segunda-feira, 6 de junho de 2016

Entrevista: Mad Hatter's Den


Nome estranho… Mad Hatter’s Den! Música de grande qualidade. Comprovem-no em Excelsior, o novo trabalho dos finlandeses. Jaakoo Hänninen, guitarrista, falou abertamente de como a banda tem vindo a evoluir de forma notável conseguindo atingir o nível percetível na nova rodela.

Olá Jaakko, como estás? Obrigado pela disponibilidade! Importas-te de apresentar a banda aos metaleiros portugueses?
Olá e um grande obrigado por esta entrevista! Mad Hatter’s Den vêm da Finlândia e é mais fácil dizer que tocamos heavy metal, uma vez que fazemos alguns saltos entre géneros pesados. Pode dizer-se que é heavy metal melódico com influências sinfónicas, mas temos vindo a fazer também algumas canções que são mais progressivas e também mais pesadas… e neoclássicas... e power metal... o que quer que seja que as letras e o sentimento da história requeiram. No fim, apenas tentamos fazer boa música e boas canções e álbuns. Tudo deve encaixar bem. Tem sido bom surpreender as pessoas com alguns arranjos nas músicas.

Podes contar um pouco da vossa história até agora?
Os Mad Hatter’s Den foram fundados por mim em 2010, mas já existia como uma banda de covers de Iron Maiden desde 2006. O lineup dessa banda era o mesmo do primeiro álbum Welcome To The Den adicionado de um teclista. Formar esta banda era um sonho de há muito e algumas canções em ambos os nossos álbuns foram compostas ainda na década de 90. Fizemos dois álbuns, um single chamado Stone Cold Flame e um EP Dark Wheel. Depois houve algumas mudanças na formação. O baterista Tapio Korkeila e o baixista Harri Hautsalo deixaram a banda, porque não tinham disponibilidade de tempo. O mesmo se passou com o vocalista Taage Laiho que estava muito ocupado com as suas outras bandas. Assim, tivemos que seguir em frente. O baterista Arto Pitkänen juntou-se a nós quando estávamos na tour de 2013 e a promover o nosso álbum de estreia. Jarno Vitri juntou-se mais tarde no baixo. Tocamos cerca de um ano e compusemos novas canções mas depois tivemos que continuar sem o vocalista anterior. Fizemos várias audições mas não encontramos um que tivesse disponibilidade suficiente para a banda nem a sonoridade e alcance pretendido. Jarno já havia composto a maioria das melodias vocais durante o processo de composição e também escreveu letras para algumas músicas. Finalmente, apercebemo-nos que Jarno podia fazer as duas coisas... tocar baixo e cantar. Todas estas alterações ajudaram a expandir o nosso estilo numa direção mais sinfónica. Mas ainda temos algumas canções mais básica de heavy metal tradicional.

Nome curioso o vosso. Há algum motivo especial para o seu surgimento?
Mad Hatter´s Den é uma música feita por uma banda finlandesa chamada Stone que era bastante importante aqui na Finlândia nos anos 80 e também para mim. Uma grande banda com canções agradáveis ​​que continham estranhas harmonias de guitarra e estruturas musicais. Eles foram uma das razões para começar a fazer a minha própria música. Mad Hatter’s Den parecia o nome certo para isso. É bastante estranho e soa bem.

Portanto, essas alterações de formação marcaram, definitivamente, Excelsior, o seu novo álbum?
Mudaram o estilo, com certeza. Foi possível utilizar diferentes tipos de elementos e influências. Também tentamos encontrar um som e estilo mais original para a banda. Tudo isso aconteceu de forma muito natural e fácil. A composição do álbum não demorou muito tempo. Os arranjos finais levaram mais tempo, mas principalmente porque, ao mesmo tempo, tentamos encontrar um novo vocalista. Os membros atuais são trabalhadores dedicados e têm muitas ideias.

Os novos membros já tiveram a oportunidade de colaborar no processo de composição?
Há três compositores diferentes no álbum Excelsior. Eu fiz a maior parte das canções, Petja três e Jarno uma. É bom, porque agora não tenho que compor todas as músicas sozinho. Compor músicas próprias é a coisa mais importante para mim, juntamento com tocar ao vivo, mas poder usar temas de outros elementos dá-nos mais possibilidades e variações. No álbum de estreia Petja tinha criado uma música e eu as restantes. O primeiro single do álbum, Hero’s End (At the Silver Gates) foi feito por mim, mas Jarno compôs algumas partes no meio da canção. Foi a primeira vez que houve mais que um compositor numa canção.

