quarta-feira, 1 de junho de 2016

Entrevista: Hardholz

Os Hardholz estão de volta… 17 anos depois! Uma das mais importantes bandas da ex-RDA, a comemorar o seu trigésimo aniversário (mesmo considerando esse longo hiato como Hardholz) ganharam uma vida nova, assinaram pela Massacre Records e lançam o seu novo trabalho que mais não é que um recompilatório dos melhores momentos do coletivo adicionado de alguns temas da nova fase. Via Nocturna saúda este regresso.

Viva! Tudo bem? Obrigado pela disponibilidade. Novo álbum... 17 anos depois! O que sentem neste momento?
Não nos sentimos como recém-nascidos, mas estamos absolutamente bem. É muito bom voltar a fazer parte da comunidade metaleira outra vez!

Ao longo destes anos estiveram envolvidos em vários outros projetos. Qual ou quais vos deram mais prazer fazer?
Somos músicos, por isso nunca iremos parar de fazer música. Após a queda do Muro de Berlim, no início dos anos noventa, o público diminuiu e havia pouquíssimas oportunidades para tocar ao vivo. O Heavy Metal internacional entrou em uma crise, porque o Grunge e o Nu Metal eram os favoritos na altura. Mesmo com produções próprias, como o álbum Jäger und Gejagte, em 1995, não resultou. Portanto, tivemos que colocar os Hardholz em banho-maria, em 1997. Para continuar a fazer música começamos a trabalhar com outros projetos, alguns juntos e outros com um line-up completamente novo. Der Hölzer esteve com os Eisregen de 1998 a 2000, tendo produzido os álbuns Leichenlager, Fleischfestival e Farbenfinsternis. Nessa altura, os Eisregen também estiveram em festivais como o Wacken Open Air e o Partysan. Foi muito especial e intensificaram a paixão pelo metal. Mais tarde, um outro projeto de Franky, Ede e Hölzer foi Pyrox (Industrial). Foi a banda do agora internacionalmente conhecido Hubertus "Masters of Hellfire" Wawra. Franky foi, também, durante cerca de 14 anos, o baterista da lendária banda de blues Klappstuhl. Ele colocou o seu coração e a sua alma nesse projeto até o vocalista e guitarrista Dieter Georgi (R.I.P.) falecer em 2014. Houve mais alguns e bem diversos projetos e bandas de covers com muitas constelações, das quais fizemos parte. Numa festa em 2013 decidimos, finalmente, começar a reunião dos Hardholz. O concerto oficial da reunião foi em 2014, com quatro elementos do line-up onde também veio à tona o 30º aniversário da formação da banda.  

Ainda estão envolvidos em alguns deles?
Ao longo dos anos, constelações muito interessantes foram fundadas. Portanto, hoje, cada Hardhölzer é também uma parte de outras bandas como Daily Dirt Reloaded, The Thors ou AudioXPerience.

O que é diferente nos Hardholz atualmente?
Os Hardholz têm um line-up diferente. Se na década de 1990 tínhamos 2 guitarras, agora temos apenas uma. Portanto algumas coisas na composição e no som mudaram. Mas é para compensar com linhas de baixo adequadas ou utilização de efeitos. Não importava para a produção de CD. Embora na produção digital do álbum todos nós tenhamos permanecido fiéis ao nosso estilo. Finalmente pudemos produzir as nossas músicas como quisemos sem quaisquer restrições técnicas.

Esta coleção de músicas é completamente nova ou há músicas que, eventualmente, tenham sido escritas antes?
Herzinfarkt é o nosso primeiro álbum regular com editora e marketing adequado. Portanto, decidimos lançar, com exceção do tema título, os nossos melhores temas dos nossos 30 anos. Charon, Asphaltlady, Tannhäuser, Wieland der Schmied e Praeludium Wielandia são as nossas canções dos anos 80. O Praeludium é quase desconhecido porque nunca foi lançado antes e, também, sofreu um rearranjo para este disco. A canção mais nova é Herzinfarkt. É como Hartholz, um produto do trabalho atual da banda. As canções restantes, já tinham sido lançadas no nosso álbum de estreia, Jäger und Gejagte, mas para o novo álbum também sofreram rearranjos e, claro, tiveram uma produção muito melhor.

Para que não vos conhece, como descreveriam a vossa música?
Hardholz toca a velha escola de Heavy Metal com Thrash e elementos épicos, emparelhado com letras em alemão, abrangendo sagas e tempos medievais até aos problemas atuais.

A língua alemã continua a ser a principal forma de se expressarem. É uma questão de conforto ou outro motivo?
Nos primórdios, na década de 1980 não havia tanta gente com letras em inglês. Apenas um pouco antes da queda do Muro de Berlim as letras em inglês começaram a tornar-se socialmente aceitáveis para a radiodifusão sonora. Também as letras em alemão são mais apelativas, toda a gente pode cantar mesmo sem conhecimentos de inglês e assim foi. Não era nada de especial na RDA. Muitos grupos de metal cantam em alemão.

E de facto, têm vivido bons momentos – comemoração do 30º aniversário, assinar com a Massacre Records e agora um novo álbum. Definitivamente, os Hardholz estão de volta para ficar e deixar a sua marca...
Absolutamente. Mais concertos e um ou outro festival ainda estão em planificação e, claro, ainda estamos a trabalhar em novos lançamentos.

E agora falando sobre o futuro - o que têm os Hardholz ainda para oferecer ao metal e que objetivos ainda anseiam atingir?
Tocar em festivais como o Wacken ou Sommerbreeze, ter muitos concertos, tocar tanto quanto pudermos - mas, infelizmente, isso não é fácil de alcançar. 

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