sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Entrevista: Stormzone


Dr. Dealer e a sua bela e mortal assistente, Bathsheba estão de regresso em mais um álbum dos Stormzone, Seven Sins. 12 temas de metal clássico, naquele que pode ser considerado o melhor álbum da carreira dos Irlandeses. Um simpatiquíssimo Steve Moore, guitarrista, falou de forma entusiasta sobre este disco e as mais recentes alterações no seio do colectivo.

Olá Steve! Em primeiro lugar parabéns pelo vosso excelente álbum novo e obrigado pela tua disponibilidade.
Muito obrigado pela impressionante review que fizeste ao nosso álbum. Estamos absolutamente encantados com ela. As palavras "Uma bela surpresa!" foram colocadas agora no nosso site!

Grandes momentos para os Stormzone, este ano, com o lançamento de um grande álbum – Seven Sins. Suponho que estejam felizes. Achas que este é o vosso melhor álbum até agora?
Cada vez que lanças um álbum, tens a tendência de pensar que esse é o teu maior trabalho até à data, porque captura onde tu estás naquele momento. Durante a composição e gravação do álbum estivemos envolvidos em alguns festivais fantásticos, como o Sonisphere e Bloodstock, e tivemos a oportunidade de mais de uma vez tocar com os Saxon em vários espetáculos. Por isso, estávamos exatamente onde queríamos estar, em termos de carreira e estivemos todos juntos para tornar o processo de escrita um verdadeiro prazer. Podíamos sentir-nos a ganhar impulso e estávamos bastante seguros (bem, tão seguros quanto qualquer artista pode estar!) que o que estávamos a produzir era algo especial. Felizmente os comentários têm sido extremamente positivos até o momento - não estávamos apenas a iludir-nos (risos).

Mudaram alguma coisa no vosso processo de trabalho e/ou gravação para este novo álbum?
Na verdade, não. O processo de composição e gravação manteve-se mais ou menos o mesmo desde Zero To Rage. Normalmente eu ou Graham trazemos um riff ou dois (nunca uma música inteira) e dedicamos uma noite para ver onde essa ideia pode ir. Acho que quando tens uma ideia, mesmo que seja apenas um único riff, todo o resto da música está enterrada lá dentro e só tem que ser desenterrada - às vezes é fácil e as partes surgem naturalmente à superfície, outras vezes tens que cavar um pouco mais. Mas, geralmente, conseguimos mais ou menos terminar uma pista inteira numa noite. Davy trará algumas ideias para os arranjos, bem como configura as partes de bateria - mudanças para intervalo ou aumentar partes com tom-padrões que podem fazer uma diferença enorme para a globalidade da pista. Gravamos em Pro Tools no meu estúdio em casa à medida que escrevemos e quando temos uma versão básica enviamos tudo para o Harv, que, de momento, vive em Espanha. Nunca vais encontrar ninguém com um ritmo de trabalho mais impressionante do que o Harv - se lhe enviarmos uma nova pista à meia-noite, ele vai escrever, gravar os vocais e ter a música concluída e enviada de volta para nós, antes de acordar no dia seguinte. Tudo: uma história completa, múltiplas harmonias! Claro, o trabalho não para por aí. A música vai evoluir à medida que a tocamos, outras ideias vão ser adicionadas e aprofundadas à medida que avançamos. Por isso, quando chega o momento de gravar, temos quase tudo no lugar e é apenas uma questão de regravar as peças existentes com os sons finais e ter a certeza que temos o melhor take gravado.

Quando John começou este projeto como um projeto de estúdio em 2001, alguma vez pensaram que os Stormzone poderiam crescer tanto?
É difícil dizer agora qual era a intenção - originalmente um projeto de estúdio, mas deve ter havido esperança de que ele iria evoluir para mais do que apenas isso. Poucas pessoas criam arte 100% para o próprio prazer. Quero dizer, quando os meus filhos pintam um quadro, mal podem esperar para mo mostrar, porque parte do prazer é ver a reação das outras pessoas para algo que criaste, ver como isso os toca. E é o mesmo quando nós criamos uma música. Queremos que as pessoas a ouçam e queremos ver o olhar nas suas caras enquanto a ouvem. E a melhor maneira de fazer isso é chegar lá e tocar ao vivo com eles!

