quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Entrevista: Winter In Eden


Já considerados como a melhor banda britânica de rock sinfónico com vocalista feminina, os Winter In Eden não deixam os seus créditos por mãos alheias neste seu regresso com Court Of Conscience, terceiro trabalho de originais. Apesar de gravado na Holanda com Ruud Jolie (Within Temptation), o que o quinteto nos apresenta é muito mais que uma simples colagem aos famosos holandeses, como nos explica Steve Hauxwell, baterista do coletivo.

Olá Steve! De regresso com o vosso terceiro álbum como se sentem? Totalmente satisfeitos?
Olá! Sim, estamos muito felizes com a forma como o álbum saiu e mais ainda com a forma positiva como foi recebido, tanto pelos fãs como pela comunicação social.

Onde estão mais visíveis as marcas de evolução em relação aos vossos lançamentos anteriores?
Esta foi a primeira vez que o material foi escrito e gravado com o baterista Steve Hauxwell que substituiu Wayne McAloon em 2012. Assim, naturalmente, a forma como abordamos a composição e o conteúdo das músicas em si mudou um pouco em relação a Awakening e Echoes Of Betrayal. A direção da banda e o estilo geral permanece inalterado, embora o nosso som tenha evoluído, o que é saudável para qualquer banda. Esta foi também a primeira vez que trabalhei com Ruud Jolie como produtor o que realmente ajudou a tirar o melhor proveito de nós e do material.

Porque escolheram gravar na Holanda?
Muito simplesmente porque era uma escolha óbvia para nós. Ruud Jolie produziu o álbum e o seu estúdio é na Holanda. Parecia razoável para nós que devêssemos gravar num ambiente em que se está confortável, portanto, todos os envolvidos poderiam estar mais relaxados e assim obter as nossas melhores performances.

A produção esteve a cargo de Ruud Jolie, como já referiste. Como foi trabalhar com ele?
Foi incrível! Como já mencionado, sempre relaxado na sua forma, mas igualmente muito profissional ao mesmo tempo. Divertimo-nos imenso. Ele entende tudo a respeito dos Winter In Eden e soube instintivamente o que estávamos a tentar 'dizer' neste álbum, tanto no plano fonético como emocionalmente. Teve algumas grandes ideias e técnicas para nos ajudar a criar este álbum. Ele foi tudo o que se pode esperar de um produtor.

Além de Jolie, também outro nome associado aos Within Temptation (Stefan Helleblad) trabalhou convosco. Com isto em mente e ouvindo o vosso álbum, percebe-se que os WT são uma das vossas influências…
Eles são uma das nossas influências, mas também somos inspirados por outros grandes artistas. Entre nós, temos gostos muito ecléticos! Não fazemos qualquer tentativa de soar como qualquer banda em particular ou tentar imitar qualquer estilo, apenas fazemos o que fazemos!

Que outros nomes vos influenciam ou costumam ouvir?
Muitas vezes perguntam-nos sobre as nossas influências mas nós nunca damos uma resposta direta! Somos cinco pessoas que têm diferentes raízes musicais e que obtêm inspirações de diferentes lugares. Alguns de nós estão mais no campo do Metal, outros do Pop ou contemporâneo, enquanto outros são mais progressistas. Cada um de nós traz algo diferente em termos de escrever e tocar, o que impede o álbum de se tornar comum ou repetitivo. Achamos que é por isso que é muito difícil colocar-nos num género musical específico.

Vamos falar um pouco a respeito dos convidados. Cordas, vocais e Damian Wilson nas narrações. Podes descrever-nos um pouco como foram as vivências nestas colaborações?
Ter convidados no álbum foi algo que sempre quis fazer e discutimos isso durante as reuniões de pré-produção com Ruud, na mesma altura em que ele estava a ouvir as nossas versões demo do álbum. Percebemos que Damian Wilson seria perfeito para as narrações em Burdened a partir do momento em que fez alguns espetáculos com os Maiden United. Mas foi Ruud quem nos colocou em contato com Jermain van der Bogt (vocais), Nathaly Heijne (vocal), Sietse van Gorkum (violino) e Jonas Pap (violoncelo). Jermain e Nathaly fizeram backing vocals em algumas das faixas apenas para acrescentar uma outra dimensão ao som. Jermain tinha muitas ideias para as harmonias e ficamos encantados com o seu talento vocal.

E quanto às cordas?
Sietse e Jonas foram perfeitos nas cordas. Realmente precisávamos de algo especial de cordas para o álbum, especialmente para a faixa The Script. É uma pista muito aberta, emocional, com um ritmo mais lento e o que eles conseguiram é verdadeiramente sublime.

Court Of Conscience é um álbum conceptual, ou não?
Não propriamente. Há um ligeiro toque de um conceito no título do álbum, que surge a partir de uma citação de Mahatma Gandhi
"Há um tribunal superior aos tribunais de justiça que é o tribunal da consciência ..."
Portanto, usando isso como título resume muito bem parte do conteúdo lírico. No entanto, irás notar que a faixa 3 é intitulada Critical Mass Pt1 - Burdened. Essa faixa é, de facto, o início de um conceito. Se deres uma olhada aos nossos álbuns anteriores, vais ver que em Awakening as faixas 11 e 12 chamavam-se Awakening Chapter 1 e Chapter 2. No álbum seguinte, Echoes Of Betrayal as faixas 3, 4 e 5 foram Awakening – Chapters 3, 4 e 5, respetivamente. Portanto, fazer a ligação entre algumas canções para, em conjunto, formar uma história ou um conceito, é algo que já vimos a fazer. Por isso, terás de comprar o próximo álbum para ouvir Critical Mass Pt2!!

Esta é a primeira vez que fazem um lançamento com a ajuda de uma editora?
Não, não é a primeira vez que trabalhamos com uma editora, mas é a primeira vez que trabalhamos com a Cherry Red o que têm permitido aumentar a nossa exposição com a distribuição mundial.

Muito obrigado Steve. Foi um prazer fazer esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Sem problema, obrigado pelo teu tempo a falar connosco e esperamos que tu e os teus leitores gostem de ouvir Winter In Eden. Felicidades.

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