segunda-feira, 11 de abril de 2016

Entrevista: InnerWish


Seis anos sem lançar nada de original parecia dar razão ao título do anterior álbum dos InnerWish: No Turning Back. Não que os fãs dos gregos já não estivessem habituados a longos intervalos entre discos. Mas este foi demasiado longo. E ultrapassadas que estão as questões internas com a entrada de dois elementos novos, os InnerWish renascem com um disco forte e melódico, sintomaticamente intitulado InnerWish. Foi um desses elementos novos, o baterista Fragiskos Samoilis, que nos falou desta nova vida dos InnerWish.

Olá Fragiskos, como estás? A última vez que conversamos (não contigo, mas com a banda!) foi há seis anos, de modo que o que aconteceu no reinado InnerWish durante este tempo?
Olá Pedro!! Estou bem e como banda, no geral, estamos muito bem! Na verdade, estamos muito felizes e aliviados uma vez que o novo álbum finalmente saiu e nós sentimos muito orgulho por isso! Muita coisa aconteceu, foi um período estranho e difícil para a banda com mudanças de formação e algumas coisas pessoais, mas acho que conseguimos ultrapassá-lo e tornarmo-nos mais fortes do que nunca!

E porque tanto tempo entre gravações?
Como disse antes, lidámos com mudanças de formação e algumas questões pessoais. Em relação à banda, mudou o baterista e o vocalista, entrando eu e o George Eikosipentakis. Na verdade, até 2013 não tivemos uma formação sólida pelo só poderíamos fazer algumas coisas. Quando o George entrou começamos a trabalhar em novo material. A máquina precisava de algum tempo para voltar a começar a trabalhar em pleno, mas à medida que o tempo foi passando, as coisas foram ficando cada vez melhores. O resultado é esta nova criança InnerWish.

De qualquer forma, nesse entretanto gravaram duas covers - Black Sabbath e Warlord. Foi esse o clique que precisavam para voltar à acção?
Na verdade, essas duas covers funcionaram como um test-drive para a nova formação e uma boa oportunidade para mostrar que ainda estamos aqui e vivos. Gravamos e percebemos que esta nova formação funciona muito bem. Foram como um kickstart desta nova faceta dos InnerWish. E claro a oportunidade para voltar a vivenciar alguns bons momentos em estúdio!

Este álbum acaba por ser como um renascimento - é por isso que colocaram o noma da banda como título para o álbum?
Como tu próprio disseste é um renascimento. Mas só por isso. Todos os seis de nós, e especialmente os quatro membros mais antigos, acreditam que esta é a melhor formação que já tivemos. Pelo menos do nosso ponto de vista. Como nos sentimos como uma equipa, como trabalhamos, como lidamos com as coisas, como nos comunicamos. E a melhor prova é este novo álbum. Isto é o que os InnerWish são. Mais do que nunca. O que vem depois é algo que não podemos prever. O que sabemos com certeza, é que nos sentimos melhor, mais confiantes e mais apaixonados como nunca. E podes dizer que também é uma declaração de que ainda estamos aqui. Para o bem, espero! (risos)

Neste álbum participas tu, um novo baterista e também há um novo vocalista. O que sucedeu que esteve na origem destas mudanças?
Eu entrei para a banda, por volta de 2010, apenas alguns meses após o lançamento de No Turning Back. Terry, o anterior baterista, teve que deixar a banda por algumas razões pessoais e entrei. Foi o nosso amigo, produtor, membro mais velho e, acima de tudo, o nosso irmão, Fotis Benardo (ex-baterista dos Septic Flesh) quem me introduziu nos InnerWish. Depois entrou George. Fizemos audições com vários vocalistas mas quando ouvimos a voz de George num ensaio, sentimos que seria ele e que não precisávamos de testar mais ninguém. Aliás, George foi a escolha de Babis (o nosso vocalista anterior). Ele insistiu para que o recrutássemos como seu substituto. E parece que ele sabia do que falava (risos).