Daí, claramente, também, Exclesior ser um disco mais diversificado…
Temos origens e gostos musicais bastante diferentes, mas de alguma forma, no conjunto, todos encaixam bem. Arto é músico profissional há dez anos e já tocou uma variedade de estilos. Petja já fez música clássica e jazz e estuda teoria musical. Kari ainda toca comigo versões de Iron Maiden, Judas Priest, Accept, Rainbow, Black Sabbath, etc quando temos tempo para isso. Eu também fiz um pouco de rock progressivo, enquanto Jarno está mais envolvido no metal progressivo. Iron Maiden é, provavelmente, o ponto de encontro no centro de tudo. De qualquer forma, é claro que é mais difícil para nós sermos uma banda de um género apenas e não queremos copiar Iron Maiden ou qualquer outra coisa…bem, exceto Trail of Fears.

E com tal diversidade posso perguntar-te de onde vem toda essa inspiração?
Ouvimos muitos tipos diferentes de música desde os anos 80 e também tocamos em bastantes e diferentes tipos de bandas. Acho que tem que se ter uma mente bastante aberta para as influências e tentar não limitar ou restringir-se em demasia. Para compor alguma coisa tens de estar com o feeling certo e às vezes começa quando compras discos novos que te fazem ficar animado de forma a começar a tocar versões. King Diamond funciona normalmente para mim… foi assim que surgiu Break the Chains (Into The Black). Algo dá esse ponto de partida. Pelo menos, normalmente é assim para mim. Diferentes métodos dão origem a diferentes tipos de canções... Como quando estás a compor com guitarra, teclado ou computador ou quando tudo acontece apenas na tua cabeça. Às vezes tocar e improvisar com a banda é a chave. É possível que tenhas uma música completa em poucas horas ou pode levar algumas décadas com algumas músicas.

No campo lírico, quais são os principais tópicos abordados?
Principalmente fantasia. Alguns planos e ações maléficos de Mad Hatter por trás de tudo. Pelo menos é assim por agora. Se verificarem as letras com cuidado, conseguem encontrar algum tipo de história ao longo do álbum. Não é muito óbvio e todas as músicas também fazem sentido quando analisadas de forma individual.

Como foi o tempo passado em estúdio?
Trabalho duro e longos dias, seguramente. Demora muito, mas é muito gratificante quando as coisas começam a ficar no seu devido lugar, especialmente no final. Tentamos concentrarmo-nos no que estávamos a fazer mas mantendo uma sensação de relaxamento para que no final o resultado fosse um bom som e com toda a energia lá presente. Já tínhamos gravado a bateria no início do ano passado, por isso demorou quase um ano, em parte porque tivemos que arranjar um novo vocalista. Acredito que na próxima vez será novamente diferente. Aprendemos muito desta vez.

Têm alguma tournée prevista para promover este álbum?
Atualmente estamos em digressão pela Finlândia e também vamos estar em alguns festivais porreiros: Jalometalli (com Anthrax, Sabaton e assim por diante) e Dark River Festival (Korpiklaani etc). Haverá mais alguns espetáculos, mas para já não temos quaisquer planos para tocar fora da Finlândia, mas é claro que isso seria muito bom. Isso é o que gostaríamos de fazer. Devemos encontrar os contactos certos e dinheiro para isso. Esperemos que isso aconteça em breve!

Mais uma vez Jaakko, obrigado por este momento…
Mais uma vez muito obrigado pela entrevista! É sempre bom poder mostrar o que fizemos e o que estamos a tentar fazer. Há muita concorrência, por isso tens que te concentrar e tentar fazer o melhor e toda a promoção que se conseguir é bem-vinda. Vocês podem ouvir as nossas canções nos diversos canais digitais como Spotify, iTunes, Deezer, GooglePlay e, claro, Youtube. A propósito, temos um vídeo épico fantástico do tema Hero’s End (At the Silver Gates) que foi filmado no Castelo de Turku e nas ruínas de Kuusisto. Devem ver! Está incrível. Se gostam da nossa música por favor, comprem o nosso CD, se possível! Isso é grande ajuda. Se não puderem, sempre podem espalhar o trabalho. Obrigado a todos!

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