quarta-feira, 17 de junho de 2015

Entrevista: Tape Junk

Os Tape Junk são uma banda rock, usando uma linguagem simples e, simultaneamente, intensa e com um vocabulário assimilado a partir de bandas como Pavement, Giant Sand, Stooges, Rolling Stones ou Velvet Underground. Para além disso, os Tape Junk são também, e essencialmente uma banda de palco, tendo atuado de norte a sul do país, após o lançamento do seu trabalho de estreia. O segundo disco homónimo dos Tape Junk é uma espécie de statement sobre a banda e, ao contrário do primeiro, resulta da interação direta entre todos os elementos do grupo. João Correia explicou-nos estas mudanças.

Olá João! Obrigado pela disponibilidade. Definitivamente estes Tape Junk de agora são mais uma verdadeira banda onde tu entras do que era o projeto de João Correia. Concordas?
Concordo sim. Há 3 anos era um projeto/experiência em que quis apenas registar umas canções e esperar para perceber o que ia acontecer. Felizmente o The Good & The Mean teve boa aceitação e quando começaram a surgir propostas para concertos juntámo-nos os 4. Foi aí que nasceu a banda.  Agora somos 4 e já demos muitos concertos e chegámos a uma sonoridade que derivou disso mesmo. A ideia de gravarmos o disco quase como se fosse um concerto serviu para intensificar a banda de 4 elementos ainda mais.

Sendo assim, de que forma é mais evidente a vossa evolução e as diferenças entre Tape Junk e The Good & The Mean?
Como disse antes, no primeiro disco ainda não havia banda. Estava sozinho embora a trabalhar com o António e ter tido as participações do Nuno e Frankie no disco. Só formámos a banda depois de o disco já ter saído. Portanto o The Good & The Mean é muito pessoal, as letras estão em primeiro plano e os arranjos e ambiente do disco são muito mais folk/country que no segundo. Este segundo reflete o nosso som ao vivo e as novas músicas que foram escritas enquanto andávamos a tocar o primeiro disco na estrada. É um disco muito despreocupado, as letras são pouco pessoais e tem uma energia de banda que o anterior nunca poderia ter.

Para quem ainda não vos conhece como descreverias a vossa sonoridade?
Somos uma banda de rock que toca canções e faz arranjos muito simples e diretos.

A gravação de Tape Junk decorreu no Alentejo e foi muito rápida. Três dias, não foi? Querem contar como foi essa experiência?
Foram mais de 3 dias. As gravações de banda live take foram esses 3 dias mas depois voltei a casa do Luís (Nunes aka Benjamim) para gravar as vozes e ele uns teclados. A experiência foi incrível, estivemos os 4 juntos nesses 3 dias em Alvito apenas focados em fazer música, sem quaisquer distrações. Passámos os dias a tocar e gravar canções para um gravador 8 pistas de fita. Era uma experiência que podia correr bem ou mal. Não sabíamos o que ia acontecer nem ao certo o que íamos acabar por gravar. Nem parecia que estávamos a gravar um disco e isso tornou tudo muito mais interessante.

É curioso que 4 temas nunca tinham sido tocados nem ao vivo nem em ensaios. Sendo assim e com tão poucos dias de estúdio, acabam por ser quase improvisações ou não?
Gravámos 4 músicas que eu já tinha escrito mas é verdade que nunca tinham sido tocadas antes. Acho que isso foi uma coisa muito boa neste disco. O facto de não teres as coisas planeadas e ires simplesmente tocando sem pensar no que vai acontecer. Eu gosto muito da primeira abordagem que se tem a uma canção e adoro quase sempre as gravações dos primeiros takes. Gosto quase sempre mais das músicas gravadas nas demos em casa do que as versões finais em estúdio.

Tudo isso contribuiu para um sentimento de espontaneidade. Era esse o vosso objetivo?
Sim, sem dúvida.

Six String And The Booze foi o tem escolhido para primeiro vídeo e mostra-nos uma forma contorcida do romance. Como surgiu a ideia para esse vídeo?
Eu tinha a ideia há já algum tempo de ter uma contorcionista num vídeo e falei disso ao Pedro Pinto (realizador). Ele pegou nessa base e fez um mockumentary. Achei genial, toda a equipa fez um trabalho incrível com os poucos meios que tínhamos.

E como surgiu aquela ideia de apresentar os créditos em italiano em Thumb Sucking Generation
Quando gravámos essa música ficámos a tocar em loop o groove final montes de tempo. Depois adicionámos percussões, vozes, solos e coisas que eu já nem me lembro... fomo-nos divertindo por cima da base que tínhamos feito. Pelas 3h da manhã estava com o Luís a ouvir a música e tive a ideia de ter os créditos do disco nessa secção final. Achámos que o Italiano era uma língua que ia dançar muito mais que o Português ou o Inglês. O Tiago de Sousa, que masterizou o disco, sugeriu a Valéria e não podia ter dado melhor sugestão.

E achas que neste caso os Tape Junk de disco estão mais próximos dos Tape Junk de palco?
Sim, este disco é quase um concerto no sótão do Luís!

E agora o que se segue? Já há datas agendadas?
Para já vamos estar no Festival Lá Fora em Évora, Festival Medem Loulé, Nos Alive e CCbeat em Lisboa.

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