quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Entrevista: CousCous

Ideia genial – de braço dado música e romance desenvolvem-se num álbum Tales e num livro A História do Menino que Tinha Borboletas no Estomago. A ideia foi criada pelo duo Tine Schulz (vocais) e Moritz T. Eßinger piano e guitarras), os CousCous. Falamos com o duo para perceber melhor toda a extensão desta obra sensacional.

Olá! Podem apresentar os CousCous aos portugueses?
Olá Portugal! Somos os CousCous de Dresden, Alemanha. Juntamo-nos os dois em 2011 e instantaneamente aconteceu magia. Imediatamente começamos a escrever música juntos, e apenas um ano depois gravamos nosso primeiro CD, Paper Tiger. Muita coisa aconteceu desde então, e acabamos de lançar o nosso segundo álbum, Tales.

Tales é mais do que uma simples viagem musical. Podem explicar em que consiste esta criação?
O título Tales diz tudo - é um álbum a respeito de contar histórias. Por isso pensamos: nós não queremos apenas colocar o CD numa caixa de plástico com um booklet fino. Na realidade, queremos contar um conto. Por isso, escrevemos um romance para ser apresentado junto com a música. A História do Menino que Tinha Borboletas no Estomago fala-nos de um menino que vive num mundo desprovido de sentimentos, e da sua jornada para encontrar as emoções ausentes.

Portanto, há um conceito real por trás de tudo o que ouvimos?
A novela e a música cresceram juntos durante um período de aproximadamente um ano. Falávamos sobre as aventuras do menino neste mundo estranho, o que iria desencadear a ideia para uma nova canção. Ou estávamos a escrever uma música e, de repente, víamos uma cena que queríamos que aparecesse no livro. Portanto, sim, tudo está ligado. Mas não é um musical - os laços entre as letras das músicas e o livro estão lá, mas nem sempre literal ou mesmo corajosamente aparente.

Verdadeiramente uma incrível mistura entre música, cinema e literatura?
Há algum tempo atrás pensávamos sobre quem seria essas pessoas que vinham aos nossos concertos ouvir a nossa música. Descobrimos que, sendo velhos ou jovens, onde quer que as suas paixões se encontrassem ou independentemente da sua origem, havia um elemento comum. É que eles se abriam e sentiam a música. Assim como fazemos quando estamos escrever ou a tocar canções. Isso é basicamente o núcleo de Tales – dar-te uma oportunidade de desenhares com todos os sentidos.

Este álbum tem sido descrito como sendo genialidade pura. Como reagem a isso?
Tales tornou-se muito bonito. Mas não é apenas o nosso trabalho - nós, enquanto compositores, certamente, fomos a força motriz por trás de tudo, mas todos os envolvidos deram o seu melhor. Os músicos de estúdio, os engenheiros de produção e de áudio, o fotógrafo, o layouter e, claro, Anemone, o nosso ilustrador - todos eles deram a Tales muito mais do que lhe havíamos pedido. Foram todas essas contribuições combinadas que levaram a esse resultado fantástico.

A verdadeira filosofia de que menos é mais, certo?
Temos uma política rígida sobre o que usar nas gravações: apenas instrumentos reais e músicos reais. Queremos manter-nos focados no que a música realmente precisa, em vez de simplesmente adicionarmos sintetizadores para engordar o som. Por outro lado, para algumas músicas queríamos aquele som rádio pop. Começamos a experimentar com vocais polifónicos o que, realmente, forma o som caraterístico de todo o álbum.

Assim sendo, de que forma descreveriam Tales?
Para nós, é uma aventura - e gostaríamos que os nossos ouvintes ou leitores embarcassem na sua própria viagem ao mundo dos contos.

Para terem obtido esse som mágico esteve tudo a vosso cargo ou contaram com alguns convidados?
A visão principal foi sempre nossa, mas o nosso coprodutor Peter Junge contribuiu bastante para o som final. Também tivemos, penso, que nove músicos em estúdio (bateria, baixo, cordas, metais) que também tiveram diferentes graus de input criativo.

Como foi a experiência de gravação desta obra?
A gravação de Tales foi, ela própria, um conto de fadas. O estúdio foi criado num verdadeiro castelo medieval situado numa colina e vivemos lá durante um mês. Como era verão, a maioria dos dias trabalhamos até tarde, apreciando o ar fresco da noite e o sossego do campo entre as gravações.

Próximos passos para os CousCous?
Agora andamos animados com o lançamento do primeiro vídeo. Nos próximos meses estaremos em tournée por toda a Alemanha, que é realmente emocionante. Mais tarde, em 2017, estamos a planear uma visita a alguns países europeus - quem sabe, não iremos a Portugal. Seria fantástico!

Mais uma vez, muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado por nos convidares para essa entrevista. Estamos ansiosos por te conhecer quando tocarmos em Portugal.

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