sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entrevista: Cats In Space


Greg Hart, conhecido pelo seu trabalho nos Moritz, juntou alguns nomes históricos do rock para expressar a sua paixão pela música dos anos 70. Assim os Cats In Space revelam-se como uma surpreendente coleção de temas. Quisemos saber mais sobre este novo nome do rock britânico e fomos conversar com um otimista Greg Hart.

Viva Greg! Obrigada pelo teu tempo! Como e quando a ideia de formar esta banda surgiu?
Basicamente o meu próprio estilo de escrita dos anos 70 que forcei a ser mais proeminente no álbum SOS dos Moritz, provou ser um passo demasiado longo mesmo para os Moritz poderem continuar ainda mais! Assim, infelizmente estava perante a difícil decisão de seguir o que o meu coração dizia e iniciar uma 'coisa' que se viria a tornar nos Cats In Space ou deixar a banda.

Com grandes nomes que nada têm a provar na cena musical, o que vos motivou a criarem os CIS?
Cats In Space é o meu veículo para deixar a minha escrita sair absolutamente sem limites. O AOR e as minhas influências dos anos 70 permitiram que esta banda pudesse seguir por tantas avenidas musicais – e isso soa deveras emocionante. Além disso, os "gatos" estão aqui a 100% com toda a vibração e são pessoas incríveis.
Temos Dean Howard na guitarra, que as pessoas conhecem dos T'Pau, Jeff Brown – baixo e vocais – anteriormente nos The Sweet. O impressionante Steevi Bacon na bateria, o meu amigo dos Moritz Andy Stewart nos teclados e, finalmente, a voz incrível de Paul Manzi, que conheci no ano passado, quando ele fez algumas datas comigo no nosso Supersonic 70’s Show. Paul também cantou com os The Sweet e sem esquecer Andy Scott também dos The Sweet que participou como convidado no single Mr.Heartache.

Um nome e um logo futurista combinado com um som retro. Como gerem essa, aparentemente contradição?
Inicialmente queria algo realmente 'pomposo' para combinar com a música, mas percebi logo que atualmente há tantas bandas com nomes e capas semelhantes que precisava de algo que se destacasse. Definitivamente queria um nome como Marmite. Dessa forma, ama-o ou odeia-o, não vais esquecer. De qualquer forma todos os nomes de bandas soam a merda até serem famosos! O tema espacial evoluiu a partir de algumas canções que estávamos a escrever do tipo dos ELO. Também o capacete do gato é um logotipo fortemente visual que queríamos para que as pessoas se lembrassem de nós.

Cães no espaço são históricos - gatos nem por isso. Como surgiu o nome?
Nasceu do meu gosto por gatos e do facto de termos brincado com uma foto de um gato no facebook que teve mais de 200 likes... As pessoas adoram gatos, eu incluído, e especialmente, o meu gato que tem mais likes no facebook que eu. E os gatos também são mais espertos do que os cães!

Podes falar-nos sobre a criação de Too Many Gods – processos de escrita e gravação?
Eu queria fazer um álbum que gostasse mesmo que mais ninguém gostasse. Foi totalmente egoísta, indulgente (e caro!). Mas é honesto e de coração. Com influências e estilo das bandas com as quais cresci a gostar e ainda gosto, não era para ser um álbum pastiche, mas certamente não iria fugir a meio caminho. Queríamos tudo e, pelo menos, as pessoas vão ver que nos comprometemos totalmente com essas influências! Seja Sweet, The Carpenters, John Miles, ELO. Abraçamos essas canções clássicas dos anos 70 que tanto gosto e fomos por aí. Foi essa a simples reunião que eu e o meu coescritor Mick Wilson tivemos. Se soava a alguém, corríamos com essa ideia e, sim, caguei algumas vezes para essas influências óbvias, como as harmonias vocais e de guitarra dos Queen e acabamos com um som que alguns têm dito que é bastante singular! Tudo começou com Mr. Heartache, uma demo que gravei com Mick Wilson e tudo cresceu a partir daí. Em breve todo o álbum tomou forma e surgiu como uma ideia totalmente formada e sabia que iria parecer-se e soar como tudo o que eu tinha em mente. A capa, as músicas, as letras e o som.

