quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Entrevista: Sir Reg

Parece normal confundir uma igreja com um bar? Para os irlandeses sim e em especial para os Sir Reg, banda sueca liderada por um irlandês e praticante de um celtic punk rock sensacional. Ao quarto álbum, Modern Day Disgrace, a banda dá maior enfoque aos instrumentos acústicos. Tudo pensado, como nos explica o vocalista Brendan.

Olá Brendan! Obrigado pelo teu tempo e parabéns pelo vosso excelente novo álbum! Os Sir Reg são, definitivamente, uma das melhores bandas de rock celta que já ouvi. Podes contar-nos um pouco da vossa história?
Olá! O prazer é meu. Começamos em 2009, na pequena cidade de Köping, na Suécia. Mudei-me da Irlanda para cá e comecei a tocar localmente com Karin (a nossa violinista) e o seu irmão Erik. Muitos anos mais tarde, depois de inúmeros espetáculos e mudanças de membros, decidimos escrever as nossas próprias músicas, o que originou os Sir Reg. Desde então, temos andado em tournée pela Europa, tanto por nós mesmos como com bandas maiores e estamos orgulhosos de ter lançado recentemente o quarto álbum de estúdio.

Primeiro chamavam-se The Barcrawlers. Era a mesma banda? Se sim, porque mudaram de nome?
Quando começamos a gravar o nosso primeiro álbum ainda nos chamávamos The Barcrawlers, mas como este nome já estava bastante estabelecido na cena de covers na Escandinávia, decidimos que era melhor distanciarmo-nos desse nome e escolhemos um novo para o nosso projeto de originais.

Música irlandesa feita na Suécia! É fácil encontrar lugares para tocar por aí?
É muito difícil para as bandas encontrar locais para atuar, principalmente se não tocam covers ou não têm uma agência importante. Recentemente assinamos com a melhor agência independente da Suécia e espero conseguir ter mais espetáculos mais perto de casa. Ao longo dos últimos anos, tocamos consideravelmente mais vezes longe do que perto de casa.

Como reagem os fãs Suecos ao vosso som de influência irlandesa?
Parecem gostar e relacionar-se com o que fazemos. Não sei se há muita gente a entender o meu sotaque, mas logo que ouvem as palavras "whisky, cerveja ou gin" pulam como maníacos.

Costumavam abordar temas como as questões sociais e políticas na Irlanda. Acontece o mesmo desta vez? É o motivo para um título como Modern Day Disgrace?
Os nossos álbuns anteriores lidaram com a situação na Irlanda na altura, após o colapso da economia. Para mim, enquanto irlandês a residir no estrangeiro ouvir as histórias de horror de pessoas que perderam os seus empregos e casas, mesmo estando a ver todo o cenário do lado de fora, ainda me senti parte dela. Isso levou-me a abordar essas questões nas canções. Modern Day Disgrace lida com todas as coisas que acontecem ao nosso redor, não apenas na Irlanda. É normal sentir uma sensação de desamparo quando te sentas para almoçar e vês histórias sobre homens-bomba e outros atos de terrorismo. Sentes necessidade de tentar fazer algo a esse respeito e a nossa contribuição é enfatizar isso na nossa música. Também há músicas alegres neste novo álbum porque devemos tentar sempre divertirmo-nos e não deixar que os bandidos ganhem. A vida é, acima de tudo, ter prazer.

Mas o vosso objetivo não é a política! Apenas tentam que este seja um mundo melhor, certo?
É exatamente isso! Pessoalmente não me interesso muito por política nem por partidos políticos. O que me interessa são as pessoas que podem fazer a diferença e têm a ambição de tornar este planeta melhor para todos. A maioria das pessoas só quer uma vida confortável e segura para si e para as suas famílias. Não é pedir demais!

Musicalmente, neste álbum há mais instrumentos acústicos. Foi uma escolha consciente ou simplesmente aconteceu?
Definitivamente foi intencional. O nosso bandolinista Filip e a nossa violinista Karin complementam-se tão bem um ao outro que teria sido uma pena afogar todas as suas partes em guitarras distorcidas e pratos.

E parece que em algum dia entraram no bar errado! (risos). O resultado é uma das melhores canções do álbum! O que aconteceu de facto?
A música é principalmente sobre a falta de juízo que tens sob a influência de cerveja e bebidas espirituosas e como as coisas nem sempre são como parecem. Toquei numa igreja na Holanda que vendia cerveja e ficamos num apartamento que anteriormente tinha sido uma igreja, portanto, é "natural" confundir um bar com uma igreja! Estranho, mas verdade!

E quais os próximos passos para os Sir Reg?
Devemos correr as estradas da Escandinávia, em seguida, o resto da Europa e também escrever novo material. O plano é ter uma boa quantidade de material para escolher quando estiver na altura de gravar o nosso próximo álbum.

Muito obrigado, Brendan! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado!! Foi divertido responder às tuas perguntas. Fiquem de olho na nossa página de facebook e site para as últimas notícias sobre tours e lançamentos.

Sem comentários: