segunda-feira, 9 de maio de 2016

Entrevista: The Loafing Heroes

Poucos dias depois da apresentação do seu novo álbum, Via Nocturna conversou com os The Loafing Heroes a respeito, entre outras coisas, precisamente de The Baron In The Trees. O coletivo, mais ou menos sediado em Lisboa e resultante da conjugação de ideias de gente de diversos países, continua a sua trajetória errante e vagabunda originário na visão de Milan Kundera.

Olá tudo bem? Novo álbum cá fora, mas antes podemos ir um pouco lá atrás? Como se proporcionou o nascimento deste coletivo com elementos dos mais diversos países?
A banda surgiu quando o vocalista e compositor principal, Bartholomew Ryan, estava na Dinamarca – juntou-se com outros músicos e formaram os Loafing Heroes, banda de inspiração errante, vagabunda, com variadíssimas formações até chegar à formação que tem hoje. Depois passou por Berlim e, finalmente, Lisboa, onde toca com uma italiana, um português, uma alemã, um inglês, uma americana...o projecto nasceu da vontade de fundir música com poesia e literatura, a inspiração vem de Milan Kundera, que fala dos “loafing heroes” de outrora, heróis que erram pela vida sem propósito aparente, assimilando tudo.

Na altura da vossa junção, que motivos e objetivos vos norteavam?
Talvez uma vontade de desbravar novos territórios. A música é uma expressão coletiva de afetos, poesia e vontade de contar histórias. As canções contam muitas histórias, quase todas elas relacionadas com o tema da perda e da regeneração constante do ser humano. O álbum anterior, Crossing the Threshold, apontava neste sentido: uma fronteira atravessada e um novo começo, no limiar de uma descoberta sobre o amor, os outros, o nosso destino no mundo. As histórias contadas vêm complementar estes temas abundantes na nossa música.

E quanto a The Baron In The Trees, de que forma marca a vossa evolução enquanto pessoas e músicos?
É um álbum sobre a procura de sentido através de várias personagens e vozes. Sim, há personagens – como o solitário em Javali que denuncia o fim do amor, ou a enigmática personagem feminina em Gypsy Waltz, que tenta seduzir um homem para o enfeitiçar; ou alguém perdido numa floresta, em Soul, acometido do vazio existencial e prestando atenção aos animais que encontra; mas todas estas histórias cabem na Grande História humana, a da procura de sentido. The Baron in the Trees, inspirado por Italo Calvino, é um lamento e uma exaltação da vida fora do quotidiano, dos afazeres, da mundanidade; é uma busca pelo lado espiritual da experiência humana.

Aqui chegados, e sendo um álbum claramente TLH, perguntava-te se aproxima ou distancia dos álbuns anteriores?
É uma continuidade cheia de ruturas. É um álbum mais orquestral, com os vários instrumentos (e são muitos) em sintonia e equilíbrio. As melodias foram sendo construídas ao longo de dois anos, dois anos e meio. O produtor, Tad Klimp, que veio de Berlim para fazer o disco, teve muita influência nesta riqueza e subtileza do disco, que nos parece muito bonito mas sem ser excessivo – tudo está na conta certa. Continua a ser TLH, mas com uma enorme dose de lirismo e composição à mistura, muito mais complexo do que os outros álbuns.

Em termos estilísticos suponho que este álbum resulta da junção das influências de cada um. Como é que depois constroem sobre essa diversidade?
Vamos construindo nos ensaios e à distância, porque a banda não está sempre junta, há pessoas que vivem em países diferentes. Quando nos juntamos já chegamos com muita coisa preparada, baseada na primeira construção harmónica e melódica. Em Lisboa ensaiamos a três ou quatro pessoas e depois, quando há concertos e os outros membros se podem apresentar, ensaiamos todos juntos e vamos encontrando o formato perfeito para as canções.

Dia 6 foi a apresentação do disco em Lisboa, no MusicBox. Como correu? Que surpresas guardaram para essa noite?
O concerto foi na sexta-feira. Não tivemos surpresas, mas sim um alinhamento muito direcionado para este álbum – mostramos todo o disco com um toque ou dois ao passado, mas mais nada. Foi um momento simples e bonito para tocarmos ao vivo estas canções nas quais trabalhámos durante dois anos e meio.

Que outras ideias têm em mente para o futuro no que concerne à promoção deste novo álbum?
Fazer outros concertos, noutros lados, com outros públicos, possivelmente noutros países.

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