quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Entrevista: Parallel Minds


Da colaboração do vocalista Stéphane Fradet (ex-Falkirk) e do seu primo Grégory Giraudo (Coexistence) nasceram os Parallel Minds que após dois anos de trabalho afincado e muita dedicação assinam o disco Headlong Disaster. O extraordinário baterista dos Dagoba Franky Constanza ajudou a engradecer a sonoridade de um disco de metal cheio de variedade, riqueza e poder. O vocalista Stéphane Fradet apresentou-nos este novo projeto gaulês, falou da boa receção que o álbum está a ter e levantou o véu do que está para vir.

Olá Stéphane! Obrigado pela tua a sua disponibilidade. De que forma estas mentes paralelas trabalharam em conjunto para criar uma música tão forte e bonita?
Olá Pedro! Em primeiro lugar, obrigado pelo elogio! Mas tu sabes, não há nenhum truque de mágica nem nada disso. Apenas compomos na nossa forma de sentir e tentamos fazer músicas que gostaríamos de ouvir. Somos influenciados especialmente por muitas bandas de metal, mas não só. Por isso, talvez esse lado "bonito" de que falas venha de artistas como Toto, Pink Floyd, Adele ou música clássica entre outros. E, obviamente, a parte "forte" vem dessas bandas com quem crescemos como Megadeth, Savatage, Symphony X, Iron Maiden e uma centena de outras!

Contrariamente à matemática, estes paralelos vão reunir-se num ponto não muito distante da criação musical. Como descreverias esse encontro?
O encontro foi óbvio porque Greg, o outro compositor principal é meu primo, e conheço-o desde o seu nascimento. Ele passou para o lado escuro quando tinha cerca de 12 anos e foi por minha culpa. Passava a vida a ouvir metal e ele acabou por gostar. Por outro lado, ele é a vertente mais prog da banda. Ele é uma pessoa muito fixe e calma e eu sou como a parte "selvagem" do duo. Ainda estou numa idade escolar thrash, mais do que ele, mas cada um de nós tem todas essas influências numa escala diferente. No fim, eis os resultados da música nesta mistura estranha de agressão e melodia. Também é uma mistura bastante escura e melancólica. Metal feliz é proibido connosco. Podemos dizer que somos como duas linhas paralelas muito chegadas.

Headlong Disaster é o vosso primeiro lançamento. Como foi o processo de criação?
Parei de cantar em 2008 porque estava cansado depois de quase 10 anos. Era muito trabalho e dedicação pelo que precisava de uma pausa. Ao mesmo tempo, Greg começou a sua própria banda Coexistence e escreveu uma canção que sinceramente não se encaixava na filosofia da banda. Enviou-ma através da internet e eu realmente gostei, escrevi algumas letras e gravamos em duas ou três horas. De qualquer forma, no início apenas tínhamos uma música mas depois as ideias continuaram a surgir e nós continuamos a compartilhá-las. Eventualmente tínhamos já criado 3 ou 4 canções e simplesmente achamos que não poderíamos parar por aí, portanto decidimos ir em frente e fazer um álbum completo, pois foi muito bom termos trabalhado juntos pela primeira vez. É na verdade um trabalho de equipa: se ele compõe uma canção, eu trato das melodias e letras e às vezes peço-lhe para alterar algumas partes. Se eu sou o principal compositor, envio-lhe uma estrutura em cru com todas as melodias e ritmos e deixo-o escrever killer riffs. No final, muitas vezes juntos mudamos algumas pequenas coisas antes da música estar finalizada. No entanto, uma vez que eramos apenas os dois, precisávamos de um baterista. Encontramos o Franky Costanza. Conhecíamos o seu trabalho nos Dagoba e já sabíamos que é um baterista incrível. Perguntamos-lhe se ele gostaria de tocar bateria connosco e como ele gostou das músicas, aqui está ele!

Ainda são membros de outras bandas? Este novo projeto não vai afetar o vosso trabalho lá?
Bem, eu já não estou, mesmo levando em linha de conta que um novo disco dos Falkirk deva ser lançado ainda este ano. Greg é o líder dos Coexistence e ainda tem uma terceira banda! Esse gajo nunca dorme. Por último, mas não menos importante, Franky faz mais de 100 espetáculos por ano numa das bandas mais bem sucedidas do metal francês: Dagoba. E tem muitos outros projetos paralelos.

Todavia, Parallel Minds é a vossa prioridade agora?
Minha sim, Greg não tem qualquer prioridade, ele tem sempre tempo para tudo. O trabalho dele é ensinar música, por isso tem tempo suficiente para todas as bandas. A posição de Franky é mais complicada – como ele faz muitas tournées por todo o mundo com os Dagoba, não sei se irá continuar connosco…

Como descreverias musicalmente o álbum Headlong Disaster?
Essa é sempre uma questão bastante delicada! Desde que o álbum saiu que temos lido um pouco de tudo sobre a nossa música. Para nós, é apenas heavy metal. Como somos influenciados, basicamente a partir de qualquer género de FM até ao death metal, é muito difícil dizer. Acho que estamos muito perto de bandas como Nevermore, Symphony X ou Iced Earth. Bandas poderosas com um lado thrashy, com estruturas ou arranjos, por vezes complexos mas com melodias cativantes e solos, ao mesmo tempo. Portanto, acho que poderia dizer que somos uma banda de heavy prog/thrash/metal, acho eu!

E quanto ao futuro? Este não é um projeto de um único álbum pois não?
Claro que não! Já temos cinco ou seis músicas em formato demo e toneladas de ideias para explorar. Ainda temos algum material inédito a ser publicado no youtube e Bandcamp até o final de 2015, pelo menos. Material acústico, novas músicas, versões, etc… E depois disso vamos tentar o nosso melhor para gravar o segundo álbum o mais rápido possível.

Muito obrigado, Stéphane! Mais uma vez obrigado. Queres acrescentar algo mais?
Obrigado pelo teu tempo e interesse e agradeço aos teus leitores. Por favor, fiquem de olho em nós, porque é muito difícil para uma banda nova crescer agora. Cada ano surgem tantas bandas novas… Realmente penso que nós podemos fazer a diferença: Headlong Disaster tem tido reviews surpreendentes como a vossa, dando ao álbum 8 ou 9 em 10 na maioria das vezes, portanto, dêem-lhe uma oportunidade!

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