gravações piloto do nosso segundo álbum estão quase prontas.

Voltando a Timeless Warfare, como definem esse trabalho?
VG: É uma abordagem irónica para o infinito, a mente e o seu resultado final polarização/guerra.

O engraçado é que existe uma canção com o título Ruthless Crow que é também o nome do estúdio onde gravaram. Foi um tributo? É o vosso próprio estúdio?
VG: Sim, claro. Ruthless Crow retrata culto de um herói de forma que queríamos marcar o nosso "templo" com o mesmo nome. Já investimos muito dinheiro nas nossas músicas, ensaios, gravações, custos de viagem, etc … Por isso pensamos que devíamos investir muito mais no estabelecimento de um estúdio nosso porque os estúdios locais são muito caros e também insatisfatórios para o nosso gosto. Não conseguíamos exatamente o que queríamos. Finalmente percebemos que a maneira melhor e mais económica de gravar um grande álbum de forma eficiente e em serenidade foi ter o nosso próprio estúdio. Conseguimos tratar de tudo em 6 meses (incluindo comprar software e hardware, construir cabines). Para já é apenas um home-studio de gravação dedicado exclusivamente aos Vengeful Ghoul.

A masterização esteve a cargo dos dedos mágicos de Jens Bogren. Porque o escolheram?
VG: Gostamos do trabalho que o Jens tem feito com muitas bandas com quem já trabalhou como Symphony X, Hammerfall, Paradise Lost, etc ..

E onde podemos sentir o toque do Sr. Bogren?
VG: Especialmente na bateria, mas, penso que em todo o álbum. Ele fez um bom trabalho e refletiu a nossa triste mas promissora nova atmosfera de som.

Depois da gravação do álbum mudaram de baixista. Como foi a adaptação do novo membro à banda e às músicas?
VG: Foi muito fácil, pois já éramos amigos há alguns anos. Já nos tinha ajudado na produção/gravação e no artwork do nosso álbum de estréia. Já estávamos muito perto, por isso não houve, na verdade, um período de adaptação.

De facto, não é muito habitual ouvirmos bandas turcas. Como é a cena no teu país?
VG: A cena do metal turco não é tão grande quando comparada com outros países da Europa ou com os EUA, é claro, mas há muitos músicos e bandas de heavy metal talentosos. Poucos têm uma história longa e ativa. Percebes, garantir a estabilidade como banda tem muitos custos. Dinheiro, resistência, paciência, trabalho e tenacidade para além da capacidade de tocar heavy metal original. Não duvidamos da capacidade das bandas turcas de metal, mas desaparecem facilmente evitando investir na sua música. Alguns têm dificuldades em manter o equilíbrio entre a vida cotidiana e a vida musical e outros dececionam-se com bastante facilidade por não se sentirem realizados num curto espaço de tempo. Também estamos um pouco isolados, para ser honesto, já que não olhamos muito para a cena metálica do nosso próprio país.

Pelo facto de o vosso país ser maioritariamente muçulmano, não têm problemas em ter uma mulher na vossa composição?
VG: A Turquia não é um país islâmico, o seu regime é uma república laica. 90% dos cidadãos são muçulmanos mas também há muitos cristãos, judeus e ateus que vivem juntos há muitos anos em paz. Mustafa Kemal Atatürk, o nosso líder e comandante da guerra de libertação, estabeleceu a república em 1923 e, desde então, as mulheres turcas têm os direitos sociais e políticos iguais aos dos homens turcos. Senem formou esta banda há quase dez anos, demos inúmeros concertos por todo o país e não tem qualquer problema causado por sexismo ou Islamismo. Aliás, nem sei se os "Islamitas" realmente existem. Na história islâmica, há mulheres que lutaram guerras, mas aquelas pessoas orientadas pelo orientalismo provavelmente não têm qualquer ideia sobre isso.

Mas como lidam com toda a situação do Estado islâmico, a guerra na Síria e no Iraque, aí tão perto de vocês... Isso reflete-se nas vossas letras?
VG: Claro que é uma tragédia e afeta-nos profundamente. Preferimos falar sobre essas coisas de forma genérica. A guerra esteve sempre na equação nas nossas terras vizinhas, pelo que não é nada de novo.

Têm algum vídeo retirado deste álbum?
VG: Não, pelo menos num sentido oficial, mas temos gravações ao vivo da nossa tournée pela Europa na nossa conta de youtube: http://www.youtube.com/user/vengefulghoul1

Obrigado, foi um prazer conversar convosco. Querem acrescentar mais alguma coisa?
VG: O prazer foi nosso! Gostaríamos de te agradecer por esta entrevista e pelas tuas boas perguntas. Vamos caminhando no nosso sonho e acreditamos que se irá tornar uma realidade quando compartilharmos a nossa música com mais pessoas. Aplausos pesados para todos no círculo de metal!

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