sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Entrevista: Molllust


Quando se fala em opera metal vêm-nos à mente muitos nomes mas, acreditamos que nenhum deles consiga juntar de forma tão perfeita estes dois mundos como os Molllust. Em 2012 Schuld tinha deixado boas indicações e um ano depois a experiência Bach Com Fuoco mostrou o lado mais arrojado do coletivo. O comprovativo chega com In Deep Waters, um álbum que os levou a fazer uma tour com os Orphaned Land com passagem por Portugal numa sala lotada e entusiasta. A mentora Janika Groβ, voltou a responder às nossas questões em torno deste novo álbum e, naturalmente da passagem por Lisboa.

Olá Janika! Como estás? O que têm feito os Molllust desde a última vez que falamos?
Olá! No ano passado o nosso principal projeto foi o nosso recente álbum In Deep Waters. Setenta e cinco minutos de música queria ser escrita, ensaiada, gravada... Não é apenas o CD mais longo que fizemos, também houve muitos mais músicos envolvidos, por isso foi um grande desafio organizar tudo. Além disso, trabalhamos em conjunto com Andreas Trommler e a Leipzig School of Design nos nossos novos belos vestidos de palco e com Rainer Zipp Franzens criamos o nosso primeiro videoclip. Portanto, foi um período muito ocupado, mas também ótimo! E, finalmente tivemos que nos preparar a nossa tour acústica com os Orphaned Land. Fizemos novos arranjos para as músicas para as deixar brilhar na sua nova configuração acústica.

Depois Schuld e Bach Con Fuoco, este é o álbum que, definitivamente, coloca o nome Molllust no cenário internacional, concordas?
Esperemos que sim! Schuld e Bach Com Fuoco já tiveram uma grande ressonância internacional, mas foi com In Deep Waters, que deixamos, pela primeira vez a Alemanha para tocar essas músicas ao vivo. Além disso, por vezes, recebemos a vontade dos reviewers e dos fãs de outros países, para não utilizarmos apenas a língua alemã, para que possam entender melhor sobre o que são as nossas músicas. Por isso, neste álbum encontram um mix de línguas - temas mais globais, principalmente em Inglês, embora os temas pessoais tenham ficado em alemão.

… E também em italiano e francês, certo? São quatro as línguas usadas. Como é feita essa adaptação? E... para quando o uso de Português?
O alemão é a minha língua nativa, Inglês e Francês aprendi na escola pelo que posso falar quase fluentemente. Como muitas árias clássicas são em italiano, aprendi a pronunciá-lo, embora realmente não fale a língua – embora também conheça um pouco de latim e espanhol, o que me permite entender bastante bem quando leio um texto em língua italiana. No que diz respeito ao Português - devido às minhas capacidades no Espanhol, consigo entender quando leio, mas não tenho ideia de como escrever um texto nesse idioma. Com o francês e o italiano, tinha na banda dois falantes nativos nas pessoas de Sandrine e Tommaso, que me ajudaram. Mas para o Português, teria que aprender a língua em primeiro lugar e de momento não temos planos para isso.

Desta vez alteraram alguma coisa no vosso processo criativo ou de gravação?
Desenvolvemos mais. Comparado com Schuld, tivemos a vantagem de conhecer antecipadamente o line-up. As primeiras músicas de Schuld foram várias vezes rearranjadas porque começamos os nossos primeiros ensaios sem cordas. Portanto pude escrever as linhas das músicas relativas a todos os instrumentos. Agora, também temos um segundo violino, que abriu mais possibilidades para compor. E adicionamos partes orquestrais, que eram mais difíceis de compor, mas também foi muito divertido.

E houve algumas mudanças de formação - a secção "clássica" é agora uma presença efetiva?
Sim. A Sandrine tocou violino em Schuld, mas teve que deixar a banda devido ao seu trabalho - teve que se afastar de Leipzig. Por isso, fomos à procura de um novo violinista - e encontramos a Luisa, que se juntou a nós para Bach Con Fuoco. Depois disso, Sandrine conseguiu voltar para Leipzig. Por isso, tivemos uma escolha difícil – duas grandes violinistas ou devemos continuar a trabalhar com Sandrine ou com Luisa? Assim, surgiu-me a ideia para tirar proveito da situação e trabalhar com dois violinos no futuro. E acabou por ser realmente uma boa decisão!

A respeito do baterista podes explicar alguma confusão que parece existir: quem é o baterista dos Molllust - Clemens Frank ou Tommaso Soru?
Tommaso gravou In Deep Waters connosco, mas neste verão informou-nos que queria deixar a banda para se concentrar mais em outros projetos musicais. Por isso, fomos à procura de um substituto e encontramos o homem perfeito para a nossa bateria na pessoa do Clemens. Ele já tocou um festival de verão connosco e vocês irão ouvi-lo nos nossos espetáculos no futuro!

Olhando para In Deep Waters, como o descreverias?
Uma mistura de música clássica e metal, às vezes com um cenário orquestral, às vezes mais de música de câmara do lado clássico. Em contraste com a maioria dos outros projetos de metal sinfónico, a vertente clássica é, pelo menos, igual à vertente do metal e não apenas background. Além disso, os principais vocais são de soprano clássico, por isso dá-lhes automaticamente um toque mais clássico.

É engraçado, porque, realmente muitas vezes assistimos a uma mistura áspera entre o metal e a ópera. Isso não acontece com os Molllust. Aqui podemos perceber verdadeiros arranjos clássicos, como se estivéssemos a ouvir música clássica... Como conseguem isso?
Eu venho de uma base clássica, fiz música clássica quase toda a minha vida. Portanto, as estruturas clássicas são muito naturais para mim. Costumava cantar em coros, e tocava numa orquestra - e também tive algumas lições de teoria da música clássica. Na verdade, no início tive que me adaptar ao lado de metal.

Estiveram em tour com os Orphaned Land. Como foi a vossa reação quando receberam o convite?
Ficamos muito felizes! Foi uma grande oportunidade para apresentarmos a nossa música para as pessoas em toda a Europa - estamos muito agradecidos e realmente apreciamos!

Como correram as coisas, nomeadamente no espetáculo em Portugal? Foi um set acústico, não foi?
Os fãs de toda a Europa acolheram-nos muito bem. Tivemos grandes momentos, e foi uma experiência incrível! O público Português foi ótimo! A sala estava lotada e as pessoas foram absolutamente entusiastas! Esperamos voltar em breve. Como foi uma tour acústica, tocamos o nosso set acústico em toda a tournée, não só em Portugal.

E a partir de agora? Os Molllust são, definitivamente uma força reconhecida. Quais serão os vossos próximos passos?
Concertos, concertos e mais concertos. Atualmente estamos à procura de boas oportunidades para apresentar a nossa música ao vivo. Como muitos viram as nossas versões acústicas, é agora tempo para uma apresentação normal com os nossos rapazes do metal!

Muito obrigado Janika. Gostarias de acrescentar mais alguma coisa?
Gostaríamos muito de agradecer ao público Português para nos terem recebido de forma tão calorosa. Foi um grande prazer ter tocado em Lisboa!

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