sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Entrevista: The Royal Blasphemy



Todos nós temos saudades dos Urban Tales, e embora a banda esteja já num prolongado hiato, o leu legado continua presente neste novo coletivo que junta 4 ex-elementos desse mítico coletivo. Chamam-se The Royal Blasphemy e atuam num estilo bem mais pesado – aquilo que o Johnny Coroa e Tiago Borges chamam de o seu mundo. Confiram esta conversa com metade desta nova força nacional que começa a se impor no mercado internacional.

Olá, tudo bem? Para começarmos, podes apresentar os The Royal Blasphemy?
Johnny Coroa (JC): Os The Royal Blasphemy são constituídos por 4 elementos. Temos o Tiago Borges na Voz principal e baixo, o Jota na bateria, o Johnny Coroa na guitarra e segundas vozes e o John Cyaegha na guitarra.
Tiago Borges (TB): O quinto membro é e será sempre o nosso público, aquele pessoal que nos segue nos concertos, face, etc. Sem eles não somos nada…

Algum significado para o nome The Royal Blasphemy?
JC: Sim, o nome The Royal Blasphemy está inteiramente ligado com a forma como o nosso país (e a maior parte do mundo) é desgovernado por gente que não tem a mínima noção do que se passa nas trincheiras da vida e governa tento apenas em conta os seus interesses pessoais/financeiros.
TB: É uma sátira que descreve o que a banda faz, que mais não é que uma chamada de atenção para o mundo sobre o estado doentio das sociedades actuais…

Podem fazer-nos um breve resumo do vosso historial?
JC: A nossa história remete-nos para o ano de 2011, em que, após o término da banda onde tocávamos os quatro na altura (com mais um vocalista), quisemos continuar a tocar juntos.
TB: A nossa ideia era primariamente continuarmos a tocar juntos, os 4, ninguém dos 4 podia abandonar o barco ou ser substituído. Com uma sonoridade mais pesada e menos formatada, ao gosto dos 4 (que não podíamos ser mais diferentes na escolha musical pessoal). Daí a começarem a surgir os primeiros temas do futuramente chamado Sanatorium:Freedom foi muito rápido.
JC: Isto em abril de 2011. Depois veio uma primeira fase de ensaios, e na condição de estarmos sem vocalista, depressa surgiu o convite para um teste a um amigo nosso com uma grande voz, o Mr. V. A voz dele caiu bem nos nossos temas e tornou-se o nosso “convidado de luxo”, acompanhando a banda durante 2 anos. Até finais de 2012 fizémos carradas de concertos, entre os quais o do Optimus Alive 2012. No final desse mesmo ano, a decisão de continuarmos daí para a frente só os 4 e sem convidados foi unânime e assim o fizémos. Continuámos a tocar ao vivo, desta vez com o Tiago na voz principal, o que tornou a nossa sonoridade um pouco mais pesada e coerente com aquilo que já fazíamos a nível instrumental. Editámos o EP Prelude for Idiocrazy (ainda com a voz do Mr. V) e em 2014 fizémos a tour no Reino Unido, desta vez já a 4. Desde meio do ano de 2014 até finais de 2015, continuando sempre a tocar ao vivo, preparámos o lançamento do album Sanatorium: Freedom, que nos deu muito trabalho e gozo a meter “cá fora”, e entretanto já concluímos a composição do segundo álbum. Lançámos o Sanatorium: Freedom e cá estamos a promovê-lo na estrada. 

Todos vocês já tinham experiências anteriores noutros projetos/bandas. O que vos motivou a criarem esta nova entidade?
JC: Todos nós já tivémos vários projetos, de vários géneros musicais, alguns bastante distintos musicalmente uns dos outros. Isso serviu para ganharmos experiencia e para sabermos bem o que resulta quando estamos a trabalhar em banda. Quis talvez o destino que nos cruzássemos os 4 numa banda anterior (os Urban Tales). Quando os Urban Tales foram postos em hiato, sentimos a necessidade de continuar a tocar juntos pela cumplicidade que já tínhamos e por conhecermos bem o trabalho que cada um executava em banda, e todos tínhamos a necessidade e vontade de criar algo novo e sem dúvida mais pesado.
TB: A estrada que cada um de nós já tinha e em especial juntos, tornou tudo mais fácil e óbvio. Para nós os 4, mesmo com birras (qual casamento abençoado), já estão implícitas ideias e métodos que não é sequer necessário discutir. Tocar, compor, andar na estrada juntos é tão natural como respirar.

