segunda-feira, 8 de junho de 2015

Entrevista: Reach


Para uma banda que apenas começou em 2012 já ter no seu currículo uma tour no Reino Unido, uma outra com Gus G, seguir-se, em breve outra com os Eclipse é sintomático. O guitarrista Ludvig Turner atingiu a final four da versão sueca dos Ídolos, mas o que realmente dá força a este quarteto é a excelência do seu álbum de estreia Reach Out To Rock. Contactamos David Jones, baixista do jovem quarteto para falar destes assuntos, do álbum e do que ainda virá.

Olá David! Obrigado por este momento! Podemos começar por apresentar os Reach aos rockers portugueses, pode ser? Como tudo começou?
Olá! Sim, é claro, por onde devo começar? Somos quatro elementos suecos, três de Estocolmo e o nosso vocalista Alex que é de uma pequena cidade a norte de Estocolmo. Gostamos de música, noites quentes de verão e, ocasionalmente, uma bebida ou duas. Os Reach nasceram quando o showman energético Marcus Johansson foi chamado para fazer alguns shows com o nosso virtuoso da guitarra Ludvig Turner na sua banda anterior chamada Critikal Solution. Desde a primeira batida no tambor que Ludvig soube que ele e Marcus estavam destinadas a escrever música juntos e começaram a falar sobre fazerem um projeto. Entraram em contacto com Thomas Widmark que tinha alguns contactos com um estúdio/editora aqui em Estocolmo e os três começaram com essa ideia de que talvez os Reach pudessem  ser uma banda que trabalhasse em conjunto com compositores, gravasse músicas e fizesse alguns cêntimos. Começaram por gravar algumas demos, mas ficaram presos porque não tinham vocalista, então começaram com audições. Tinham ouvido 10-15 nomes até que um certo Alex Waghorn entrou em estúdio. Naquele dia, Marcus e Ludvig ficaram até tarde no estúdio e repararam naquele rapaz de aspeto cool, com tatuagens junto da cabina de gravação a gritar os seus pulmões cá para fora e, nessa altura, disseram "sim, essa é o nosso vocalista!". Portanto, lá estavam os três amigos e agora só precisava do quarto. Eu conheço Marcus desde que tínhamos 11-12 anos e num final de tarde quente a meio do verão, estávamos todos reunidos para comer e beber quando ele me perguntou: "hey David, queres juntar-te à banda?" E respondi – “claro, diz-me apenas quando e onde! ". É esta a história do nascimento dos Reach (haha)!

Um primeiro álbum com grandes reviews, tours  com Gus G e Eclipse, uma tour no Reino Unido – está tudo a acontecer muito rápido ou não?
Bem, só vive uma vez! A toda velocidade e se tiveres um acidente há paramédicos e médicos certo? (Haha). Brincadeiras à parte, sim, aconteceu tudo um pouco rápido. Em comparação com outras bandas que estão juntas há 10 anos ou mais, olhando para os Reach e nós só tocamos juntos há 2 anos, pode dizer-se que fomos de 0 a 100 num curto espaço de tempo com este álbum. Mas, até agora, foi uma boa viagem e estamos animados para ver o que o futuro nos reserva.

Para quem não vos conhece, como descreverias a vossa música?
A maneira mais fácil de descrever Reach e a nossa música seria: hard rock melódico. Em bastantes críticas temos sido rotulados como uma banda de AOR. Sem ofensa para o AOR, mas acho que estamos um pouco mais dentro do hard rock do que do AOR. Há uma grande variedade de influências na música dos Reach, que cria um som hard rock jovem com bastantes influências dos anos dourados de 70 e 80.

E que influências são essas?
Como disse, todos nós gostamos de diferentes bandas. Mas é claro que há algumas em comum, como Gary Moore, Scorpions, Whitesnake, Pretty Maids, Ozzy Osbourne - sim, tu percebes, todos os heróis de antigamente. O som de Reach Out To Rock foi criado com muito das bandas e músicos mencionados anteriormente, em mente.

A respeito de Reach Out To Rock, a vossa estreia, durante quanto tempo trabalharam nessas músicas?
O trabalho começou, bem, acho que logo no início. Marcus e Ludvig juntaram-se e foram escrevendo algumas grandes músicas desde então. Algumas músicas do álbum estava prontas há já algum tempo e outras foram escritas imediatamente antes de entrarmos em estúdio.

