quarta-feira, 4 de maio de 2016

Entrevista: Ian Parry's Rock Emporium

Ian Parry dispensa apresentações: uma carreira de mais de vinte e cinco anos, com álbuns lançados com as mais diversas bandas, sob o seu desígnio ou como convidado. Agora dá-se o seu regresso às raízes do rock, iniciando mais um projeto – Rock Emporium. A sociedade de amigos que juntou acabou por servir de mote para o nome do álbum de estreia e também para a nossa conversa em redor do seu novo disco Society Of Friends.

Olá Ian! Como estás? Depois de uma carreira de 25 anos em teu nome, em nome de outros projetos teus e mesmo a colaborar com outros projetos, quando sentiste que era a altura certa para começar algo novo - Rock Emporium?
Comecei a escrever e gravar ideias e canções para Rock Emporium por volta de 2011 depois de ter gravado o quinto e último álbum Especies dos Consortium Project.

Quais eram as tuas expectativas e motivações quando começaste a trabalhar neste material e projeto?
Basicamente voltar às minhas raízes do rock. Sempre gostei do lado melódico da música, especialmente o rock. Por isso, quando fechei o livro sobre o conceito do quinto álbum de Consortium Project, era o momento ideal para começar a montar todas as músicas e músicos para o álbum de estreia de Rock Emporium.

E desde o início sempre soubeste quem irias convidar?
Acho que os meus antigos colegas aqui na Holanda, Barend Courbois dos Blind Guardian, Timo Somers dos Delain e posteriormente o guitarrista alemão Christian Muenzner. Fiquei totalmente deslumbrado com o trabalho de guitarra de Christian no álbum dos Eternity’s End que gravamos juntos. Espero trabalhar em mais músicas co-escritas com Christian para um segundo álbum de Rock Emporium.

E este é um line-up estável para ir contigo em tournée ou são apenas músicos de sessão?
Desde que acrescentei o baterista sueco Imre Daun (Gypsy Rose/The Clan do ex-guitarrista dos Thin Lizzy, Brian Robertson) tenho o corpo principal de músicos para a banda. A dificuldade em trabalhar com músicos profissionais de classe top é encontrar tempo entre as suas agendas super-ocupadas para fazer espetáculos ao vivo com Rock Emporium, mas tenho alguns espetáculos previstos para breve.

De qualquer forma, para além do núcleo duro da banda tens alguns convidados. Como se proporcionou a sua junção ao Rock Emporium?
O meu plano original era trabalhar apenas com os músicos principais, mas como gastei cerca de 4 anos a escrever e gravar Society Of Friends, algumas canções foram coescritas com Dimitris Goutziamanis (ex-Crystal Tears), que, em seguida, começou a sua própria banda Astral Crossing. Isso deixou-me com um homem a menos. Assim, para a balada acústica Most Unforgivable Thing pedi ao guitarrista holandês Peter van Heijningen para intervir nessa canção. Anteriormente tinha feito algumas partes narradas para a banda de Peter e sabia que ele toca a guitarra acústica de forma muito bela, pelo que quando toquei a demo original da canção ele adorou. E foi mais ou menos isto que se passou com o resto das canções durante os 4 anos quês estive a escrever e gravar.

Suponho que todos eles formem a tal Society Of Friends
Para título do álbum é um nome muito simples. Para mim, na música sempre foi como uma sociedade de amigos trabalhando com grandes músicos e algumas pessoas muito boas e divertidas e quando trabalhamos juntos tem sido sempre a trabalhar com amigos como uma grande e feliz família.

Este disco acaba por marcar o teu regresso à Escape Music com quem lançaste o álbum Visions em 2006. Em dez anos, muitas coisas mudaram. Como sentes este período de transformação?
Muito fácil. Sabia que a Escape Music adoraria a estreia Society Of Friends de Rock Emporium, simplesmente porque gostam de rock melódico. Por isso, a Escape Music era a escolha óbvia. Os álbuns anteriores eram mais prog-metal e a Escape normalmente só lança álbuns de rock melódico como Rock Emporium.

Pelo meio lançaste um álbum com a Consortium Project. Como está a situação deste projeto atualmente?
Em 2011 a Lion Music lançou Species como o quinto e último capítulo da minha história conceptual de Consortium Project. Depois, mais tarde, em 2012, foi a vez de Quadrilogy, os restantes quatro álbum remasterizados. Quem sabe talvez com uma nova inspiração e os apoios certos eu possa pensar em fazer um álbum de Consortium VI (CP 6).

Olhando para trás, tens (por favor corrige-me se estiver errado) mais de 20 álbuns gravados e lançados. Se eu te pedisse para escolher alguns dos mais relevantes para ti, quais escolherias?
Society Of Friends é o meu 25º álbum lançado, contando com o recente lançamento do álbum Fire Within dos Eternity’s End de Christian Muenzner e todos os lançamentos dos Elegy, os meus quatro álbuns a solo e muitos álbuns como convidado. Acho que as produções mais impressionantes que já fiz foram com o produtor Tommy Newton que gravou e misturou Manifestation Of Fear dos Elegy e Criminals & Kings de Consortium Project I. Mas quanto ao meu próprio trabalho, obviamente, adoro algumas das novas faixas de Rock Emporium não só como cantor, mas também como compositor. Gosto muito de uma faixa como Innocent Minds do meu quarto álbum a solo Visions, que a Escape Music lançou em 2006.

Rock Emporium e Consortium Project poderão coexistir? São projetos complementares?
No passado, gravei um álbum com Elegy, enquanto escrevia e gravava canções para Consortium Project bem como gravava com Ayreon e Kamelot além de participar como convidado em Royal Hunt, Mob Rules e outros. Portanto, este nunca foi um problema. Na verdade tenho mais inspiração trabalhando em diferentes álbuns e projetos por isso é uma coisa positiva, gravar diferentes estilos de música.

E, à semelhança de CP, Rock Emporium voltará a ser uma jornada épica? Quer dizer, Society Of Friends terá continuação?
Essa é a minha intenção agora que estou de volta às minhas raízes musicais. As reações para este álbum de estreia de Rock Emporium são muito positivas e, obviamente, sendo o primeiro álbum da banda a música vai desenvolver-se ao longo do tempo, pelo que tenho grandes esperanças para um grande futuro para os Rock Emporium.

Bem Ian, mais uma vez muito obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Como sempre, quero agradecer a todos vocês na Via Nocturna por me apoiarem e como sempre aos teus leitores e fãs em todo o mundo por ajudar a manter a nossa música Alive 'n' Kickin'. Obrigado a todos em nome dos meus colegas. Espero poder ver-vos a todos ao vivo em breve.

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