segunda-feira, 15 de junho de 2015

Entrevista: Winterage


O metal sinfónico pode já ter conhecido melhores dias, mas ainda hoje surgem projetos extremamente interessantes neste âmbito. Da Itália (de onde haveria de ser!!) surgem os WinterAge com The Harmonic Passage, um disco verdadeiramente bombástico neste espectro e a prova de que ainda se faz metal sinfónico de elevada qualidade. Fomos conhecer os autores deste trabalho marcante neste ano de 2015 nesta conversa com o teclista Dario Gisotti.

Olá Dario! Em primeiro lugar, obrigado pelo teu tempo! Em segundo lugar, parabéns pelo álbum The Harmonic Passage. Agora, com todo o trabalho feito e o álbum cá fora sentem que alcançaram o que pretendiam?
Sim, sentimos!! O álbum soa melhor do que o esperado e estamos a ter ótimas respostas do mundo da música. De verdade, no início não sabíamos como ele iria soar e foi ótimo vê-lo crescer gradualmente. Acho que as nossas esperanças e expetativas foram totalmente cumpridas!

The Harmonic Passage traz-nos passagens majestosas e épicas. Podes contar-nos como decorreu todo o processo de trabalho?
As canções foram escritas por mim e pelo Gabriele, apesar de durante todo o processo a banda ter estado junta. Algum material foi deitado fora até acabarmos com um conjunto de boas canções para trabalhar. Os arranjos foram feitos em conjunto, enriquecemos os temas com os poderosos riffs do Riccardo, e, depois, Gabriele escreveu todas as partes orquestrais tornando a música realmente picante! E nessa altura, tivemos que encontrar todos os membros da nossa orquestra o que exigiu uma série de telefonemas, acredita!! Finalmente, encontramo-nos no estúdio de gravação onde todos fizeram o seu trabalho. Gravar a orquestra foi muito difícil e temos de agradecer ao nosso diretor Alessandro Sartini pelo grande trabalho que fez. Os nossos ouvidos estavam tão cansados que a mistura e masterização do álbum parecia ser uma "missão impossível"!! Graças ao nosso técnico Tommy Talamanca e à sua grande experiência tudo bateu certo no final.

Os Winterage nasceram em 2008, mas este é apenas o vosso primeiro longa duração depois de single e um EP. O que motivou essa ausência de mais gravações?
Quando a banda foi fundada éramos todos muito jovens e demorou bastante tempo para construirmos um som próprio e escrevermos material satisfatório. Além disso, não foi fácil encontrar as pessoas certas para trabalhar, isso demorou anos! Quando o line-up ficou finalmente pronto, começamos a trabalhar no material de The Harmonic Passage e percebemos logo que seria necessário muito mais do que pensávamos. Demorou mais um ano em relação ao previsto, mas isso foi uma coisa boa, porque realmente precisávamos de tempo para analisar todos os pormenores deste enorme trabalho.

A vossa música introduz fortes passagens sinfónicas no metal. Gravaram com uma orquestra e coros reais, não foi? Como foi essa experiência de trabalhar e gravar com eles?
A melhor experiência de sempre? O caos total? Ambos? Montamos uma orquestra com 40 alunos do conservatório, tivemos uma única sessão de ensaios e tocamos com todos eles no estúdio de gravação. A maioria deles nunca tinha gravado música rock ou algo parecido – devias ter visto os rostos deles quando a bateria e as guitarras explodiram pela primeira vez nos seus fones. Depois, gravar, gravar, gravar com um calendário mais rigoroso do que nunca, até ninguém sequer entender o que estávamos a fazer. Os pobres músicos de cordas a tocarem durante 10 horas seguidas, 15 pessoas numa sala de 4x4 metros. Depois de algumas horas sentia-se (e cheirava) como uma floresta tropical. Algumas passagens saíram tão bem que mal podíamos acreditar, outras passagens tivemos que tentar dezenas de vezes, até ao ponto de desespero. Não entendo como o produtor Alessandro conseguiu manter a calma e o ambiente, porque se não conseguisse teria ido tudo para o inferno! No final, agradecemos-lhe à maneira italiana, com 12 garrafas de bom vinho.

Com quantos músicos trabalharam?
Acho que com cerca de 40, contando a secção de cordas, a secção de metais, a secção de sopros, coros líricos, coros de power metal, cravo, harpa, guitarra clássica, tímpanos e vozes de crianças! Quero agradecer a todos, porque nunca vi tanta paixão e compromisso desinteressado em tantas pessoas. Cada um deles deu uma grande contribuição para o som final do álbum, com suas grandes capacidades pessoais e a sua grande vontade. Colaborar com tantas grandes pessoas foi uma honra.