Por que Too Many Gods? Alguma ligação com as posições extremas de rebeldes em nome de alguns deuses?
Sim, embora eu não goste de misturar política e música. Eu não sou político, deixa-me acrescentar, mas tornou-se claro que o mundo inteiro e as chamadas religiões estão a estragar a vida a milhões de pessoas. Como diz a canção Too many people praying to the invisible man. Ninguém sabe se há um Deus. A menos que morras é que o poderás ver, se for esse o caso. Na minha opinião a Religião é a raiz de todas as guerras.

Contas com alguns convidados neste álbum. Como surgem ele em Too Many Gods e que papel desempenham?
Obviamente temos Mick Wilson dos 10cc, que é a "co-piloto" da banda comigo. Mick está tanto na banda como qualquer um de nós e é um músico incrível a todos os níveis. Também tivemos Mike Moran a orquestrar The Greatest Story Never Told, a minha namorada Janey Bombshell também entrou para gravar alguns adoráveis backing vocals femininos. Greg Camburn foi-nos recomendado por John Summerton (de Flintlock) e a sua forma de tocar saxofone é incrível e o meu amigo dos Moritz Ian Edwards tocou alguns teclados num par de faixas.

Muitas coisas acontecem em Too Many Gods, mas gostaria de referir dois aspetos. Primeiro, os impressionantes arranjos vocais. Como trabalhaste este aspeto?
Mick Wilson e eu trabalhamos todos os arranjos vocais e Paul Manzi, o nosso incrível vocalista deu uma mãozinha nas suas performances. Eu queria aquelas enormes harmonias Beach Boys/Queen em todo o álbum e também aquele grande estilo vocal Sweet nas canções mais rockeiras e sabia que Mick poderia ajudar a fazer isso!

Em segundo lugar, mas não menos impressionante são as orquestrações. Trabalhaste com Mike Moran, certo? Como foi a experiência?
Mike Moran orquestrou um ensemble de 80 peças baseada numa demo que lhe enviei construída por mim e Ian Edwards. Essa canção foi um instrumental durante anos, até Mick e eu finalmente termos encontrado a ideia lírica e as melodias. Levou anos! O que ouves é essa orquestração executada por uma orquestra de 80 elementos com muitos níveis musicais, desde as flautas aos tímpanos e tudo que existe no meio, incluindo um cantor de ópera. Temos a intenção de lançar em breve um mix diferente para que se possa ouvir a pura profundidade que Mike introduziu. É realmente muito especial.

Este é um projeto de apenas um álbum ou poderemos esperar mais no futuro?
Não odeias a palavra "projeto"? Tantas bandas constituídos por duas pessoas, sentadas em estúdios caseiros a fazer discos. Boa sorte a todos eles, claro, mas esse não é o caminho dos seventies para mim, a menos que sejas os The Buggles! Não, Cats In Space é uma preocupação constante composta por alguns músicos incríveis e prontos para tomar essa estrada. Queremos fazer algumas boas tours e se possível, tentar montar um bom espectáculo digno da música, mas vai ser difícil. Não há pressas, o álbum número dois já está a ser planeado… por isso esperem muito mais dos Cats!

Como estão as coisas nos Moritz? Parados ou não?
Não, os Moritz ainda estão bem vivos e, enquanto estamos aqui a falar, estão a planear o seu próximo álbum. Tenho em mão algumas músicas que estão a ir bem e a malta está a rockar.

Para terminar, afinal de contas qual é a maior história nunca contada?
A maior história nunca para mim? Será sempre a verdade por trás de nossos governos e as merdas que são alimentadas diariamente e nunca permitiu saber o que realmente está a acontecer. Mas olha - limito-me a tentar aproveitar cada dia, desfrutar de tudo e não me preocupar com más coisas. A vida é curta.

Muito obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Eu gostaria de dar, se o espaço nessa gloriosa publicação me permitir, um enorme agradecimento a todas as pessoas maravilhosas que até agora têm abraçado a nossa banda. Sinceramente não tinha ideia que iria encontrar um tal acordo entre tantos! DJs, revistas, todos os que compraram o disco até agora. Muito obrigada. Significa muito para nós... e vai-nos permitir trazer mais música a partir da nave espacial, porque depois de tudo, todos vão quere ser um gato.

Sem comentários: