sexta-feira, 1 de maio de 2015

Entrevista: Sun Soul Orchestra


Com um passado relevante em diferentes estilos, Stevo Théard e Ginger Murphy juntaram-se para criar a Sun Soul Orchestra, uma grandiosa viagem musical que culminou em What Matters Most álbum que demorou 5 anos a concretizar e que conta com a participação de uma enorme quantidade de músicos colaboradores. O duo apresentou-se e explicou a Via Nocturna como tudo se proporcionou.

Viva! Obrigado por esta entrevista. A Sun Soul Orchestra é um projecto com um novo conceito. Podem descrever em que consiste?
No início, queríamos experimentar com cordas e percussão. As nossas primeiras ideias conduziram, de forma natural, à adição de instrumentos para a secção rítmica, como baixo, teclados e guitarra. Quando começamos a adicionar sopros e vocais, chegamos ao conceito que abraçamos atualmente: sem imposição de limites para instrumentos ou estilos!

Vocês são o núcleo deste projeto - dois artistas com origens musicais muito diferentes. Quais são as vossas raízes musicais?
Ginger: Eu tenho formação musical clássica em violoncelo e piano, a partir dos 9 anos de idade até ao nível universitário, com um grau de desempenho clássico. Mas sempre gostei de ouvir outros estilos. Quando era jovem sempre gostei de ouvir Prince, Michael Jackson, The Beatles, Stevie Wonder etc..
Stevo: Eu comecei no piano aos 10 anos, mudei-me para as congas, aos 14 anos, em seguida, bateria, aos 16 anos. Estudei de forma particular, frequentei alguns cursos de música na faculdade, para depois começar a aprender realmente o que precisava aprender no mundo real. Soul, Jazz e Rock estão na base de tudo que faço.

Ambos trabalharam com vários artistas nos últimos anos. Se vos perguntasse em que projetos vocês mais gostaram de colaborar, o que diriam?
Ginger: Eu tive a grande sorte de trabalhar com tantos grandes artistas. Foi um sonho tornado realidade ter tocado com Stevie Wonder no seu show no Hollywood Bowl. Mas em estúdio um dos destaques foi improvisar linhas de violoncelo para o álbum de Josh Groban, All That Echoes. E, mais recentemente tocar e gravar no álbum To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar, foi uma experiência inesquecível!
Stevo: Eu gostei muito de trabalhar com Terence Trent D'Arby. Ele é um cantor/compositor incrivelmente talentoso e aprendi muito quando trabalhei em estreita colaboração com ele. Também gostei de trabalhar com alguns outros grandes cantores como Jeffrey Osborne, Michael McDonald, Peabo Bryson e Patti Austin.

Quando começara a trabalhar juntos? O que motivou essa ligação?
Ginger: Eu estava a tocar num quarteto de cordas que estava interessado em entrar por estilos alternativos nas novas composições. Stevo ofereceu-se para escrever uma peça para o nosso grupo. Acabamos por colaborar - a combinação de ideias foi mágica!

A respeito das vossas influências? Que estilos ou movimentos mais vos influenciam?
Ginger: Crescendo como músico clássico, estive imersa na aprendizagem/audição de música clássica, mas sempre gostei de ouvir música pop-Hip Hop, Soul e vintage Rock como Led Zeppelin, The Doors e The Beatles. Na faculdade toquei numa Big Band no Disney World e atuei com alguns dos melhores alunos de jazz do país. Todas as noites havia jam sessions após os espectáculos e nasceu aí o meu amor pelo jazz.
Stevo: Adoro soul, mas também fui fortemente influenciado pelo Jazz e Rock. E Hip Hop é muito inspirador para mim. Gosto muito das inovações que trouxe à música popular e vi a sua influência global com os meus próprios olhos... É uma revolução!

What Matters Most é a vossa estreia. Como a descreveriam?
Ginger: What Matters Most é uma coleção de 10 canções - 5 originais e 5 covers. Todas as músicas têm um feeling old school com um toque atual. Usamos muitos instrumentos orgânicos e acredito que isso ajuda na criação de um ambiente emocional honesto, humano para cada canção.
Stevo: É uma amálgama de influências que Ginger e eu trouxemos para a mesa e o primeiro passo de uma viagem com muito mais por vir!

Portanto, não são apenas temas originais. Porquê?
Metade do álbum são músicas novas, a outra metade são o que nós gostamos de chamar de "covers escolhidas" - canções que adoramos e com as quais temos alguma ligação. Queremos sempre tentar trazer uma perspetiva única e fresca para as músicas que fazemos versões.

Quanto tempo demoraram a fazer este álbum?
Stevo: Escrevemos a nossa primeira composição juntos em 2010, mas diria que o álbum realmente começou a ganhar forma entre os anos 2011-2014.

Com quantos músicos trabalharam?
Stevo: Eu contei 39 músicos na página dos músicos no nosso site. É um grande elenco de personagens!

Foi uma produção gigantesca, portanto suponho que não tenha sido fácil gerir todos os assuntos...
Stevo: Muito do álbum foi gravado em camadas, por isso foi um processo muito relaxado. Os músicos chegavam, tínhamos algum tempo para conversar e começávamos a trabalhar... Foi sempre uma ótima combinação de trabalho e diversão!

Tendo em conta o elevado número de músicos envolvidos, já estão a preparar algumas apresentações ao vivo?
Sim e sabemos que poderia ser um pesadelo logístico, por isso, o nosso objetivo é criar versões menores, Unplugged do grupo para podermos sair e fazer espetáculos. Eventualmente poderemos fazer alguns ensembles maiores também.

Para além deste, estão envolvidos em mais algum projeto?
Stevo: Tenho trabalhado em redor de LA com um grande guitarrista chamado Greg "Gee Mack" Dalton e também tenho feito concertos com o meu próprio grupo New Orleans/Soul chamado Gumbo Child.
Ginger: Eu tenho tocado em vários grupos - Dakah Hip Hop Orchestra, Ultra Kinetic Orchestra e Raul Pacheco’s Immaculate Conception, mas agora a Sun Soul Orchestra é meu foco principal!

Muito obrigado Ginger e Stevo! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Stevo: Muito obrigado por nos dares esta oportunidade para falar sobre o nosso projeto. Ginger e eu temos andado em extensas tournées pela Europa mas nunca tocamos em Portugal... Estamos ansiosos por uma oportunidade de visitar o teu país!

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