quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Entrevista: Hogjaw


Daqui a uns dias os Hogjaw regressam pela quarta vez à Europa e trazem na bagagem o seu novo álbum, Rise To The Mountains, mais heavy que os anteriores, e um novo guitarrista. São sete anos de carreira, cinco álbuns e muitos milhares de quilómetros percorridos que fazem da banda do Arizona um dos expoentes máximos do rock sulista atual. JB Jones (guitarra e vocais), Elvis D (baixo) e Kwall (bateria e vocais) falam-nos do novo álbum e do que mudou nos últimos anos.

Olá, pessoal! Mais uma vez obrigado pela vossa disponibilidade. Rise To The Mountains está cá fora - como se sentem?
Kwall: Digo-vos que nos sentimos muito, muito bem agora!!! Tem sido uma viagem emocionante, no mínimo, com este novo álbum. Muito positiva!
JB: Fico feliz por ter um novo disco no mundo, está tudo bem e é bom ouvir pessoas que gostam dele.
Elvis: Acho que este é o melhor álbum que escrevemos. Estamos muito orgulhosos dele.

Desta vez, e atendendo ao que afirmaram, este álbum tem uma vibe musical e lírico conceptual. Quer dizer o que?
Kwall: Quando escrevemos o álbum gastamos muitas horas a discutir o conteúdo lírico e todas as opiniões colidiram no que se iria falar. Rimo-nos e dissemos que isso poderia ser um álbum conceptual se realmente antecipássemos todos os cenários em retrospetiva. Portanto, é um semiconceptual!!
JB: À medida que as canções ficavam prontas sentimos que tinham uma base em comum. Se olhares para as músicas poderá verificar que eles se entrelaçam com a vida que todos nós vivemos, os bons tempos, os maus, a procura de respostas.
Elvis: Há uma temática sobre a vida e sobre vive-la, vocês irão perceber isso nas letras. Como subir uma montanha

Podemos, por isso, pensar que mudaram alguma coisa no vosso método de trabalho?
Kwall: Para além do facto de que temos um guitarrista novo no grupo (Jimmy), atacamos este álbum praticamente da mesma forma que fizemos nos quatro anteriores. Eles saem como foram escritos e nada é premeditado.
JB: Na maioria das vezes, escrevemos no momento e isso não mudou. Podemos ter começado a analisar um pouco mais o aspeto lírico, mas com a entrada de Jimmy e com o seu trabalho isso pode ter criado outra vibe no registo.
Elvis: É muito divertido fazer música com o Jimmy. Tem sempre ideias excelentes.

Com um fundo de catálogo que inclui quatro grandes álbuns, ainda é fácil para vocês criar o efeito de sensação ou o efeito surpresa?
Kwall: Primeiro, agradeço as tuas palavras simpáticas. Mais uma vez, nós fazemos a nossa própria festa quando estamos em jams ou no processo de criação (lembras-te de uma banda de garagem? Os mesmos ideais.) Não nos preocupamos em escrever, simplesmente deixamos que isso aconteça… mesmo depois de cinco álbuns.
JB: Há sempre o elemento de surpresa, especialmente quando encontramos um novo riff e que resulta de um esforço conjunto da banda. Essa é a minha parte favorita de música.

No entanto, desta vez apresentam algumas canções que se aproximam do som Metallica. Sei que vocês costumam citar os Metallica como uma das vossas influências, mas desta vez elas são um pouco mais notórias. Concordam?
Kwall: Eu não discordo da tua pergunta, no entanto, se voltares ao tempo dos outros discos ouvirás muitos riffs que eclipsam o som dos Metallica. Quero dizer, nós crescemos a bater com a cabeça em algumas das maiores bandas de metal... essas influências vão borbulhar no caldeirão do processo de escrita. Não se pode negar o passado!!!
JB: O lado heavy metal geralmente entra em ação algumas vezes nos discos, mas desta vez, foi um pouco mais e experimentamos mais. Parece que não conseguimos ficar longe dele.
Elvis: Simplesmente tocamos coisas que gostamos de ouvir.