E como será ao vivo?
(Risos) Difícil, acho eu? Agora estou a tentar fazer tudo o que posso com teclados e estamos a usar pistas de apoio para suprir o que ainda está em falta. O que eu mais gosto é que, para as faixas de apoio, usamos a secção orquestral do álbum, por isso, quando estou em palco consigo ouvir aquela nota de trompete ou o trinado do oboé e sinto um pouco como se aqueles amigos estivessem lá a tocar connosco. Claro que seria ótimo tocar com todos eles no palco. Infelizmente, de momento não é possível, mas para o futuro, quem sabe!!

Podes descrever a música que interpretam em The Harmonic Passage?
Posso...? Bem, editoras primeiro! Chamamos a nossa música de power metal sinfónico, isto porque a maioria do ritmo no álbum tem uma veia power metal, com riffs muito rápidos e vigorosos e bateria rápida. Nisso implantamos os nossos arranjos orquestrais, tentando fundir ambos os lados da melhor maneira possível. Depois, vêm todas as outras influências que o nosso álbum contém e que vêm com a experiência pessoal de cada um de nós. Algo da música sinfónica, algo de música barroca, algo de rock progressivo, algo de música tradicional. O resultado é o que vocês ouvem, podem julgar!

Como é que têm sido as reações deste álbum até agora?
Melhor do que esperávamos! Muitos fãs de todo o mundo estão a dar-nos um grande feedback e os críticos têm sido muito positivos em relação ao nosso trabalho. As vendas não nos estão a por ricos mas, obviamente, preocupamo-nos mais com a grande resposta que estamos a ter das pessoas simpáticas e apaixonadas pelo nosso trabalho, de vários países, dispostos a descrever o seu apreço e sentimentos. Isso significa muito para nós!

Após o lançamento do álbum tiveram algumas mudanças no line-up com a saída do baixista e do baterista. Quem é que os substituiu?
Primeiro, precisamos de agradecer aos nossos antigos músicos Matteo e Davide por todas as coisas que nos deram nos últimos anos: eles foram importantes para a nosso álbum e, também, nossos grandes amigos. Como se sentiram na necessidade de mudar algo na sua visão da música e da vida, tivemos a sorte de encontrar outros dois grandes músicos, e outros dois grandes amigos, Fausto Ciapica (baixista) e Luca Ghiglione (baterista). Estamo-nos a dar muito bem com eles. Em poucos meses eles aprenderam o reportório muito bem: o som da banda está mais forte que nunca.


O vosso violinista, Gabriele Boschi junta-se ao Vivaldi Metal Project. Podes explicar-nos em que consiste este projecto?
O Vivaldi Metal Project é um encontro de músicos de rock e metal de todo o mundo, dispostos a revisitar a grande obra de Vivaldi numa forma de metal. O projeto foi criado pelos músicos italianos Mistheria e Alberto Rigoni e conta com grandes nomes da música internacional, como Rick Wakeman (Yes), Mike LePond (Symphony X) e Mark Boals (Yngwie Malmsteen). Gabriele foi selecionado como violinista para o projeto, devido à sua grande habilidade em executar música clássica e à sua experiência nos Winterage. Estamos muito orgulhosos dele e estamos ansiosos para ouvir alguma coisa deste grande projeto!

O vosso nome surge de um curioso jogo com as palavras Winter, Age e Rage. Podes explicar-nos o seu significado?
Decidimos não destacar nem a letra R, nem o A, para deixar os fãs decidirem o significado que melhor lhes convier! O inverno pode ser uma época de grande beleza, rico em emoções, paisagens e sensações, mas também pode ser rígido e violento de alguma forma, o que pode descrever muito bem a dualidade no som da banda. Se Winterage soar familiar para alguns de vocês, basta levarem em consideração que somos grandes fãs dos nossos concidadãos Rhapsody of Fire!

Nos vossos primórdios eram uma banda instrumental, não eram? Quando e por que sentiram necessidade de incluir vocais?
O nosso primeiro EP funcionou bem para testar as nossas capacidades a compor e tocar música e, de forma grosseira, definiu as influências e sons que apresentamos nos nossos trabalhos subsequentes. Quando foi feito e o ouvimos, percebemos que a música podia ser mais forte e significativa usada como veículo de palavras e voz humana. A grande beleza e poder catártico do belcanto e da ópera, que são fortes caraterísticas da nossa cultura musical italiana, pode dar ao metal o toque de energia e comunicação que é necessário, para levar a cabo todo o significado da música. Foi talvez por isso que passamos de nenhum cantor para dez cantores (risos).

Muito obrigado, Dario. Foi um prazer fazer esta entrevista. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado por este espaço e pela tua atenção! Uma mensagem para todos os nossos fãs e leitores: o nosso álbum The Harmonic Passage está disponível em todas as maiores lojas online e físicas e podem encontrá-lo gratuitamente no Spotify! Não tenham medo de nos dizerem o que pensam sobre ele! Stay Winter!

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