sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Entrevista: Ian Danter


Jornalista desportivo de renome em Inglaterra, Ian Danter é também um rockeiro à maneira. As coisas com Prove You Wrong, disco de estreia, correram tão bem que, o agora também DJ no Planet Rock, regressa às gravações com um disco onde com menos pessoas se torna mais forte. Second Time Around é o título dessa nova proposta o que nos levou de novo a conversar com Ian Danter sobre a música, sobre o jornalismo desportivo e claro, tema quente (na altura da realização da entrevista) a expulsão de Mourinho do Chelsea.

Olá Ian! Mais uma vez, obrigado, pela tua disponibilidade! O que tens feito desde a última vez que conversamos em 2013?
Olá! Bem, estive ocupado a trabalhar em jornalismo desportivo aqui no Reino Unido e fui ao Brasil fazer a cobertura do Campeonato do Mundo de 2014. Também comecei a trabalhar como DJ no Planet Rock, uma estação de rádio de rock clássico no Reino Unido que é tão divertido quanto o trabalho no futebol na talkSPORT!

Segunda vez por aí e o que tens a dizer sobre isso?
Bem, na realidade não tinha planeado fazer um segundo álbum, mas a grande resposta crítica dada a Prove You Wrong inspirou-me a começar a escrever novamente em 2013 e a escrita continuou em 2014/15. Depois gravei as músicas ao longo de 3 sessões separadas nos Arkham Studios Birmingham durante esse intervalo de tempo.

Mais uma vez, um álbum escrito, tocado e cantado inteiramente por ti próprio. Sentes-te mais confortável agindo assim? Será por teres o controlo total?
Estou mais confiante nas minhas capacidades agora do que em 2012, quando o álbum de estreia foi gravado, de modo que me levou a acreditar mais no meu talento como guitarrista e vocalista, as duas coisas que tinha delegado em outros na maior parte de Prove You Wrong. Sei como as músicas devem soar na minha cabeça e sei que posso obter as performances diretamente para a fita, por isso não há necessidade de fazer alguém aprender se eu o posso fazer tão bem.

Até os convidados são em menor número que no álbum anterior, não são?
Bem, isso aconteceu dessa forma, não foi uma decisão consciente no início. Jane Gillard fez um bom trabalho nos backing vocals femininos de tal modo que a queria para a faixa-título e para a Simple As That, mas sabia que me tinha a mim para fazer o resto sozinho. Alex, o produtor, também foi uma fonte de grande encorajamento para fazer isso sem muita ajuda exterior.

Parece que Second Time Around está um pouco mais orientado para o hard rock do que Prove You Wrong. Concordas? Era essa a tua intenção desde o início?
Pode ser devido ao meu estilo vocal, uma vez que Lee Small tem um tom vocal mais soulful no álbum de estreia em comparação com o meu. Mas, simplesmente escrevi as músicas para mim, sem necessariamente pensar sobre se eles eram mais pesadas do que antes. A intenção sempre foi a de manter as coisas variadas em termos de ritmo e melodia ao longo do álbum, embora mantendo um núcleo central de peso.

Mas, na minha opinião, este álbum é realmente um passo em frente. Prove You Wrong também serviu como uma lição de aprendizagem, não?
Obrigado por dizeres isso. Concordo que Prove You Wrong foi um grande processo de aprendizagem sobre como os arranjos que tinha em mente se traduziriam em canções gravadas. Portanto, fui para o segundo álbum muito mais preparado o que tornou o processo mais suave e eficaz. Até agora, Alex e eu temos uma boa relação de trabalho o que significa que não se perdeu tempo no sentido de obter as músicas gravadas com as melhores performances possíveis.

Então, como foi o processo de gravação desta vez?
Realmente muito simples. Comecei por gravar todas as faixas de bateria. Nessa altura não tinha uma guitarra guia – tinha que me lembrar dos arranjos da minha própria cabeça (risos)! Quando o produtor Alex e eu estávamos satisfeitos com os desempenhos de bateria, acrescentamos, pouco a pouco, o baixo, a guitarra ritmo, guitarra solo, teclados e todos os vocais em cima. Alex foi, como de costume, brilhante sugerindo ideias e momentos que ele imaginava ouvir como os solos de twin guitars em Truth Is A Lie e Chinese Whispers e algumas grandes ideias de riffs para unir diferentes partes como em Mr. Posion. Ele próprio é um músico muito talentoso com muito bom ouvido!

Como está a situação dos Dressed To Kill? Na última vez que falamos estavam a considerar a possibilidade de recomeçar a tocar?
Bem, eles comemoraram 25 anos de carreira e eu fiz alguns espetáculos com eles no ano passado como parte dessa Anniversary Tour. Foi muito divertido como sempre. A banda irá continuar em 2016 e para além disso, mas não vão estar tão ativos no circuito de tournées no Reino Unido como antes. Estão apenas a escalar um pouco as coisas, só isso. Vou tocar com eles de novo? Não descartaria essa possibilidade!

É engraçado que, na última vez que te entrevistei, falamos sobre o regresso de Mourinho ao Chelsea. Agora falamos sobre a sua saída. Como jornalista desportivo, talvez próximo desses movimentos, qual é a tua opinião?
Acho que esqueceu muito rapidamente a sua afirmação quando regressou a Inglaterra de que era o “the happy one”. Certo que ganhou o título, mas depois continuou a provocar confusões desnecessárias com todos e qualquer um que se cruzasse com ele - mesmo no seu próprio clube - e a sua posição foi enfraquecendo em cada uma dessas polémicas. Ele pode ou não ter aprendido as lições de seus últimos meses no Chelsea. Será interessante ver qual o próximo que joga com ele.

Já que falamos de jornalista desportivo, como vêm os teus companheiros de trabalho o teu lado de rock and roll star?
A maioria deles não são fãs de rock e portanto não entendem o que faço, o que é bom para mim. Um ou dois colegas deram-se um grande apoio e foram ver-me tocar ao vivo e felizmente gostaram do que viram e isso é encorajador para mim.

Voltando à música, tens algo planeado para levares este álbum para o palco?
Bem, já fizemos alguns espetáculos com os fantásticos Cats In Space mas espero poder organizar alguns espetáculos por mim próprio e também mais algumas aparições em festivais de verão este ano.

Muito obrigado Ian. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Apenas que estou grato a todos os que mostraram interesse na minha música e que espalharam a palavra sobre Prove You Wrong e agora Second Time Around... Quem sabe, pode haver um terceiro álbum se houver interesse do lado de lá. 

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