segunda-feira, 28 de março de 2016

Entrevista: Xerife

Os Xerife surgem em abril de 2014 e editaram o primeiro EP a 29 de setembro do mesmo ano. A banda do ribatejo tem vindo a afirmar-se no panorama musical português, tendo já passado por alguns espaços conceituados. Fevereiro deste ano vê o lançamento do segundo EP do qual o single Histórias têm vindo a circular com regularidade nos media nacionais. É com orgulho que trazemos até às nossas páginas mais um jovem coletivo nacional de grande qualidade, numa conversa com a vocalista Laura Macedo.

Olá Laura, tudo bem? Quem são os Xerife e como surgiram?
Olá! Os Xerife são, para além de mim, o Marcelo Silva, na guitarra, o Zé Ganchinho, no baixo, o Cláudio Marques, na bateria e o Peka, nas teclas. Nasceram em abril de 2014. Já existíamos enquanto banda de covers (F.M.I.) à exceção do Peka, que entrou mais tarde. Surgiu a necessidade de criarmos as nossas próprias músicas. Queríamos dar o nosso contributo à música portuguesa. E foi em abril que começámos a compor. Nesse verão gravámos o primeiro EP e, em setembro, lançámos o nosso primeiro single Dá-me a Mão. Foi também nessa altura que convidámos o Peka para se juntar a nós, que veio trazer uma nova energia às músicas.

Porque a escolha de um nome como Xerife?
O nome de Xerife surgiu por duas razões. Primeiro, porque achámos que era um nome com uma boa sonoridade e que podia resultar a nível estético. Depois porque, como é uma entidade que não existe em Portugal, simboliza também o que queremos com a nossa música: trazer algo de novo. Se o conseguimos ou não, isso já fica ao critério de quem nos ouve.

Conta-nos um pouco da vossa história até agora…
Depois de em 2014 e em tempo quase record termos lançado o nosso primeiro EP, tivemos alguns concertos durante o verão e continuámos a compor e a preparar o segundo EP, Histórias, que lançámos agora em fevereiro. Pelo meio, passámos pela RTP e RDP, compusemos uma música para uma banda sonora de uma curta-metragem e ganhámos um concurso que consistia em compor uma música para um anúncio. Temos dado pequenos passos, mas vamos subindo degrau a degrau, com muita persistência e às custas do nosso trabalho.

Quais são as vossas principais influências?
Temos várias. Somos muito ecléticos. Do punk rock ao metal, do funk aos blues, ouvimos de tudo um pouco. Stevie Wonder, RHCP, Queen, Radiohead, Metallica, Guns’n’roses, Joe Bonamassa, Tara Perdida, Xutos&Pontapés, Nirvana, BB King, Foo Fighters, Arcade Fire, Jamiroquai… Podíamos ficar aqui algumas horas a dizer referências! (Risos)

Qual é o background musical dos elementos dos Xerife?
Todos temos já alguns anos disto e já integrámos vários projetos de covers e de originais. O Cláudio (baterista) e o Marcelo (guitarrista) fazem também parte dos R12, banda de punk rock, e já integraram outros projetos de covers. O Zé Ganchinho, que é o mais novo da banda, é também baixista dos Caelum's Edge, e o Peka pertence também à banda de originais The Pilinha e aos Los Camaias.

Histórias é o single de avanço do segundo EP. Que outras histórias nos podem contar a respeito deste novo EP?
Há muitas histórias diferentes neste EP. Mas fala sobretudo de pessoas e da forma como nos relacionamos em sociedade. Neste EP está presente uma urgência de sentimentos puros e verdadeiros e de justiça também. 

E, na vossa opinião, a melhor forma de contar essas histórias é exclusivamente em português?
Sim, esse sempre foi um ponto assente quando formámos os Xerife. Cantar na nossa língua. Não só por querermos chegar mais facilmente a quem nos ouve, mas também por ser um desafio bem mais difícil do que escrever em inglês, por exemplo.

E musicalmente não é um disco homogéneo. Como se fundem os vossos diferentes backgrounds musicais no estilo Xerife?
Nós tentamos não pensar muito nisso. Deixamos a coisa fluir. O resultado final é a fusão das várias influências e gostos de cada um. Não estamos preocupados em seguir um determinado estilo.

Os Xerife acabam por se enquadrar naquilo que se convencionou chamar de rock português. Acaba por ser o que melhor vos identifica?
Sim, o rock pode ser muito abrangente. E embora tenhamos algumas influências de funk e pop, penso que nos enquadramos no rock português.

Sei que tiveram uma passagem pelo palco da TVI. Como se proporcionou essa experiência, ainda por cima num canal bastante limitado em termos de abrangência musical e pouco dado a ondas mais rockeiras?
É óbvio que é sempre uma tarefa difícil chegar aos canais de televisão. É um circuito que está muito fechado, ainda mais, quando se trabalha sem agências. Neste caso, a oportunidade surgiu por intermédio da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, terra onde decorreu a emissão e onde nasceram os Xerife. Infelizmente, e apesar de não ter nada contra a música popular, hoje em dia só há espaço para esse tipo de música, sendo difícil para as bandas de rock ou pop-rock conseguirem integrar estes alinhamentos. Acho que deve haver lugar para tudo e que se deve dar voz às várias bandas que vão surgindo e que têm qualidade. Basta um pouco de projeção para se conseguir chegar bem mais longe.

Já tiveram, entretanto, o vosso concerto de apresentação do EP. Como correu?
Correu muito bem. Escolhemos a fantástica sala do Teatro Ibérico, em Lisboa, cheia de misticismo, onde já atuaram bandas como os Madredeus, por exemplo. Tivemos casa cheia e feedback muito positivo!

E há outras novidades a respeito da apresentação deste EP ao vivo?
Sim, dia 10 de abril vamos estar na FNAC Colombo, em Lisboa, pelas 17h, e dia 15 de abril na FNAC Almada. Estamos a tentar ir também ao centro e norte do país. Assim que tivermos novidades, iremos divulgar.

E para o futuro, que projetos estão previstos para os Xerife, nomeadamente no que diz respeito a um longa-duração?
Este ano vamos andar a promover este novo EP e começar a compor novos temas. Ainda não sabemos se será um disco, uma vez que hoje em dia o mercado musical está um pouco diferente. Ainda vamos pensar e decidir qual será o próximo passo.

Mais uma vez obrigado, Laura. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigada eu! Sim, quero agradecer ao Via Nocturna pela entrevista e por cumprir a tarefa árdua de ajudar a divulgar a nova música portuguesa!

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