E como decorreu o processo de gravação?
Vou contar-te: tivemos muita diversão! Mas não foi apenas uma caminhada em rosas. Logo na altura em que decidimos entrar em estúdio, o nosso querido Mr. Turner ficou apurado para as finais do Ídolos sueco. Tivemos que contornar isso, mas no final resultou muito bem. Tivemos muita sorte em trabalhar com todos aqueles que nos ajudaram a gravar Reach Out To Rock. O álbum foi gravado principalmente num estúdio em Upplands Väsby (cidade natal dos Europe e H. E. A. T.). Entramos em contacto com um bom produtor, amigo nosso, que é muito interessado em gravação de música e ficou muito animado com a ideia de gravar um álbum completo. Ele chamou um amigo que conheceu quando estudava produção musical e com a sua ajuda Reach Out To Rock nasceu. Muitas noites até tarde, chamadas de última hora e rearranjos foram feitos durante esse período. A criança que foi gerada no estúdio cresceu e transformou-se no rock n roller que é com a ajuda do mentor Pontus Norgren que misturou o álbum - Pontus é, acima de tudo, conhecido pelo trabalho com bandas como Hammerfall e The Poodles mas também como engenheiro de som profissional. Ele pegou nas nossas músicas e fê-las soar de forma surpreendente. O nosso manager foi responsável ​​por essa ligação e não consigo ver como Reach Out To Rock poderia ter soado sem a ajuda de Pontus.

Referiste que Ludvig Turner participou nos Ídolos suecos. Será que a banda ganhou mais exposição devido a isso?
Sim, é verdade! Mas foi, como disse, apenas Ludvig que participou. Sim, claro que tivemos mais exposição, mas nunca foi nada do género "Ludvig dos Reach está aqui connosco esta noite para cantar no Ídolos!". Mantivemos esses dois mundos separados - Ludvig cantou no Ídolos mas ele toca guitarra e faz alguns backing vocals nos Reach e nós gostamos assim. Mas não podemos negar que os quinze mil jovens de 12 anos que começaram a seguir Ludvig no Facebook e Instagram deram um impulso aos Reach. Haha!

É curioso, porque em Portugal, se não tiveres um estilo pop, não tens qualquer hipótese neste tipo de concursos…
A sério? Bem, na Suécia isso não é novidade, tu sabes. Aposto que todos conhecemos Erik Grönwall, certo? A Suécia estabeleceu-se recentemente como uma espécie de Meca do rock n roll e acho que não consigo contar pelos dedos quantas grandes bandas que estão aí e que são oriundas da Suécia. Portanto, sempre que um ícone de rock n roll aparece na grande comunicação social na Suécia eles obtêm uma grande resposta. Quero dizer, tu podes tentar negar mas todos nós sabemos que as mulheres adoram o misterioso rockeiro de cabelos compridos com uma guitarra. E Ludvig tornou isso bastante óbvio já que foi o único rapaz que chegou à final four.

Por que razão o vosso primeiro single, Black Lady não foi incluído no álbum?
Tínhamos assinado por outra editora quando gravamos Black Lady e foi essa a razão pela qual não a incluímos no álbum.

O artwork do disco é bastante simples. Não temem que possa passar despercebido no meio de toneladas de lançamentos diários?
Nunca tivemos quaisquer tipo de preocupações com isso. Fizemos o projeto com um bom amigo nosso, Morgan Hassel, com quem trabalhamos antes em algumas sessões de fotografia. Ele também nos ajudou com os vídeos de Black Lady e Wake Me Up. Queríamos um design "fresco" e porreiraço e que também fosse possível trabalhar em t-shirt e ele surgiu com essa ideia e todos nós pensamos "yeah! That rocks!". É triste dizer, mas atualmente os álbuns não têm o mesmo valor como tinham antes, tu sabes. Antes as capas dos álbuns eram artísticas e variadas porque as pessoas os colecionavam. Hoje tens de pensar de forma diferente, novas formas, onde tens que te adaptar à forma como a tua música surge em diferentes comunidades e sites como Facebook, iTunes e Spotify. Quando vês Reach Out To Rock, vês Reach Out To Rock, se é que me entendes.

E a partir de agora tocar muito, suponho. O que têm programado? Alguns festivais importantes?
Nada planeado para o verão, mas estamos sempre à procura de shows, embora nada esteja agendado até agora. Depois, no outono, teremos uma tournée com os Eclipse. Começa na Dinamarca em setembro e termina na Alemanha em outubro. Com essa tournée vamos chegar a muita gente, visitar muitos países e ver muitas cidades porreiras. Infelizmente, não vamos a Portugal, mas estamos a trabalhar nisso! Já fizemos o Reino Unido, agora vamos fazer a parte norte da Europa e em breve iremos mais para o sul.

Muito obrigado, David! Foi um prazer fazer esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa?
De todos nós - foi um prazer! Gostaríamos de agradecer a ti e aos teus leitores e para todos vocês que apoiam os Reach e gostam da nossa música - você são os melhores! Lembre-se de Reach Out To Rock agora!

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