quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Entrevista: Matthau Mikojan


Matthau Mikojan passou um mau bocado, mas, incapaz de desistir, deitou mãos à obra e embrenhou-se a trabalhar sozinho. Procurou atingir o que nem o álbum Hell Or High Water nem a sua passagem pelos Bloodpit lhe tinham proporcionado. E foi assim, num sistema de tentativa e erro, que nasceu Her Foreign Language, um disco totalmente concebido, criado e executado pelo finlandês. E, de repente, uma editora volta a acreditar nele, a sua carreira é relançada e já é acompanhado ao vivo por um line up. Uma prova de perseverança que nos é dada por Matthau Mikojan.

Olá Matthau! Obrigado pela tua disponibilidade. Como vais?
Estou animado com o meu estado atual como artista. Está tudo a construir-se lentamente. É como começar tudo de novo.

Podes apresentar-te aos rockers portugueses?
Sou originalmente conhecido de uma banda de rock/metal finlandesa chamada Bloodpit. Desde que nos separamos em 2007 que tenho vindo a fazer música usando o meu nome Matthau Mikojan. Fiz uma pequena pausa de tudo, mas agora tenho um novo álbum Her Foreign Language e um novo line-up ao vivo... As coisas estão a ir muito bem outra vez.

Podes descrever esta aventura de criar este disco em solitário?
Comecei a gravar demos em 2011 e senti que havia algo novo e excitante a caminho, por isso avancei ainda mais e parti para a gravação. Desde logo fiquei muito entusiasmado com o lado técnico de fazer um disco. O nosso contrato de gravação tinha expirado, portanto não tinha dinheiro nem editora e tinha que resolver o problema de alguma maneira. Por isso, decidi produzi-lo eu próprio. Foi uma jornada longa e solitária, mas fui indo e gostei de trabalhar sozinho. Trabalhei dia e noite. Demorou alguns anos até me sentir feliz com o que tinha feito. Houve alturas em que estive quase a desligar a ficha deste projeto mas não sou um desistente. Tudo veio da tentativa e erro até atingir exatamente o que eu queria. Não pensei em ter airplay, não pensei em editoras agradáveis, nem sequer pensei em tocar ao vivo... Não me importava. Eu só queria fazer um disco e divertir-me. Acho que queria provar a mim mesmo que podia fazer um álbum por mim próprio... que não precisava de ninguém. Tens que te lembrar que ninguém queria colocar a minha música cá fora e que ninguém estava interessado, portanto decidi que não precisava de ninguém. Antes deste álbum acontecer Matthau Mikojan estava praticamente morto.

Em suma, porque decidiste tomar essa opção?
Porque as editoras não estavam interessadas e eu não tinha dinheiro portanto parecia que nunca iria acontecer. É uma questão de se recusar a parar. Eu recusei-me a parar. Disse para mim mesmo - de alguma maneira vou fazer isso acontecer... e fiz. Não gastei muito dinheiro neste álbum. Na altura não tinha uma banda pelo que toquei tudo sozinho.

Portanto, este é um álbum muito pessoal…
Todos os meus álbuns são pessoais. Este é ainda mais pessoal, porque tive que fazer esta viagem sozinho.

E toda a diversidade que podemos encontrar neste disco representa os diferentes estados de espírito durante todo o processo de criação?
Eu tive a oportunidade de gravar tudo o que queria. Eu sempre escrevi todos os tipos de música, mas desta vez tive essa possibilidade de os colocar num disco, enquanto numa banda estamos um pouco limitados.

De facto, podemos ouvir, desde rock ao blues, passando por hard rock. Onde te sentes mais confortável?
Sinto-me confortável desde que não seja heavy metal.

Falaste nos tempos difíceis de 2011 que quase te fizeram desistir, embora com isso tenhas trabalhado afincadamente e descoberto uma nova musa inspiradora. O que se passou nessa altura efetivamente?
Fizemos um disco chamado Hell Or High Water que foi um fracasso. Depois, foi tudo por água abaixo e a dinâmica dentro da banda começou a mudar. Senti que andávamos sobre água. Assim não iríamos a nenhum lado e por isso decidi matar Matthau Mikojan.

Nestas sessões gravaste 24 canções, 13 das quais aparecem no álbum. Já há ideias para outro lançamento com as restantes?
Nem sei o que vou fazer a seguir. Agora tenho um grande line-up por isso vai ser algo menos individual.

E depois de todo este período de aprendizagem, estás satisfeito com o que conseguiste alcançar?
Absolutamente!

Já tens outros projetos em mente?
Como disse, não sei... Por agora estou a escrever novas músicas.

Obrigado Matthau. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado pelo teu apoio. 

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