quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Entrevista: Fischer's Flicker


Depois de muitos projetos, Scott Fischer assentou com os Fischer’s Flicker, projeto que acaba de lançar o seu segundo álbum de originais Fornever And Never. Desta vez o trabalho foi mais rápido e profícuo e com uma banda sólida e estável, a nova proposta está mais orientada para as canções e menos para as extravagâncias. Scott Fischer, principal mentor desta explosiva entidade criativa, falou-nos de tudo isso e até de um ano de 2016 que se prevê em grande para os seus lados.

Olá Scott! Como estás?
Muito bem, Pedro - e tu?

O que tens feito desde o lançamento do Katmandon't?
Woah menino, o que não fiz eu!! Caí num poço profundo, ergui-me, limpei-me e escrevi material para dois álbuns, comprei uma casa nova, encontrei uma nova companheira. Tu sabes, o costume!

E agora com o teu regresso com um novo álbum. Como foi a tua preparação para este disco?
Tudo correu muito bem. Tenho andado à roda algumas vezes, mas agora sou capaz de produzir cada álbum um pouco melhor. Utilizei alguns elementos-chave com quem trabalhei ao longo dos anos. Não me refiro apenas aos músicos, mas também toda a gente por trás das cenas (engenheiros, artistas visuais, etc.). Toda a gente tem algo diferente para adicionar e acho que, neste momento, este navio está a trabalhar com a melhor equipa.

Se eu te pedisse para falar um pouco sobre Fornever And Never em comparação com o álbum anterior, o que dirias?
Hmmm, bem, diria que Fornever And Never é um esforço muito mais concentrado do que seu antecessor. Katmandon't foi gravado ao longo de um período tão longo que sinto que algum foco se perdeu ao longo do caminho. Fornever And Never (juntamente com o próximo lançamento ainda a ser trabalhado, Mother Of A Ship) foi totalmente escrito num curto espaço de explosão criativa que girava em torno do proverbial poço a que me referi anteriormente. Às vezes, quando acontecem coisas más vida, retira-se algo positivo disso!

Mas, numa primeira impressão, parece que desta vez estás mais focado na música e menos nas extravagâncias. Concordas? Era essa a tua intenção?
Concordo em absoluto que estou mais focado na música. E muito disso tem a ver com a rapidez com que as canções foram escritas. Mas outro fator chave, desta vez, foi que a banda estava muito mais sólida o que se nota em todo o material. Ao invés de trazer músicos como artistas convidados, este álbum foi composto quase inteiramente por elementos com quem, de uma forma ou de outra, tenho tocado desde a infância. Uma camaradagem que definitivamente brilha por aqui.

E também um pouco mais pesado em alguns momentos, como na versão do tema de Alice Cooper e Neal Smith…
Sim, tenho evitado colocar algum do meu material mais pesado nos meus álbuns e este lançamento certamente parecia ser mais cortante. Estou feliz que tenhas gostado porque o próximo álbum, Mother Of A Ship está programado para ter dois pesos pesados que serão muito mais pesados, mais numa veia Soundgarden. Dito isto, sendo fã de muitos estilos e géneros musicais diferentes, gosto de escrever e executar tanto os mais pesados quanto os números mais leves e acústicos. Sinto que esses álbuns oferecem algo para todos. Eu prefiro essa abordagem em vez de limitar ou filtrar o material com base em preocupações sobre ser demasiado pesada ou leve.

Então, quem tocou contigo neste álbum?
Com exceção do meu vocalista/percussionista Patrick, todos os outros elementos desta formação tem estado, de uma forma ou de outra, nos meus lineups, desde o início da minha carreira musical! Por isso resulta tão bem com esta configuração porque com muitas das nuances iria gastar muito tempo se trabalhasse com um recém-chegado o que não acontece com a "segunda natureza" destes músicos já que todos nós temos vindo a falar a mesma linguagem musical há muito tempo.

Já agora, mais uma vez um jogo com as palavras no título. Porquê Fornever And Never? Outra ideia do teu irmão?
Ha, tens uma grande memória, Pedro! Não, desta vez vim eu com o jogo de palavras. Sou um grande fã de jogos de palavras e este teve um significado específico associado aos meus esforços pessoais durante este período. É uma espécie do meu pequeno mantra, acho eu.

Como foi o tempo em estúdio desta vez?
O mais eficiente de sempre! Na realidade, comecei o meu álbum num processo científico de sentir que sou capaz de racionalizar essas canções do início até ao fim num movimento muito mais rápido do que antes. É por isso que a distância entre este disco, Fornever And Never e o próximo (Mother Of A Ship) pode ser tão curta quanto a distância de um ano!

Qual é o ponto de situação nos outros projetos onde costumas estar envolvido?
Bem, muitos deles eram apenas Fischer’s Flicker sob nomes diferentes. Começamos como Deja Voo Doo, mas recebemos uma carta para mudar o nome. Depois, saltamos de Powderhouse para Babaganoo e, finalmente, Fischer’s Flicker. Também tenho tocado em alguns outros grupos ao longo da minha carreira – grupos de covers, de tributo e de originais - mas, neste momento da minha vida, em última análise, prefiro dedicar o meu tempo ao meu próprio material. Tive uma espécie de epifania há alguns anos atrás, quando um músico amigo meu faleceu. Comecei a pensar sobre o que vamos deixar para trás quando já cá não estivermos. Senti essa sensação de "dever" lançar tantos álbuns quantos pudesse antes de partir e enquanto essa criatividade estava presente. É difícil de explicar, mas, é apenas uma espécie de finalidade, suponho.

Mais uma vez, Scott, muito obrigado. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Bem, gostaria de dizer que eu estou esperançado em dar um passo em frente em 2016: um álbum a solo perdido do tipo chamado The Trials & Tribulations Of The Plastic People, um relançamento do descatalogado EP Sick On Sushi dos Deja Voo Doo, o próximo longa-duração dos Fischer’s Flicker intitulado Mother Of A Ship e possivelmente algumas outras faixas! Também gostaria de te agradecer, Pedro, mais uma vez por rodares Fischer’s Flicker no teu programa!

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