segunda-feira, 20 de abril de 2015

Entrevista: Radioactive


O quarto álbum dos Radioactive demorou 10 anos a ser feito. Afinal, nada de novo para Tommy Denander, já que o primeiro tinha demorado precisamente o mesmo tempo. Agora, em 10 anos, as canções cresceram, desenvolveram-se e adaptaram-se a cada um dos grandes vocalistas (alguns entretanto e infelizmente já não estão entre nós – Jimi Jamison e Fergie Frederiksen) que o guitarrista sueco convidou para esta fantástica obra. Como sempre envolto em enorme quantidade de trabalho mas, também como sempre simpático e solicito, voltamos a conversar com o brilhante Tommy Denander.

Olá Tommy! Tudo bem? Mais uma vez, obrigado pelo teu tempo!
O prazer é meu! A vida não poderia correr melhor – em setembro tive o meu primeiro filho e estou superanimado com isso! O meu outro bebé, o meu novo álbum de Radioactive, acabou de nascer, (risos) e as reviews e feedback têm sido absolutamente incríveis que me sinto muito bem depois dos 10 anos que dediquei à sua criação. Faço parte executiva do maior e mais antigo estúdio na Suécia chamado X-Level, que tem 53 anos de idade e todos, desde os Beatles, Abba, Roxette até Beyonce, Rihanna, One Direction e Lady Gaga gravaram lá. Continuo a fazer bastantes sessões divertidas de guitarra e estive em tournée pelo mundo inteiro os meus Legends Of Rock mais a Bobby Kimball Band e alguns outros grandes artistas como Dan Reed, Robin Beck e o nosso saudoso Jimi Jamison. Portanto, não posso reclamar.

E também de regresso aos discos de Radioactive - como te sentes?
Sinto-me muito orgulhoso e feliz com este álbum!!! Comecei o conceito original em 2005 como sendo um álbum mais pesado e muito mais progressivo o que se nota em parte de canções como Back To The Game com Fergie Frederiksen ou Heart Come Alive com Bobby Kimball. Escrevi o álbum inteiro em 2005, mas como vivi bastante tempo com estas músicas, já que estava ocupado com outro trabalho, isso fez-me sentir que o que eu queria era fazer um álbum puro de hits, com canções mais simples, com ótimos vocais e grandes ganchos sem tanto enfoque em música muito louca. Apenas canções muito bem escritas que foram tocadas em grande e tiveram os melhores cantores que conheço e por isso, acho que o álbum se tornou no que pretendia.

De facto, este é um álbum que se foi desenvolvendo ao longo de dez anos…
Foi exatamente como o primeiro Radioactive que também demorou 10 anos (risos). Não é algo que eu pretenda para tudo, mas demoro o tempo que é preciso para fazer os álbuns de Radioactive, porque não vejo sentido em lança-los a menos que sejam o melhor que posso fazer nesse momento da vida. O primeiro álbum tornou-se um clássico moderno para muita gente e, claro, com mais de 30 lendas enormes a tocar e a cantar nele e com algumas músicas realmente fortes - é um álbum muito fixe. Disse durante esses 10 anos que seria a única vez e que não haveria mais nenhum álbum de Radioactive porque naquela altura senti ser impossível conseguir fazer algo melhor e encontrar outro leque enorme de grandes nomes como tinha lá. É claro que estava completamente errado e apenas 2 anos depois lancei Yeah! que considero um dos melhores álbuns da minha vida e que também tinha alguns grandes nomes (risos). Mais dois anos e lancei Taken. Com certeza, há algumas ótimas músicas e, claro, um grande elenco de grandes músicos, mas acho que é o álbum mais fraco, na minha opinião. Fiquei muito feliz por o poder regravar e remisturar e inseri-lo na caixa Legacy, que tinha todos os 3 primeiros álbuns para além de todas as músicas bónus e 3 novas músicas. A nova versão de Taken é muito melhor, principalmente porque pedi a Jeff Paris que cantasse em várias das canções para as tornar melhores. Mas aprendi com esse álbum que, se vou fazer um outro, deve ser o melhor que posso por isso foi um grande sentimento deixar o novo álbum crescer lentamente ao longo dos anos. Às vezes passava uma semana a trabalhar nisto, em seguida, deixava-o durante 3-4 meses e quando voltava a ele ouvia-o com novos ouvidos. Melhor, aprende-se constantemente coisas novas, fica-se com uma melhor engrenagem, conhecem-se novos grandes artistas com quem podes gravar e assim por diante.

E foi uma tarefa difícil terminar o álbum com tantos vocalistas diferentes envolvidos?
Na verdade não, porque eu sou abençoado em conhecer tantos desses cantores de classe mundial e, muitas vezes, é como troca de favores: eu toco nos álbuns deles se cantarem uma música para mim. Mas é claro que é preciso tempo e muito planeamento para obter todos esses cantores num álbum, é preciso encontrar a música perfeita para eles, estar num estúdio que seja suficiente bom, etc.

Então, mantendo sempre o teu tradicional método de colaborações...
Na maior parte, sim. Nós chamamo-lo de “acordo de irmãos” que foi algo que Fergie Frederiksen sempre disse quando os orçamentos começaram a tornar-se muito baixos para os álbuns de AOR (risos). Mas eu tenho o meu próprio estúdio, por isso, para mim é fácil tocar nas suas canções e muitos desses cantores também têm o seu estúdio. Nós olhamos para isto como diversão, claro, mas todos nós temos dupla exposição por estarmos em dois álbuns pelo preço de um... ou nenhum! (risos).

