sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Entrevista: Lucifer's Friend


Com John Lawton já falamos a propósito da sua colaboração com Milen Vrabevski no Intelligent Music Project. Desta vez voltamos a falar com o cantor inglês mas a temática principal foi a reunião da sua banda inicial, os Lucifer’s Friend. Um duplo disco com 10 temas clássicos e 4 canções novas a mostrar que estes amigos de lucifer estão em boa forma. Pelo meio, aproveitamos para falar dos Huriah Heep e, de fugida, do novo disco de IMP, onde ficamos a saber que, desta feita, Lawton não entra.

Olá John! Mais uma vez obrigado pela tua disponibilidade. Como estás a viver este regresso ao ativo com os Lucifer’s Friend?
Olá a todos! Muito prazer… bem, eu estive sempre ativo mesmo quando isso não era visível na imprensa.

O que motivou esta reunião e por que razão isso não pode acontecer antes?
Isso foi frequentemente discutido, mas sempre dissemos, que iríamos ficar com as boas lembranças. Mas sabemos que algumas bandas americanas têm feito versões das primeiras canções dos Lucifer’s Friend para vídeos de skate e coisa assim. Por isso sentimos que estava na hora de sairmos e mostramos aos nossos fãs que ainda estamos vivos e capazes de fazer música...

Portanto, durantes estes anos mantiveram o contacto e já se falava desta reunião?
Como mencionei anteriormente, conversamos muitas vezes sobre isso, mas só quando tivemos uma oferta para ir tocar à América é que o assunto se tornou mais sério. Nesse entretanto, tivemos uma oferta para tocar no Sweden Rock Festival e acho que foi isso que fez com que tudo acontecesse. Embora tenhamos sempre continuado amigos e com contactos fortes dentro da banda, tem sido muito bom desde que tocamos juntos, muito divertido...

E como foi o ambiente com este regresso após todos estes anos mas também sem a presença do vosso baterista Addi?
Addi morreu há alguns anos atrás e depois tivemos 2 ou 3 bateristas diferentes. Mas sim, teria sido bom ter Addi conosco. O resto da malta, incluindo eu, estamos um pouco mais velhos, mas a capacidade musical ainda está lá...

Embora por razões diferentes, Peter Hecht também não está aqui... O que aconteceu?
Peter Hecht tem uma vida tranquila em Gotemburgo e não quer voltar a viver o stress de voltar à estrada. Respeitamos a sua vontade e, embora sintamos a sua falta como membro original, temos um bom substituto que é Jogi Wichman que gravou o álbum Sumo Grip.

Já te referiste a isto, mas o que sente uma banda quando vê jovens bandas fazer versões de algumas das suas músicas antigas?
Em muitos aspetos, suponho que é um sentimento bom saber que outros músicos gostam da nossa música. Há muitas boas versões de canções dos LF e é uma agradável homenagem à nossa música... especialmente quando feitas por malta jovem!

Este novo álbum traz 10 músicas antigas – é uma espécie de apresentação para as novas gerações de fãs de rock?
Esperávamos que, com esta compilação e 4 novas faixas, fossemos capazes de trazer para a nossa música não só os fãs antigos, mas também a geração mais jovem. Eu converso com muitos jovens fãs de música rock que me dizem que cresceram com a nossa música através dos seus pais.

Vocês hesitaram em chamar este álbum de Best Of – e no fim não o chamaram. Por quê?
Eu não sei se este é o "best of" porque toda a gente tem as suas próprias opiniões. Nós escolhemos as dez músicas do CD1 por causa da quantidade de acessos no You Tube que essas faixas específicas tinham. Se tivéssemos incluído cada faixa que os fãs têm como favorita teríamos 3 ou 4 horas de música com valor.

Bem como 4 novas músicas. São mesmo novas ou algumas que ficaram das velhas sessões de gravação?
Estas 4 faixas novas foram gravadas no final de 2014 e início de 2015. Peter Hesslein e Dieter Horns enviaram-me algumas demos para ouvir e entre nós decidimo-nos por Pray, Riding High, Did You Ever e This Road. Peter e Dieter gravaram as suas partes em Hamburgo e eu gravei os vocais em Londres.

Olhando para trás, em 1976 saltaste dos Lucifer’s Friend para os Huriah Heep. Foi uma opção difícil de tomar naquela época?
Nunca é fácil deixar uma banda e ir para outra, mas o pessoal dos Lucifer’s friend andavam ocupados com a James Last Orchestra portanto os LF realmente não eram uma banda ao vivo e não estávamos constantemente juntos. Recebi o telefonema dos Uriah Heep sobre a substituição de David Byron, falei com LF sobre isso, eles aceitaram bem a ideia e entenderam a situação. Continuamos bons amigos e história prova que, alguns anos mais tarde, voltei para a banda.

Alguns anos depois, os LF separaram-se. Nessa altura não estavas na banda, mas o que sentiste quando tiveste conhecimento da notícia?
Antes de mais tenho que dizer que os LF realmente nunca se separaram do género “Ok malta é isso, já estamos muito velhos". Tiveram o Mike Starrs a cantar com eles e fez um excelente trabalho e depois disso fizemos outro álbum juntos, o Mean Machine. Depois Dieter Horns e Peter Hecht decidiram fazer outras coisas, e Peter Hesslein e eu decidimos gravar o Sumo Grip como Lucifer’s Friend 2, mas já não era a mesma coisa... Mas ainda estamos aqui!

Bem, de regresso ao presente, que outros projetos tens em mente para além desta reunião?
Neste momento estou concentrado em terminar o concerto ao vivo no Sweden Rock para o lançar no final deste ano. Nos últimos meses tenho estado muito ocupado quer com o trabalho de caridade que faço na Bulgária quer com concertos. Estive em tournée na Rússia com Dan Macafferty, Graham Bonnett e a Orquestra Sinfónica o que foi divertido. Realmente gostei e temos mais alguns para fazer no final deste ano. Como vês, muito ocupado…

Intelligent Music Project está a trabalhar num novo álbum – estás, de novo, a trabalhar com Milen Vrabevski?
Não, não neste. Milen tem outra vez Joseph Williams e outro vocalista e alguns bons músicos que trabalham com ele pelo que deve, mais uma vez, ser um bom álbum. Milen e eu somos bons amigos e recentemente fiz alguns trabalhos para os LF no seu estúdio Intelligent Music em Sofia e sei que ele gosta de manter as coisas "frescas" por isso desejo-lhe que tudo corra bem...

Mais uma vez, muito obrigado, John! Desejamos-te tudo de bom. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigada pelas perguntas e quero agradecer a todos vocês por apoiarem a boa música da forma que o fazem e se conseguíssemos levar os Lucifer’s Friend a Portugal seria ótimo. Uma saudação a todos os ouvintes da Via Nocturna, fiquem bem e atentos…

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