domingo, 12 de junho de 2016

Review: Palankalama (Palankalama)

Palankalama (Palankalama)
(2016, Independente)
(5.4/6)

Oriundos do Porto, os Palankalama são um coletivo bastante original e que traz uma lufada de ar fresco ao panorama musical português. O quarteto opta por uma abordagem pouco habitual, com temas instrumentais e utilizando instrumentos acústicos (bandolim, cavaquinho, guitarra acústica e contrabaixo). Em termos musicais, os Palankalama entram por terrenos da música latino-americana que se cruzam com o blues em algumas estruturas jazz, sendo que num tema como Burro, por exemplo, se nota ainda um acentuado experimentalismo cruzado com a música popular transmontana. Aliás, a ruralidade é uma questão muito presente, se não em termos sonoros, pelo menos em termos de nomes de canções. Reparem em nomes de temas como A Sina da Vaca, O Gaio e a Lima ou o citado Burro. Por outro lado, há o sentimento humorístico que se nota em temas batizados como Um Fato Cinzento Para Dançar ou Um Pires Branco Com Um Pão Quente a Fumegar. O lado mais negro chega-se sob a forma de Marcha Fúnebre e O Génio da Morte, os dois únicos temas onde é possível ouvir vozes: no primeiro através da utilização de coros lúgubres e no segundo, pelo final num registo spoken word em castelhano. Este é, ainda uma das mais curiosas faixas pela incorporação de flautas e pela sua áurea cinematográfica. Musicalmente, também há, no global, uma correspondência mais ou menos evidente entre os títulos e as ambiências criadas. Para experiência inicial, o trabalho apresentado está interessante, pela novidade e pela vitalidade rítmica que demonstra poder vir ter ao vivo. É uma sonoridade muito diferente do que habitualmente se ouve, é um coletivo que arrisca entrar por campos menos óbvios e isso é muito saudável.

Tracklist:
1.      Esmeralda
2.      Grafite
3.      A Sina da Vaca
4.      Baile Psicológico
5.      Marcha Fúnebre
6.      O Gaio e a Lima
7.      Burro
8.      Um Fato Cinzento Para Dançar
9.      Um Pires Branco Com Um Pão Quente a Fumegar
10.  O Génio da Morte

Line-Up:
Pedro João - Bandolim, cavaquinho, guitarra
José Ricardo Nogueira – Guitarra
Anibal Beirão – Contrabaixo
Rui Guerreiro - Bateria, percussão

Internet:
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