sexta-feira, 10 de junho de 2016

Entrevista: Miss Lava

Sucessor do EP homónimo lançado em 2008 e dos álbuns Blues For The Dangerous Miles (2009) e Red Supergiant (2012), Sonic Debris, novo trabalho dos Miss Lava testemunha a exploração de novas paisagens sonoras pela banda, consequência de um processo criativo mais aberto e inclusivo, que os levou a projetar estilhaços sonoros distorcidos, asteroides psicadélicos e bestas obscuras. O disco é, de facto, uma viagem sónica com uma diversidade ainda não evidenciada pela banda, como confirma o próprio Johnny Lee.

Olá Johnny, tudo bem? Já lá vão cerca de seis anos desde a última vez que conversamos. Como foi a vida no seio dos Miss Lava durante este período?
Ui, aconteceu tanta coisa boa!... Desde aí, lançámos o segundo álbum Red Supergiant por duas editoras diferentes, com duas misturas diferentes, uma em 2012 pela Raging Planet e outra em 2013 pela Small Stone Records. Andámos a promover esse disco por todo o lado, tanto cá dentro como lá fora. Tocámos no palco principal do Super Bock Super Bock com Queens Of The Stone Age, tal como em outros festivais importantes em Portugal, Alemanha e Espanha. Tivemos também algumas primeiras partes importantes. Pelo caminho perdemos o nosso baixista/produtor e fundador da banda, Samuel Rebelo, que decidiu sair para formar os Stone Cold Lips e entrou o Ricardo Ferreira dos We Buffalo. O ano passado gravámos um novo álbum Sonic Debri que está prestes a sair em vinil e CD via Small Stone Records.

O que hoje nos traz aqui é, precisamente, a edição desse Sonic Debris, o vosso novo álbum. Desta vez acabam por explorar novas sonoridades. Sentiram necessidade de se reinventarem ou simplesmente aconteceu?
Diria que com o afastamento do Samuel que era o principal compositor da banda, houve mais espaço para cada um de nós explorar mais um pouco. Este novo trabalho teve um processo de composição muito mais inclusivo que os anteriores. Desta vez toda a gente contribuiu para a composição do álbum, num processo super natural e fluido. Nós tínhamos a necessidade de fazer algo diferente, mas sem perder a identidade da banda, mas nenhuma música “nasceu” de forma forçada. Foi tudo bem natural até. Muitas músicas surgem em jams na sala de ensaio, outras, a partir de pequenas ideias que alguém trouxe, que depois todos juntos as fizemos crescer.

O álbum saiu à pouco tempo, mas anterormente já tinham sido dado a conhecer alguns temas, nomeadamente Another Beast Is Born, The Silent Ghost Of Doom e In The Arms Of The Freaks. Já têm algum feedback para estes primeiros temas?
Felizmente o feedback tem sido bastante positivo. Temos sentido que o interesse pela banda tem vindo a crescer, e que as pessoas reconhecem que estamos diferentes e talvez um pouco mais maduros. Já saíram algumas reviews excelentes ao álbum e não podíamos estar mais contentes com o feedback que recebemos até agora tanto em relação a essas músicas tal com ao disco todo.

Aliás o vídeo de In The Arms Of The Freaks teve estreia na conceituada Revolver. Mais um grande motivo de orgulho para os Miss Lava…
Sim claro, não é todos os dias que temos uma revista tão conceituada a mostrar interesse na tua banda. É de facto fantástico poder estar em destaque numa publicação com este prestígio que chega a tanta gente no mundo, especialmente nos Estados Unidos. Também o vídeo para o The Silent Ghost of Doom teve o destaque no site theobelisk.net, um dos sites mais importantes e influentes sobre o universo Stoner, que posteriormente disponibilizaram o álbum para o poderes ouvir na totalidade.

Quanto ao vídeo de The Silent Ghost Of Doom foi filmado no Ateneu. Como se sentiram a gravar num local com tanta história?
O Ateneu é de facto um sítio maravilhoso com muita história e era importante que o local tivesse história porque tem muito a ver com a letra da música. Ao início éramos para gravar o vídeo no campo de basquete que existe no interior, mas felizmente tal não foi possível, porque ao lado no Coliseu tocava a Patti Smith. Digo felizmente, porque a alternativa que nos arranjaram foi uma sala lindíssima com um espelho e um candeeiro que só por si dispensava qualquer outro tipo de cenário. Não podíamos ter arranjado set melhor.

E pelo que percebi, há mais vídeos a serem preparados não é verdade?
Sim, estamos a planear lançar vários vídeos para este álbum. Um deles, para a primeira música do álbum, Another Beast Is Born, que só não foi ainda gravado porque houve um conflito de agendas entre alguns atores e o pessoal da produção. O vídeo será gravado pelo nosso querido amigo e companheiro Mike Ghost.

Em Sonic Debris contam com alguns convidados. Como se proporcionou a sua entrada neste processo?
Sim, tivemos várias colaborações neste disco, algumas por acaso, outras mais pensadas. A gravação deste álbum foi um processo muito aberto aos nossos amigos e se um deles nos ligasse a dizer que ia passar pelo estúdio, era sempre bem vindo. Alguns dos que passaram pelo estúdio acabaram por ficar gravados. Foi o caso do Marco Resende e do Salvador Gouveia que acabaram por fazer alguns backing vocals na Another Beast Is Born. Noutros casos como na The Silent Ghost Of Doom, achávamos que a minha voz não estava a funcionar muito bem e que precisávamos de uma voz diferente, de preferência com um inglês mais fluído que o meu. Falámos com o Rui Guerra dos The Quartet Of Woah!, que viveu muitos anos no Canadá. O Rui interpretou de forma perfeita e enriqueceu bastante a música. Outra participação importante surgiu por convite. É a dos Jónatas, baixista dos The Rising Sun Experience, que com o seu Teremin veio  adicionar vários layers de psicadelismo às músicas I’m The Asteroid e In A Sonic Fire We Shall Burn. Por fim, também na  música In A Sonic Fire We Shall Burn, tivemos a participação espontânea do Fernando Matias, produtor do álbum, que adicionou umas guitarras bem ao estilo western e que para nós levou a música para outro nível.

Já tiveram oportunidade de experimentar estes temas ao vivo? Como foi a reação?
Sim, já tocamos alguns há 2doisanos e So far so good... Os temas têm sido muito bem recebidos e para nós tem sido uma lufada de ar fresco poder tocar estas músicas novas porque mostram um outro lado de Miss Lava também ao vivo.

Para os próximos tempos que outras ações de promoção têm planeadas?
Bom... quando fomos para estúdio a ideia era gravar 12 temas para escolher 10. Acabámos por gravar 14 para escolher 10. As 4 que sobraram achamos que vai dar um excelente EP em vinil e a ideia é ter esse EP à venda em exclusivo nos concertos. Além desse EP, está prevista também a edição em Vinil pela Raging Planet do nosso primeiro álbum Blues For The Dangerous Miles. Acreditamos que também irão aparecer mais 2 ou 3 vídeos para promover o nosso novo álbum.

Muito obrigado Johnny! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Esperamos que oiçam, partilhem, comprem, comentem e gostem do nosso novo disco. Queremos agradecer à Via Nocturna pelo interesse e pela entrevista. Muito obrigado e até à próxima

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