E, pelo que se vê, os novos membros estão perfeitamente integrados na banda...
Parece que sim! E estamos muito felizes com isso. Às vezes, ser um novato (risos) não é tão simples, especialmente ao entrar numa banda com história e um nome estabelecido. Mas através do nosso trabalho, o resto dos elementos deram-nos confiança e respeitaram-nos e isso é visível no resultado final do álbum InnerWish.

Podemos considerar que este é o álbum mais forte dos InnerWish até à data?
Pelo menos para mim, é! Efetivamente, o mais forte e o melhor até à data. Adoro a sua diversidade. Adoro que não tivéssemos limites na sua criação e o facto deste álbum ser um esforço de equipa, como nenhum outro até agora. Tem toques modernos, algumas coisas mais obscuras, outras mais pesadas, elementos sinfónicos, mas mantendo sempre o groove e a melodia. É uma nova versão da nossa música. Tem as caraterísticas da discografia InnerWish, mas através de um prisma diferente. E tem a ver com a nova formação e as diferentes influências que cada um de nós tem na música. Vamos esperar que as pessoas tenham a mesma opinião que eu sobre o álbum... (risos).

De facto, ouvindo este novo álbum, acho que pode ser dividido em duas partes distintas: a primeira mais pesada e a segunda mais melódica. Simplesmente aconteceu ou foi premeditado?
Vou ser honesto e dizer "simplesmente aconteceu". Ou podia ser um filósofo musical e começar a dizer frases sem qualquer significado útil para provar que foi uma opção. Bem, aconteceu, simplesmente! Quando estávamos a fazer a lista de músicas para o álbum, sabíamos que queríamos algumas músicas no começo. E também sabíamos que queríamos que o álbum terminasse com Tame The Seven Seas. Tentamos manter um equilíbrio entre as músicas, sem pensar se seria mais melódico na segunda parte. Mas concordo contigo. É como dizes. Mas não foi de propósito. Pelo menos nós não o fizemos com isso em mente.

Cheio de energia, poder e paixão. É esta a melhor maneira de descrever os InnerWish?
Até agora estamos de acordo em muitas coisas, Pedro (risos)! Energia, paixão, poder e melodia. Sim, isso descreve muito bem os InnerWish! Sabes que a música é como todos e cada um a percebe, mas do nosso lado, ser apaixonados, poderosos, melódicos e enérgicos, é o que queremos. E isso é porque nós escrevemos músicas que vêm dos nossos corações para nos expressarmos e não para nos tornarmos ricos e famosos e fingirmos ser rock-stars. A nossa música reflete-nos a nós mesmos. Assim…

E a agora? Não vamos ter de esperar mais seis anos para um novo álbum, pois não?
(Risos) Nem quero nem pensar nisso, man!!! Não. Já temos algumas coisas prontas até certo ponto. Uma ou duas canções quase completas, alguns coros, algumas partes. Portanto, acho que nenhum de nós terá de esperar por um novo período de seis anos. Mal terminem as nossas performances ao vivo, iremos começar a trabalhar num novo álbum.

Já que falamos de aparições ao vivo, o tem agendado?
Temos alguns shows agendados aqui na Grécia, em abril e maio. Também iremos tocar à Holanda nos dias 23 e 24 de abril. Estamos a tentar agendar mais alguns concertos porque queremos promover este álbum, tanto quanto pudermos. E a melhor maneira para o fazer é tocar ao vivo. Tu poderias organizar um espetáculo em Portugal? Ou dois ou três? (risos)

Muito obrigado, Fragiskos! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Agradecemos por nos dares esta oportunidade de podermos estar na Via Nocturna! Espero que tenhas gostado do nosso novo álbum e que os fãs portugueses se divirtam! Seria ótimo ir a Portugal para alguns shows ao vivo e conhecer-te pessoalmente a ti e a todos os nossos fãs. Tenham cuidado, respeitem-se e amem-se uns aos outros e que todos os vossos desejos íntimos se realizem! Ou estamos unidos ou caímos…

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