quarta-feira, 3 de junho de 2015

Entrevista: Odin's Court


Definitivamente os Odin’s Court encontraram a peça fundamental que lhes faltava – o vocalista Dimetrius LaFavors que se estreia neste quinto álbum, Turtles All The Way Down. Um álbum conceptual baseado na física, cosmologia e na busca da humanidade para compreender o nosso lugar no universo, como refere o carismático líder do coletivo americano, Matt Brookins, nesta entrevista onde aprofundamos ainda outros temas relacionados com este lançamento.

Olá Matt! Obrigado por este momento! Os Odin’s Court atingem o álbum número cinco. Na tua opinião, como descreverias este novo trabalho?
Saudações e obrigado por me entrevistares. Acho que é difícil descrever em termos simples este álbum, porque atualmente as pessoas têm nichos e definições específicas de géneros de música. Mas, para o tentar fazer, acho que é um caldeirão de estilos - principalmente hard rock, metal, prog e um pouco de AOR, com foco em melodia.

Este álbum marca a estreia de um novo vocalista, certo? Teve oportunidade de colaborar no processo de criação?
Sim, este foi o primeiro álbum completo, com todo o material novo para Dimetrius LaFavors. Acho que fez um excelente trabalho. Embora possa variar, normalmente, eu escrevo as canções e mostro ao resto da banda. Isso inclui letras e linhas vocais, além de toda a música. Para este álbum, forneci as demos a Dimetrius com letras e anotações para testar. Pedi-lhe para cantar o que lá estava, mas também para ver o que ele conseguiria fazer. Depois, em estúdio, assumi a posição de produtor e fui dando sugestões de coisas diferentes para ele tentar com base no que estava a ouvir. Portanto, ele deu uma mão nas principais melodias vocais, mas acho que a sua principal contribuição foi a interpretação vocal do material e seus temas.

Mas ele é, definitivamente, o elemento que faltava nos Odin’s Court?
Essa é a forma como eu o descrevo. Eu cantei durante 12-13 anos até o encontramos. Tínhamos fãs que desfrutavam do nosso som, mas, apesar disso, o maior obstáculo para algumas pessoas era que a minha voz não era "típica" para o género. No nosso estilo de música, as pessoas esperam vocais crescentes, limpos e poderosos. Eu sou um cantor mais do tipo Floyd (Waters e Gilmour) ou Thrash (Hetfield). Portanto, Dimetrius entrou e deu às pessoas algo mais do que eu poderia dar. Mas não é só: acho que a sua maturidade na interpretação é incrível. Consigo sentir a emoção na sua voz quando canta e eleva a um nível superior o que a canção está a dizer. Ele faz tudo isso com muita convicção!

Sendo que Turtles All The Way Down é um álbum conceptual, podes falar um pouco do conceito nele abordado?
Claro! Ele lida com a raça humana e as pessoas enquanto indivíduos, bem como as lutas que todos nós travamos nas nossas mentes. Ou seja, perguntas, perguntas, perguntas. Faz parte da nossa natureza perguntas coisas, para assim resolver um problema ou receber uma resposta e a partir daí geramos novas perguntas. Este ciclo pode continuar indefinidamente; é quase como uma criança que pergunta "por quê?", após cada resposta dada por um adulto. É aí que surge o título Infinite Regression ou Unmoved Mover. Basicamente diz que o mundo repousa sobre uma tartaruga que repousa sobre outra tartaruga e outra... infinitamente. É tartarugas sempre para baixo.

No fim de contas, quais são as respostas e as perguntas?
Essa é a verdadeira questão não é? Fazemos perguntas para obter respostas, mas se fazemos as perguntas erradas, recebemos respostas que podem não chegar à raiz de nossa curiosidade. Isso não é por qualquer falha nossa; é uma questão de perspetiva. Sempre achei que olhar para as coisas de outras perspetivas pode ser muito perspicaz, mas muitas vezes, podemos nem sequer compreender o outro ponto de vista. Portanto, fazer perguntas e procurar o conhecimento constrói as nossas próprias experiências e habilidades, mas isso nem sempre pode ser suficiente para encontrar a resposta - ou mesmo saber que perguntas devem realmente ser feitas. Assim, o caráter lúdico destes títulos de músicas é realmente um ponto fundamental que eu explorei através da música tentando induzir a iniciação da contemplação nas mentes dos ouvintes para que aproximem da vida.

Talvez por isso essas duas músicas tenham sido a base dos vídeos deste álbum...
Foram! Foi difícil limitar as músicas vocais para as quais queríamos fazer vídeos, mas estas duas pareceram ser a melhor combinação. Idealmente adoraria fazer um vídeo conceptual para o álbum inteiro, completo com atuação, animação e performances da banda - uma ópera rock, na realidade... mas dado que estamos nisto por amor, arte e música, está muito além do nosso alcance financeiro. Portanto, fizemos alguns vídeos engraçados com baixo orçamento e esperamos que as pessoas gostem.

Portanto, apesar de nos trazer à memória, nada relacionado com as célebres Tartarugas Ninja?
Eu gosto das Teenage Mutant Ninja Turtles. Eu ainda tenho livros de banda desenhada e brinquedos dos originais, por volta de final dos anos 80/início dos anos 90. Assisti ao filme em desenho animado e aos dois primeiros filmes de ação. Vanilla Ice matou aquilo na 2ª parte! Ha! Mas não, não há nenhuma ligação entre essa marca e nosso álbum. Não me passaram uma única vez pela cabeça em todo o processo de criação. O álbum é baseado em física, cosmologia e na busca da humanidade para compreender o nosso lugar no universo. Mas é uma teoria engraçada a tua de cruzar o território das TMNT.

E agora? Prontos para saírem em tournée ou têm alguns outros projetos?
Uma tour, certo. Adoraríamos fazer uma tournée completa e bombástica, mas novamente, o orçamento…. Normalmente fazemos curtas mini-tours na costa leste dos EUA... por agora. Espero chegar à Europa um dia! Esse é um dos nossos principais objetivos. Sinto que o gosto musical é muito mais diversificado aí. Os EUA têm a sua parcela de fãs de música rock underground, mas, em geral, aqui não existe um mercado. Apesar disso, acabamos de fazer uma pequena mini-tournée com os Enchant na costa leste. E já comecei a planear a nossa próxima fase de estúdio, portanto, acho que vamos voltar às gravações ainda antes de ir novamente para a estrada.

Muito obrigado, Matt. Foi um prazer fazer esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Igualmente, também foi um prazer! Claro, obrigado aos teus leitores e a todos que nos apoiaram comprando a nossa música, vendo os nossos vídeos e espalhando a palavra pelos seus amigos. De seguida, vamos revisitar o nosso álbum "clássico" Deathanity para fazer uma nova gravação, remistura e remasterização com as vocalizações a cargo de Dimetrius. E espero conseguir ter Turtles All the Way Down: Volume II cá para fora com as outras canções que ficaram fora deste álbum (uma vez que fizemos um único disco, em vez de um álbum duplo).

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