quarta-feira, 8 de junho de 2016

Entrevista: Re-Verso

Os Re-Verso são um novo grupo cujas canções aliam elementos musicais Pop, Rock e Folk às palavras de grandes poetas da língua portuguesa, entre eles Fernando Pessoa e Miguel Torga. Nuno Ferreira (voz e guitarra) foi o mentor da ideia e da cumplicidade musical entre si, João Custódio (baixo) e João Rijo (bateria), cimentada ao longo de anos de convivência musical, nasceram estas canções que procuram expressar o espírito dos nossos tempos.

Olá Nuno, tudo bem? Fala-nos deste teu novo projeto, Re-Verso. Quando começaste a pensar a fazer uma coisa deste género?
A ideia dos Re-Verso surgiu em finais de 2013 - tinha muitas ideias musicais que queria explorar em forma de canções e vontade de fazer um projeto em português. Já tinha composto e gravado quatro discos de composições minhas (instrumentais) na área do Jazz e também tinha tido algumas incursões na escrita de canções, mas sempre em Inglês, e queria explorar algo diferente...

Acaba por ser um projeto, se não inédito, pelo menos não muito visto. Este passo foi um risco calculado? 
O elemento menos comum é, a meu ver, ouvir poemas cantados com o tipo de sonoridade que os Re-Verso têm - creio que muita gente pode ter uma expetativa em relação a como soará a nossa Música quando sabem que as letras são de poetas como o Pessoa e o Torga, por isso prefiro que ouçam as canções antes de saberem de quem são as letras... O risco menos calculado foi a “loucura” de embarcar nesta aventura, em particular o de me assumir como cantor e escritor de canções de um grupo rock aos 40 anos...

Qual foi o critério de escolha dos poemas para musicares?
Em primeiro lugar tem de ser algo de que goste e com cuja mensagem me identifique. Além disso procurei que a linguagem e vocabulário dos poemas que escolhi fosse atual e, de certo modo, acessível e compatível com o tipo de sonoridade das canções, a métrica das palavras também é muito importante – alguns poemas sugerem muitas ideias melódicas e rítmicas...

Acabaste apenas por te cingir a dois escritores – Miguel Torga e Fernando Pessoa. Teve apenas a ver com o teu gosto literário?
 Confesso que adoro a obra poética de ambos e o meu processo de criação passou por ler avidamente muitos poemas do Pessoa (em particular do “cancioneiro”) e (quase) todos do Torga de forma a selecionar os que mais se enquadravam neste projeto. No entanto os Re-Verso têm também canções (que esperamos gravar em breve) com letras do Alexandre O'Neill, Sophia de Melo Breyner e Manuel Alegre, e espero que não fiquemos só por estes...

Pelo meio arriscas a inclusão de poemas teus. A escrita é, também para ti, uma forma de te exprimires ou foi apenas para serem utilizadas nas canções?
É sem dúvida uma forma de comunicar um pouco da minha visão do mundo mas sinto que tenho muito que evoluir nesse aspeto, tenho muito mais facilidade para a parte musical do que para as letras, e ainda mais quando são em Português, por isso admiro muito escritores de canções como o Sérgio Godinho, o Manel Cruz, o Fausto ou o Chico Buarque que aliam na perfeição os dois elementos. 

E é fácil musicar poemas já existentes? Como desenvolveste o teu trabalho neste aspeto?
Em alguns casos a ideia da canção surgiu ao ler o poema, por vezes andei vários dias com um poema na cabeça a experimentar ideias que depois testei com o piano ou a guitarra e a voz. Noutros casos tinha uma ideia musical – um riff, uma progressão de acordes ou o esboço de uma melodia e tentei encontrar um poema cujo “ambiente” e a métrica fosse compatível com o da ideia musical e tentar enquadrá-lo. Alguns foram muito difíceis e demorados, outros quase se escreveram a si mesmos...

O trabalho tem sete temas, mas em todos eles há nuances que os diferenciam. Onde te influenciaste ou o que te inspirou neste campo?
O meu percurso de 22 anos como Músico, guitarrista, arranjador e compositor levou-me a tocar e gravar em estilos muito variados – Jazz, Música contemporânea, Pop, Rock, Fado, World Music, Reggae, Blues, etc. - e creio que trouxe elementos, nalguns casos mais óbvios, noutros mais subtis, de todos estes géneros musicais, e de toda a Música que ouvi e toquei... Nestas sete canções creio que se são mais latentes as influências da música dos Beatles, do Elliott Smith ou da Aimee Mann...

Já tiveste oportunidade de experimentar estes temas ao vivo? Como foi a reação?
Sim, lançámos o EP no passado dia 24 de abril, no Titanic Sur Mer em Lisboa, tocámos os sete temas do EP e sete temas novos e a reação foi muito positiva. Muito em breve vamos anunciar mais datas.

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Para o futuro, há ideias de continuar este tipo de criação?
Sem dúvida, este EP foi apenas o primeiro passo - até ao fim deste ano gostaria de gravar um álbum com as restantes canções dos Re-Verso e tocar ao vivo o mais possível! Além disso tenho um novo projeto prestes a ir para estúdio, são canções minhas em Inglês e o grupo chama-se The Dark Matters, mas sobre isso haverá mais notícias antes do Verão...

Muito obrigado, Nuno! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado pelo vosso interesse no nosso projeto e parabéns pelo vosso trabalho de divulgação da Música!

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