E conseguiste todos os convidados que pretendias ou em quem tinhas pensado?
Neste álbum não queria ter muitos outros músicos. Queria que o foco estivesse nos cantores já que eu toquei tudo - guitarras, baixo e teclados e Lars Chriss fez as baterias e a fantástica mistura e apenas usei o meu caro amigo dos Legends Of Rock, Ken Sandin, para tocar baixo numa música. Mas tenho cantores incríveis como Chris Ousey e Kevin Chalfant para ajudar nos backing vocals, que serão fantásticos como lead vocals em breve. Como sempre coescrevi muitas canções com os cantores, mas principalmente com o meu superparceiro de sempre Ricky Delin.

Consideras este o teu melhor álbum até agora?
Eu tenho uma seleta lista de álbuns que criei e que adoro absolutamente, incluindo Gallery Spin, Chris Ousey e alguns mais. Sem dúvida, este está nessa lista.

Pode descrever um pouco da forma como decorreu o processo de criação deste álbum?
Eu faço os meus álbuns sempre da mesma maneira. Começo a escrever a música que é algo que eu faço diariamente para outros artistas. De qualquer maneira e cada vez que escrevo uma canção que eu veja que é o que eu estou à procura guardo-a numa pasta especial. Às vezes recebo pedidos para escrever para artistas de maior nomeada e poderia usar 1 ou 2 canções dessa pasta e acabar por perder as músicas (risos), mas sei que consigo sempre escrever novas músicas de forma bastante rápida e fácil. Neste novo álbum há 2-3 músicas que eu senti que precisava delas mesmo no final do processo, na verdade já na fase de misturas. Entretanto conheci Jean Beauvoir em Las Vegas em dezembro passado (bem, nós já nos conhecemos há alguns anos, mas nunca nos encontramos pessoalmente), portanto, rapidamente decidi que ele iria cantar no álbum e não tinha a canção perfeita para ele, por isso acabei por escrever uma música em algumas horas e agora é uma das favoritas de quem já ouviu o álbum. Mas começa sempre com a música ou algumas ideias melódicas quer de Rick Delin quer do cantor que faz as letras e muitas vezes também ajusta um pouco as melodias.

E quanto ao processo de gravação?
Muito fácil já que eu tenho um grande estúdio, faço toda a música lá e, neste caso, apenas dei ao Lars os arquivos para a sua bateria e mistura. Alguns dos cantores gravaram no meu estúdio, outros nos seus próprios estúdios.

Estás a preparar alguma coisa para levar este álbum para palco?
É um sonho meu de há uns anos poder tocar num grande palco como o Sweden Rock Festival ou outro grande festival como esse. Gostaria de montar uma all-star band de músicos top americanos e 3-5 grandes cantores para que pudéssemos gravar um CD ao vivo/DVD. Esperemos que isso possa acontecer dentro de um ano ou dois.

Depois de um álbum como este onde pensas que ainda poderás chegar? Ou seja, torna-se cada vez mais difícil dar um passo em frente...
Não, nunca receio o amanhã e não escrevi nada neste álbum que não considere que não posso igualar ou melhorar no futuro, por isso tudo se resume a encontrar a vibe certa para o tipo de álbum que devo fazer, ter tempo e depois dispor dos cantores adequados, porque é muito difícil superar os nomes presentes neste álbum, especialmente desde que os nossos queridos irmãos Fergie e Jimi já não estão entre nós. Mas na realidade isso não é tanto sobre ter grandes nomes. Os nomes não significam nada, a menos que eles se entreguem a performances surpreendentes. Mas, quem sabe, talvez faça o próximo álbum de Radioactive apenas com um cantor e um monte de músicos convidados (risos).

Tu estás sempre muito ocupado, por isso, pode dizer-nos em que estás a trabalhar agora?
A vida é muito curta e muito divertida para ficar parado! Estive em tournée por todo o mundo nos últimos tempos, que é muito divertido, mas como tive um filho recentemente, não estarei em tournée muito tempo nos próximos anos, o que significará muito mais tempo em estúdio. Coescrevi o novo álbum dos House Of Lords que é incrível e estou a fazer uma grande parte do novo álbum de Robin Beck que é sempre incrivelmente divertido. Estou também a fazer um álbum muito fixe com Bobby Kimball, baseado em músicas que ele escreveu antes de se juntar aos Toto na década de 70 e algumas novas músicas minhas nesse estilo Steely Dan, Toto. Vai ser o tipo de álbum com que os velhos fãs de Toto sonharam ouvir. Estou a fazer 2 álbuns com Ricky Delin que são realmente muito bons - ele é um grande escritor e produtor e as pessoas vão entender rapidamente que ele era a alma dos Houston - muito melhor do que as coisas dos Houston, na minha opinião. Sou A & R da nossa grande empresa X-Level e aí estou envolvido na obtenção de alguns dos nossos grandes artistas para assinarem por grandes entidades nos EUA o que é muito emocionante. Nos últimos 5 anos tive grande sucesso com a minha guitarra assinada que apresenta os incríveis trastes True Temperment e pontes Evertune. É a primeira guitarra de sempre com 100% de afinação perfeita e que nunca sai de tom e foi ideia minha combinar estas grandes invenções numa guitarra. Uni essas grandes empresas para criar esta guitarra maravilhosa, tendo acabado de assinar um enorme novo negócio para este conceito que será oficializado mais tarde, ainda este ano, mas estou muito envolvido com coisas novas para o instrumento. Poderia fazer uma lista de mais de 30 coisas, mas elas serão logo conhecidas de qualquer maneira (risos).

Bem Tommy, é sempre um prazer conversar contigo. Queres acrescentar algo mais a esta entrevista?
Quero apenas agradecer o teu apoio e um grande agradecimento a todos os fãs incríveis no mundo!!!! Grande abraço.

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