De que forma estes The Royal Blasphemy se aproxima ou afasta do que já tinham feito anteriormente?
JC: Bem, creio que se aproxima apenas pelo facto de que somos todos ex-membros de uma banda que nos ensinou e preparou para, hoje em dia, fazermos o que fazemos, e como fazemos. Aprendemos e crescemos muito nos Urban Tales e isso leva-nos a trabalhar da forma como trabalhamos hoje em dia, porque já sabemos bem os passos a dar para conquistar os nossos goals. De resto, musicalmente… Estamos completamente noutro mundo. Agora sim estamos mais no Nosso mundo.
TB: O distanciamento do passado é total e nenhum ao mesmo tempo. Não tem absolutamente nada a ver com o trabalho feito em Urban Tales, mas tem tudo a ver com o trabalho que fizemos juntos. Somos mais que uma banda, somos um só.

Já agora, aproveitando a oportunidade, como estão os Urban Tales?
JC: Os Urban Tales, tanto quanto sabemos, continuam em hiato.

Ainda não tinham lançado este álbum de estreia e já tinham feito uma tour de 7 datas como cabeças de cartaz em Inglaterra. Como se proporcionou essa experiência e que balanço fazem dela?
JC: Essa foi uma experiencia que certamente iremos repetir no futuro, já com o “suporte” que é termos “um album na mão” e já com o facto de já lá termos estado uma vez. Foi muito bom para uma primeira tour, a receptividade e feedback que obtivémos foi extraordinariamente boa por parte do público inglês, criámos alguns contactos também para futuros trabalhos da banda… E foi também uma óptima maneira de nos pôr à prova: 2 semanas dentro duma carrinha, sempre a tocar, muitos quilómetros feitos sempre a ver as mesmas caras e sempre a lidar com as mesmas pessoas… foi muito enriquecedor para nós tanto pessoalmente como como banda.
TB: A Corruption Across The UK surge de muito trabalho da banda e de uma pessoa que por ela faz um trabalho soberbo. Temos a felicidade de ter uma parceria de luxo com um grande amigo da banda que dá seguimento ao trabalho que nós fazemos. Alinharam-se os planetas…

Depois surge essa experiência que o duplo álbum Santorium:Freedom. Porque este título?
JC:  Sanatorium  porque vivemos num mundo insano governado por gente sociopata, e ao mesmo tempo sedento por “bons loucos”, daqueles que são loucos por serem mais sãos que o cidadão comum e que puxam o mundo para a frente. Somos um grito de revolta contra o estado do mundo em geral neste sentido, e é isso que define o primeiro CD do album. Freedom, porque o segundo CD do album é composto pelas mesmas músicas mas com arranjos novos e em formato acústico, sendo a versão mais calma e de certa forma mais libertadora de toda esta insanidade.
TB: É também uma forma de dizer que pelo caminho que as coisas levam, a única saída para tudo isto é um sanatório, para aqueles que com isto sofrem e para aqueles que na loucura sem limites decidem o destino de todos nós.