Falando de algumas canções, como surge Grey Skies? É a vossa primeira experiência em formato unplugged? Como têm reagido os fãs a este formato despido de música sem riffs e outros elementos mais pesados?
Kwall: Eu quero dizer, por que não, não é!! Novamente, é uma forma de expressão da nossa banda. JB tinha esta peça armazenada no banco da memória há uns anos... era tempo para ele brilhar. Temos recebido muitos elogios com essa canção.
JB: O pessoal queria fazer uma canção acústica e começamos a brincar com um velho tema que eu tinha feito há uns anos atrás. Rapidamente se tornou em muito mais do que eu podia imaginar, e aí está ele…. Algo diferente é sempre bem-vindo e faz crescer.
Elvis: Eu penso que queríamos mostrar que somos mais do que apenas músicos que tocam riffs altos, poder mostrar um lado diferente do que podemos fazer musicalmente.

Em Rise To The Mountains estreiam um novo guitarrista. Como foi a sua integração com a banda e com as músicas antigas?
Kwall: EXCELENTE!! Imagina como é entrar num projeto com 40 músicas gravadas... Jimmy entrou e encaixou que nem uma luva quer no aspeto musical quer de personalidade. Ele já era amigo do grupo e nós sabíamos que ele era o nosso homem, mesmo que ele ainda não soubesse - LOL. A principal tarefa era como iríamos tocar juntos, a coisa mais importante para o nosso futuro...
JB: Como Kwall diz, Jimmy entrou e foi quase perfeito em todos os sentidos. Eu acho que ele se está a divertir tanto quanto nós por o termos aqui.
Elvis: Jimmy entrou e foi um enorme pontapé. Estamos muito motivados para sair e mostrar as nossas novas músicas.

Teve oportunidade de colaborar no processo de escrita?
Kwall: Sim, a cada passo do caminho. Acho que a primeira música que escrevemos para o novo registro foi Fire, Fuel & Air. Ele trouxe o riff para os ensaios e fomos por ele.
JB: Jimmy trabalha arduamente e mostra isso neste disco. Envolveu-se em todos os aspetos da escrita.
Elvis: Jimmy é muito produtivo, tem sempre um riff ou uma melodia prontas.

Kreg Self teve de abandonar devido a problemas de saúde, certo? Está tudo bem com ele agora?
Kwall: Kreg decidiu que a vida de rock ‘n’ roll já não era para ele. Quando voltamos da nossa tour de 2013, ele teve que enfrentar problemas de saúde. Uma vez que nos apercebemos da realidade da situação tivemos que seguir em frente com a sua bênção. Inserimos Jimmy!
JB: Kreg está melhor mas tem que ir com calma agora. Ele envia saudações, tenho a certeza.

Daqui a pouco, de regresso à Europa. A vossa quarta tour por cá! O retorno do filho pródigo! Sentem-se em casa aqui, não é verdade?
Kwall: Ohhh, sim, claro!!! Vocês são muito semelhantes à maneira como vivemos a nossa boa e velha vida no Arizona... Estamos sempre honrados por poder visitar e compartilhar a nossa música com todos!!!
JB: Tornou-se a nossa segunda casa, as pessoas são tão favoráveis com o que fazemos e estamos gratos por isso.

O que estão a preparar para essa visita?
Kwall: O inesperado será sempre esperado. Nós escrevemos set lists em guardanapos e em tudo o que esteja perto de JB na hora e local do espetáculo. Diria que irão ouvir muitas músicas do álbum novo com bastantes clássicos (desde 2007) – risos!
JB: Não vamos estragar o Natal – todas as noites iremos desembrulhar o que vamos apresentar!!!

Muito obrigado. Tudo de bom para vocês! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Kwall: Igualmente e estamos ansiosos para rockar para toda a gente… vemo-nos nos espetáculos!
JB: Vamo-nos preparar para derramar alguns uísques e passar um bom período, estamos à espera!

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