quarta-feira, 9 de março de 2016

Entrevista: Youthless

This Glorious No Age não é só o novo longa-duração dos Youthless. O disco, a ser editado via Nos Discos, parte de algumas ideias de Marshall McLuhan acerca da descoberta da eletricidade e, daí, descobre as rotas que isso abriu para a humanidade. Daí que “este disco do duo seja, ao mesmo tempo, um renascimento e um embarque para o novo destino sonoro da banda – ainda fiel às suas irreverentes raízes no noisy garage, e ao mesmo tempo uma estrada aberta para um excitante novo território. Como se percebe da conversa que tivemos com o baterista e vocalista Alex Klimovitsky.

Olá, pessoal, tudo bem? Tudo a postos para o lançamento do novo álbum?
Sim! Estamos com muita pica e vontade de o mostrar ao vivo!

De que forma é que decorreu o trabalho desta vez?
Bem, este disco, por razões logísticas e por causa de uma lesão nas costas que tive, demorou imenso. A estrutura já estava feita em 2011 quando de repente me lesionei e tive que voltar para os EUA para a minha recuperação. A partir de aí, fomos trabalhando muito pouco a pouco no LP. Eu vinha a Portugal uns meses e fazíamos uns concertos cá ou no Reino Unido e gravávamos algumas coisas, e depois eu voltava de novo para os EUA. Mas isso deu tempo para a coisa crescer e desenvolver de uma maneira muito diferente do que estávamos habituados.

Relativamente a Monsta que diferenças apontam como mais significativas?
O EP Monsta foi exactamente o contrário... Fizémos tudo super-rápido, sem pensar muito na coisa e sem pensar numa estrutura nem nada. Foram só as primeiras músicas que inventámos e gravámos. Mas ainda gosto muito daquelas primeiras gravações e canções.

Continuam a dividir o tempo entre Londres e Lisboa. Qual das cidades é mais inspiradora para criar e trabalhar?
Como banda, sim dividimos o tempo entre Lisboa e Londres. Como indivíduos, Sebastiano mora cá a tempo inteiro com a sua namorada linda e a sua filha incrível de 3 anos. Eu sou mais nómada e nos últimos 4 anos tenho passado metade do ano em NY a trabalhar em música para teatro e outras coisas parecidas.

Depois de alguns prémios recebidos sentiram algum tipo de pressão no processo de criação de This Glorious No Age?
Não sentimos muita pressão de fora porque estávamos muito desligados disso, mas sim muita pressão interior porque a nossa visão era bastante épica e queríamos fazer lhe justiça.

Abordando agora mais detalhadamente este disco, parece haver um fio condutor entre as músicas, com um conjunto de interlúdios a fazer com que a música nunca pare. De alguma forma é um disco conceptual ou é apenas sequencial?
O disco é super-conceptual. Tem uma história específica com várias temáticas ressurgentes. Grande parte da temática deste LP é inspirada num pensador chamado Marshal Mcluhen que aborda como as ferramentas que os homens criam moldam a sua sociedade, e muito especificamente, a eletricidade. Por isso, o LP traça a viagem de um mundo antigo (em termos do Marshal Mcluhen, o mundo "pré-elétrico") para um mundo novo para o qual estamos a caminho. Como este é o nosso segundo trabalho discográfico (depois do primeiro EP Telemachy), e como nós somos um duo, decidimos também esconder os nomes de famosos duos da história de rock dentro dos títulos de muitas das músicas, de forma cronológica, para realçar esta ideia da transição do mundo acústico, ou mundo das leis mecânicas do Newton, para um mundo elétrico, do relativismo de Einstein e da subjetividade das leis quânticas.Tudo isto é a estrutura conceptual, mas depois as várias temáticas dentro desta estrutura são abordadas de forma muito pessoal. São todas experiências e músicas muito pessoais, sobre namoros, mortes, coisas reais na nossa vida, mas vistas através desta lente de partida de um mundo para o outro.

Sei que contaram com alguns convidados na elaboração deste disco. Qual o seu papel?
Sim, tivemos o Francisco Ferreira (Capitão Fausto, Bispo), João “Shela” Pereira (LAmA, Riding Pânico) e Duarte Ornelas a tocar teclados, Chris Common a fazer algumas percussões e Francisca Cortesão a cantar coros em duas músicas. Foi uma grande dádiva tê-los a todos no disco... Acrescentaram muito às composições e mudaram muito o nosso som, ao ponto de agora levarmos normalmente o Francisco ou o Shela connosco ao vivo. Acho que, de certa forma, eram texturas que eu e Sab sempre ouvíamos enquanto compúnhamos as músicas, os acordes silenciosos que sentíamos, ou um pad ou ruído… Mas agora materializou-se com os sintetizadores deles.

Antes desta entidade, Youthless, existiu uma outra chamada Three And A Quarter. Como se processou e porque se processou a transformação de uma noutra?
Não pensamos numa banda como continuação da outra. Eu, Sab e Guillermo (baterista/baixista dos Three and a Quarter) crescemos juntos e aprendemos a tocar juntos, por isso vamos sempre fazer música juntos de alguma maneira. Enquanto tocávamos nos TAAQ, também fazíamos muita outra música fora desse projeto com estilos muito variados, isto foi uma brincadeira que Sab e eu queríamos fazer para nos divertir e para eu aprender a tocar bateria e Sab gozar como um Boss no baixo. E depois a coisa é que nos levou por si só.

E agora segue-se a estrada, não é verdade? O que têm previsto?
Temos muitos concertos para a frente... Por agora, Portugal, Reino Unido e um pouco em Espanha.
- 11 de Março, Musicbox, Lisboa
- 12 de Março, Maus Hábitos, Porto
- 18 de Março, Texas Bar, Leiria
- 19 de Março, Salão Brazil, Coimbra
- 1 de Abril, Stairway Club, Cascais
- 15 de Abril, Pouca Terra, Barreiro
- 16 de Abril, Play-Doc, Galiza
- 23 de Abril, Fnac Braga
- 23 de Abril, Convento do Carmo, Braga

Mais uma vez obrigado. Querem acrescentar mais alguma coisa?
Sim… Venham aos concertos! As músicas ganham muito ao vivo e vão ser concertos muito divertidos. Também, para quem tiver interessado no conceito do LP, vamos disponibilizar as letras no nosso site. Obrigado nós.

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