Podem explicar-nos como decorreu a composição deste trabalho?
JC: O Sanatorium foi composto pelos 4 elementos da banda. Excepto nalgumas músicas, em que algum de nós já vinha com uma melodia ou um refrão ou verso na cabeça (ou na ponta dos dedos), todo o processo foi feito com a banda toda presente e a opinar acerca da composição das malhas. O Freedom é um CD curioso nesse aspecto, porque “foi ganhando forma” ao longo da sua realização. Ou seja, eu (Johnny Coroa) comecei por fazer os primeiros arranjos em guitarra acústica. Depois o Jota e o Tiago deram um feeling novo à coisa quando começaram a trabalhar nas linhas de bateria. O Tiago depois usou um baixo semi-acústico fretless para gravar as linhas de baixo, o que acrescentou um groove e feeling muito diferente do que tinhamos idealizado… as vozes foram trabalhadas de raíz e foram feitos novos arranjos, que se adequam melhor ao formato acústico… Depois vieram todos os adds de strings e discursos e etc, e no fundo, o Freedom foi enriquecendo à medida que foi ganhando dimensão e isso deu-lhe quase uma “personalidade própria”, ficando muito diferente do Sanatorium.
TB: Sempre entendemos o Freedom como um extra, um bónus CD, um outro lado da banda e dos temas. Não havia mais do que a ideia de refazer os temas de forma acústica, daí à conclusão, foi um trajecto estranho e sinuoso, mas muito recompensador. O Sanatorium foi um processo mais “à Royal” com a regra do refrão forte, riffada pesada e harmonia e melodia sempre presentes.

E como surgem essas duas visões das canções? Qual foi o objetivo?
JC: O nosso objectivo foi fazer um CD que mostra quem nós somos e o que fazemos, e que nos orgulhamos de lançar. E depois brincar um pouco com os temas e oferecer aos fãs “um miminho” acústico que acabou por ser uma parte importante para o trabalho final ter as duas partes distintas – a de Sanatorium e a de Freedom.

Uma das vossas apostas fortes parece ser a internacionalização, certo? Estão a ser bem-sucedidos?
JC: Sim, a internacionalização sempre esteve nos nossos planos desde o início da banda. Estamos a ser bem-sucedidos. Desde a tour que estamos a receber muito bom feedback lá de fora. Hoje em dia (e visto que ainda não se passou assim tanto tempo desde a tour) temos algum airplay noutros países, fomos seleccionados como uma das melhores bandas internacionais do momento pela TBFM (Reino Unido), chegámos ao top 7 dessa mesma rádio… vamos conquistando cada vez mais ouvintes de outros países e é esse o caminho que queremos seguir.
TB: Royal sempre foi entendido como um produto para o mercado internacional, sem desprimor para o nosso país, os amantes de música pesada por cá são apenas uma amostra, quando comparamos com países com uma tradição mais enraizada. E de resto e de fora que temos tido mais feedback, mais airplay, mais atenção ao que fazemos por cá… porquê? Talvez mais meios de comunicação devessem seguir o exemplo do Via Nocturna…

E para o futuro, que projetos estão previstos para os The Royal Blasphemy?
JC: Futuramente queremos promover ao máximo o album Sanatorium: Freedom. Temos alguns festivais para fazer em 2016, estamos já a começar a agendar a próxima tour (Europeia)… Temos muitos concertos para dar nos próximos tempos.
TB: Temos também álbum novo para gravar, ensaiar e continuar a apresentar em palco, como de resto já começámos a fazer com um tema, o Holy Disaster. O futuro, naquilo que depende de Royal, é continuar a trabalhar (palavra pesada para algo que fazemos com gosto) e continuar a bater a portas até que elas se abram e permitam fazer chegar a nossa música a mais pessoas…

Mais uma vez obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa?
JC: Quero apenas fazer dois apelos:
1. Revoltem-se, saiam da vossa zona de conforto e enfrentem o facto de que o mundo está virado do avesso e tem que ser posto no sítio POR NÓS, gente comum. E façam coisas mesmo que as achem impossíveis. Lembrem-se que, de vez em quando, um acto de boa loucura consegue mudar um pouco o mundo.
2. Apoiem as bandas nacionais, apareçam nos nossos concertos ou noutros quaisquer, e oiçam o nosso trabalho e dêem-nos um feedback da vossa parte.
TB: Sejam senhores do vosso destino e ajudem-nos a construir o nosso… 

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