sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Entrevista: The Last Ditches

Alguém disse juntar punk rock com prog metal? E resulta? Se resulta! Basta darem uma audição a Spilt Milk, trabalho, que se prevê único, dos The Last Ditches. Binky Phillips, guitarrista, vocalista e compositor e que também acumula funções nos The Planets, falou no nascimento deste projeto, no desenvolvimento deste disco e na sua grande frustração.

Olá Binky! Quem é esta nova entidade – The Last Ditches? Importas-te de falar um pouco sobre este projeto?
Olá, Via Nocturna. Sou Binky Philips, um dos guitarristas, cantor e compositor dos The Last Ditches. A minha banda principal são os The Planets. Na década de 1970, compartilhamos o palco com os New York Dolls, KISS, Blondie, Ramones, Television, Mink Deville, etc. em clubes como CBGB e Max’s Kansas City. Conheci Walter Lure, o outro guitarrista, cantor e compositor dos The Last Ditches por volta de 1976, quando ele se juntou aos Heartbreakers de Johnny Thunder e tocamos nos mesmos clubes.

Como surge a ideia de cruzar punk rock com uma secção rítmica prog metal?
Randy Pratt, baixista dos The Last Ditches e outro velho amigo meu, tiveram a ideia de montar um projeto de gravação comigo e Walter. Randy é um grande fã dos Heartbreakers e dos The Planets, e senti que Walter e eu tínhamos um estilo de tocar e escrever que se misturavam muito bem. Todo o projeto foi feito a 100% por Randy. Ele organizou tudo. O seu estilo próprio de tocar é muito hábil com muita técnica. Bobby Rondinelli é, provavelmente, um dos 25 maiores bateristas de todo o Rock. Enquanto isso, Walter e eu tocamos guitarra de forma muito crua, áspera e nenhum de nós tem um estilo sofisticado e suave de cantar. Nenhum de nós é punk, mas temos essa atitude go-for-broke. Randy sentiu que a nossa crueza e a fineza dele e de Bobby fariam uma boa mistura como que a criar um estilo híbrido de Rock. E, caramba, Randy estava certo!

Importas-te de descrever esta coleção de canções conhecida como Spilt Milk?
Bem, não posso falar por Walter, mas as canções que eu escrevi refletem onde a minha vida estava nesse momento... estava a passar por um mau momento com a minha esposa e muito preocupado com o futuro do mundo. As letras refletem isso! Todos os quatro membros dos The Last Ditches cresceram na década de 1960. Todos nós temos paixão por canções de rock poderosas e curtas. O álbum Spilk Milk é simplesmente o que somos.

Oito destas canções foram escritas expressamente para este álbum. E as outras?
Eu tinha algumas músicas que tinha escrito para os The Planets há muitos anos e que estavam esquecidas. Para além disso, com este álbum realizei um sonho. Em 1977, escrevi a canção N-O Spells No para Walter cantar nos The Heartbreakers. Mas, ao longo de todos estes anos, nunca tive a oportunidade de lha dar... até que a gravamos com Bobby e Randy. Durante muitos anos ouvi a voz de Walter na minha cabeça a cantar essa música. E, uau, isso realmente aconteceu. Também gosto da forma como ele a ataca. A propósito, os solos de Spilt Milk são 50/50 entre Walter e eu. Às vezes, nem tenho a certeza quem tocou o quê.

Contaram com alguns convidados neste álbum. Quem foram e que papel desempenharam?
Bem, para além das pessoas que ajudaram na balada de Walter, I Made A Mess, o único elemento que está em todo o álbum é Paul Gifford. Ele é um grande baterista, mas, talvez um vocalista ainda melhor. Quase todos esses vocais suaves de fundo que se ouvem em quase todas as músicas são feitos por Paul. E fê-los todos num único take! Ah, e isso é verdade também para as faixas de bateria de Bobby. Em cerca de 10 das 13 canções Bobby executou perfeitamente num único take. É algo que deve ser testemunhado! Posso dizer-te – ele é extraordinário!

Chegaste a afirmar que era sorte ter este projeto liderado por JZ Barrell? Porquê?
Acredito que atualmente, JZ é um dos melhores engenheiros em qualquer lugar do mundo. Ele também é guitarrista e compositor pelo que o seu trabalho começa a partir desse ângulo. Tem um ouvido excelente e é incrivelmente rápido e preciso com ProTools. E, é uma pessoa suave, um fator importante para um produtor, quando a banda está ocupada com o trabalho como acontece com os The Last Ditches. Ele faz as coisas fluir. Muito paciente e pronto para tentar qualquer coisa. Verdadeiramente, o quinto membro dos The Last Ditches.

E, definitivamente não tinham ideia de como o álbum era bom até estar terminado…
A sério! É selvagem verificar como o álbum soa como a banda a explodir em palco! Mas, a verdade é que a música foi colocada em conjunto como um puzzle por JZ quando nenhum de nós estava por perto. Nós gravamos pedaços e ele colou-os todos juntos. Depois, sim, a primeira vez que todos nós ouvimos o álbum terminado, ficamos agradavelmente surpreendidos com o quão poderoso e real era e é.

Quanto tempo trabalharam nesta coleção de músicas?
(Risos) Walter ainda estava a escrever enquanto já gravava os vocais! As primeiras músicas de The Last Ditches foram gravadas pelos velhos The Planets. Também inspiraram Walter e Randy a escrever novas músicas para o projeto. A maioria das músicas não são colaborações, mas, Monkey On My Back... bem, Randy escreveu 100% das letras e eu escrevi a música.

E a partir de agora? O que se segue para os The Last Ditches?
Infelizmente, apenas este álbum. Eu tenho os meus The Planets. Walter tem a sua banda de longa data, The Waldos, Randy está nos Cactus e nos The Lizards a tempo inteiro e Bobby está constantemente a trabalhar quer como performer quer como músico de sessão.

Muito obrigado, Binky! Queres acrescentar mais alguma coisa?
O meu grande pesar é pensar que provavelmente The Last Ditches nunca farão espetáculos ao vivo. É realmente uma pena, porque, como podes ouvir em Spilt Milk, somos uma banda de rock 'n' roll do caraças. Muito obrigado, VN!

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