Mas este crescimento assusta-vos ou não? Isto é, abrir para os Saxon não é para qualquer um…
Já abrimos para os Saxon em diversas ocasiões e realmente temos construído algum relacionamento com eles. Portanto, não é de todo assustador para nós, mas estamos totalmente honrados por essa oportunidade, isso é certo. Cada vez que nos foi dada uma oportunidade, seja ela em tournée com George Lynch ou Stryper, ou a tocar no Wacken Open Air ou Sonisphere, nós vemos isso como uma oportunidade para levar a banda para o próximo nível. Estamos muito orgulhosos do que temos conseguido até aqui - espero que haja muito mais para vir!

Como descreves Seven Sins a respeito da sua sonoridade?
Numa primeira análise, o álbum é talvez um pouco mais obscuro que os álbuns anteriores, principalmente devido ao assunto da história. Mas se um ouvinte despender algum tempo para realmente se embrenhar nas letras, poderão ver que é uma história de salvação, salvamento e esperança e é mais edificante do que à primeira vista. No YouTube, podem verificar a série Story Behind The Songs que nós produzimos no período de preparação para o lançamento do álbum - que dá, tema a tema, uma ideia da história por trás de cada música e é absolutamente fascinante de ouvir. Vale a pena conferires, quanto mais não seja para veres como Harv é um extraordinário contador de histórias!

Quem é o Dr. Dealer? Já agora, podes fazer-nos um pequeno resumo dessa história?
Dr. Dealer é um personagem que tem tido destaque em algumas músicas de cada álbum desde o álbum Death Dealer em 2010. Nesta encarnação do álbum Seven Sins está disfarçado de vendedor de óleo de cobra como uma capa para o seu real propósito que é o de resgatar crianças que necessitam de ajuda por uma razão ou outra. Ele faz isso com a ajuda dos seus batedores, liderados pela bela, mas mortal, Bathsheba. Também tem algumas linhas laterais, tais como deixar as pessoas terem as suas hipóteses com a sua Special Brew - as recompensas podem ser enormes se ganhares, mas vai ser totalmente desastroso se perderes. E como todos sabem, o Dealer ganha sempre!

Vocês sempre tiveram dois guitarristas, mas o press release só faz referência a ti como único guitarrista. Na verdade, quem está atualmente convosco como segundo guitarrista?
Nós gravamos o álbum como quarteto, pelo que toquei todas as partes de guitarra desta vez. A intenção era encontrar um novo guitarrista logo após a gravação do álbum para ajudar com o trabalho ao vivo. Na realidade acabamos por encontrar dois - Junior Afrifa, um jovem prodígio da guitarra, e Steve Doherty, que tocou anteriormente com a banda no álbum Death Dealer. Acabamos de fazer o nosso espetáculo de lançamento do álbum em Belfast como sexteto e estamos esperançados que esta formação com três guitarras irá adicionar muita flexibilidade e capacidade de reproduzir melhor o nível de produção a que estão acostumados a ouvir nos álbuns. Além disso, se é suficientemente bom para os Iron Maiden e Lynyrd Skynyrd, também é suficientemente bom para nós (risos).

Este é um lançamento da Metal Nation Records, o selo de Jess Cox dos Tygers Of Pan Tang. É já o vosso segundo álbum com eles, certo? Como se deu essa ligação?
De alguma maneira temos estado sempre associados com a Metal Nation Records, desde o álbum Death Dealer. Jess era um velho amigo de Davy, por isso, quando a banda andava à procura de uma editora para lançar esse álbum, foi o lugar óbvio para ir. Ter a editora certa pode fazer ou quebrar uma banda e o nível de apoio e camaradagem que temos experimentado é inigualável.

Novo álbum... nova tournée. O que têm previsto?
Estamos a marcar algumas datas no Reino Unido e no continente europeu lá mais para o final do ano, bem como bastantes festivais no próximo ano. Esperamos ter um ou dois vídeos promocionais do álbum em todos os canais usuais que prometem ser um pouco diferente de tudo o que fizemos até agora. Definitivamente vai valer a pena ver! E, claro, iremos começar a escrever o próximo álbum. Não que tenhamos parado de escrever após termos terminado o último. É um processo sem fim e estamos sempre com novas ideias e a fazer pequenas gravações com os nossos telefones. Vamos torcer para que não os percamos como aconteceu com Kirk Hammett – seria um pesadelo!

Obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado pelo teu apoio constante e espero que possamos ver-te em Portugal no próximo ano. Nós nunca tocamos aí, mas seguramente adoraríamos, já que sabemos que é um dos países com mais metal em toda a Europa e até do mundo!!!

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