segunda-feira, 16 de março de 2015

Entrevista: Mondo Drag



Sob a espiritual orientação dos pais do psych e prog dos anos 70, surgem os Mondo Drag. O álbum homónimo, lançado já neste ano de 2015, sucede à estreia New Rituals lançado em 2010. Um autêntico e original manifesto de como fazer bom hard rock pura e asumidamente vintage. John Gamino explicou-nos como se consegue, no século XXI apresentar um disco a soar a anos 70 de uma forma tão magistral.

Olá John, obrigado pelo teu tempo com Via Nocturna. Quem é esta entidade Mondo Drag? Podes apresentar a banda aos rockers portugueses?
Olá! Somos os Mondo Drag de Oakland, Califórnia. Atualmente, a banda é composta por mim (vocais e teclados), Nolan Girard (guitarra e sintetizador), Jake Sheley (guitarra), Ventura Garcia (bateria) e Andrew O'Neil (baixo).

Como tem sido a vossa história até agora? Queres falar sobre isso?
Mondo Drag já existe há quase 10 anos e durante este período de tempo, lançamos vários LPs, andámos em tournée por todo os EUA, mudamo-nos para a Califórnia e passaram por cá um punhado de baixistas e bateristas. É bom estar aqui!


Como foi a preparação deste álbum homónimo?
Fazer este álbum foi muito trabalhoso pois envolveu novos papéis a desempenhar pelos membros da banda bem como novos membros. Mas, uma vez que foi tão difícil, dá-nos uma grande alegria ver que finalmente foi lançado!

A perda da vossa secção rítmica foi um desses momentos. Quem está agora na banda? A sua integração foi um processo fácil?
Na verdade foi um processo muito longo e difícil, que nos levou um par de anos e até a deslocarmo-nos para Oakland, Califórnia, para encontrar uma nova seção rítmica. Em 2013 adicionamos o baterista Ventura Garcia e o baixista Andrew O'Neil e temos vindo a fazer shows em San Francisco e Oakland desde então.

Este é um lançamento Bilocation Records/Kozmik Artifactz, mas já tinham um lançamento anterior. Quais as principais diferenças entre os dois?
Sim, nós lançamos o nosso primeiro álbum, New Rituals, em 2010 e há bastantes diferenças entre os dois. A grande diferença vem do facto que Johnnie Cluney (bateria e vocal) e Dennis Hockaday (baixo) deixaram o grupo em 2011. Isso levou a que John se mudasse para a posição de vocalista da banda e trouxemos Cory Berry e Zack Anderson para o processo de gravação. É seguro dizer que este foi um período de transformação para a banda.

Se te pedisse para descreveres o som dos Mondo Drag, o que dirias?
O som Mondo Drag começa com a nossa escolha do equipamento vintage, de técnicas de gravação analógicas e na abordagem da composição. Agora, se olhares para estas três coisas vais reconhecer que as nossas decisões são fortemente influenciadas pelas gravações de bandas heavy psych e prog do início dos anos 70. No entanto, isso não quer dizer que não incorporemos um elemento moderno ao som. Houve 40 anos de música, grandes eventos na cultura humana, descobertas surpreendentes na Terra desde a "Idade do Ouro" do psych e prog. Seria impossível ignorar o facto de que todas essas coisas também se prestam para o desenvolvimento/influência do nosso som.

Podemos falar um pouco do processo de gravação? Como fizeram para obter aquele incrível som retro?
Uma grande parte do som que nós produzimos nos nossos álbuns vem da nossa abordagem para o processo de gravação. Para ambos os nossos álbuns, gravamos todas as pistas principais com a banda completa e directamente para fita usando microfones de fita principalmente RCA e tubos pré-amps da década de 1940 e 50. Também misturamos a fita no estúdio, que é quase uma performance em si, uma vez que é composto por todas as mãos disponíveis com as pistas entrando e saindo, panning e outros ajustes ao vivo. Todas as pistas são misturadas para fita.

Recentemente tiveram a oportunidade de gravar pela Converse Rubber Tracks nos Different Fur Studios. O que foi isso? Algumas músicas novas estão em preparação?
Basicamente, Converse Rubber Tracks é um esforço promocional de uma empresa que oferece aos músicos tempo livre em estúdio. Ficamos muito felizes por ter estado um dia nos Different Fur Studios em San Francisco. O estúdio foi fundado no final dos anos 60 e nomes lendários como Herbie Hancock, Neil Young e Brian Auger gravaram lá. As músicas que gravamos para essa sessão são inéditas, mas vamos tocá-las no nosso set ao vivo. Poderão ver a luz do dia como um 7" num futuro próximo...

Próximos projetos? Têm alguma coisa em mente?
De momento, estamos a fazer demos de material para o nosso terceiro álbum e parece que vamos estar em tournée pela Europa a partir deste outono.

Mais uma vez, muito obrigado. Queres deixar alguma mensagem?
Obrigado pela leitura e esperamos ir a Portugal em breve!

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