segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Entrevista: Cure For Gravity

O trio composto por Joe Market, Chris Gamper e Dave Walcott, conhecido como Cure For Gravity, estreia-se com o EP homónimo numa interessante amálgama de sons atmosféricos, cinematográficos e alternativos construídos sobre uma base de rock progressivo. Foi Joe Market quem nos falou detalhadamente deste seu projeto.

Olá Joe! Obrigado pela entrevista. Olhando para o vosso nome, devo começar por aí: qual o seu significado? O que estão a tentar dizer?
Na verdade, Cure For Gravity veio da ideia para título de um álbum que tinha num projeto anterior no qual era vocalista que eram os Separate Ways. Tínhamos planeado usar esse nome para o nosso último disco, mas o produto final não era bem representativo da visão que tive e senti que seria um desperdício usar um bom nome como este num álbum que não estava dentro das nossas expetativas, por isso guardei-o. Alguns anos mais tarde, quando formei esta banda, foi uma das primeiras ideias que me surgiu – na realidade não houve muita discussão nem muito pensar sobre qualquer outra coisa. Sabíamos que este era o nome que queríamos. Sentimos que capta para onde vamos - música que é cinematográfica, temperamental, atmosférica na natureza que te ajuda a transportar para outro lugar - escapando à gravidade. Também gosto da ideia de tentar curar o incurável.

Falemos agora um pouco da banda – quando surgiram e o que vos motivou a criar esta banda?
Estou nisto há muito tempo - todos os elementos da banda estão nos 40 anos e, no mínimo, têm tocado ao longo de 25 anos cada. Sinceramente, não queria criar outra banda depois do projeto anterior ter chegado ao fim em 2000. Fiz uma pausa e, lentamente, fui voltando à música por volta de 2008. Isso foi alguns anos antes de conhecer o nosso guitarrista, Dave Walcott, na festa de Natal de um amigo em comum. As guitarras passaram e todos nós tocamos algumas músicas e Dave e eu ligamo-nos. Dave tinha andado no liceu na Costa Leste com nosso baterista Chris Gamper e já não se viam há 15 anos, até que reataram a ligação, tendo-se ambos mudado aqui para a Califórnia para a região da Baía de San Francisco. As coisas desenvolveram-se muito rapidamente depois de ter formado o núcleo da banda - com Chris e Dave - gravamos o nosso primeiro EP, Fallen Stars, na sua maioria constituído por músicas que tinha que sobraram do meu projeto prévio e algumas demos recentes. Cure For Gravity como hoje o conhecemos, surgiu há cerca de três anos atrás, quando começamos este segundo EP. O nosso teclista tinha saído e comecei a escrever principalmente na guitarra e nos teclados. É aqui, literalmente, que a mudança do som para Cure For Gravity surgiu e que a maior parte deste registo se foi desenvolvendo.

Qual é o teu background musical?
Comecei a tocar trompete com cerca de 9 anos de idade, pelo que a música sempre foi uma parte da minha rotina diária. Isso e o facto de a minha mãe ouvir no carro velhas cassetes, desde Barry White a Barry Manilow e coisas intermédias como Pink Floyd. As minhas primeiras influências musicais foram uma estranha mistura de Toto, Rush e Hall and Oates – mistura super-estranha! Mas acho que isso explica um pouco dos nossos sons ecléticos. Foi alguns anos mais tarde, quando descobri Black Celebration dos Depeche Mode, que senti que tinha que escrever a música - não apenas reproduzi-la. Fiquei muito surpreendido por eles terem criado todas aquelas paisagens sonoras em teclados e com samplers e isso foi o início de tudo para mim. Eu não estava satisfeito. (Vês o que fiz?)

O que tentam alcançar com Cure For Gravity?
A nossa meta a curto prazo é sair e obter alguns slots de apoio para tours regionais ou para uma tournée europeia. Simplesmente queremos colocar a nossa música lá fora, no palco e em frente ao público. Pensamos que a nossa abordagem é exclusiva o suficiente para capturar a atenção do ouvinte mais exigente, mas tem um apelo mais mainstream que nos ajuda a conquistar os fãs de 14 aos 72 anos de idade. Fizemos uma mistura bastante atraente das primeiras influências de rock progressivo com o som dos anos 80 e os modernos sintetizadores e atual som de guitarra que nos permite fazer uma música fresca.

Que nomes mais vos influenciaram?
Todos nós temos diferentes influências da banda, mas, definitivamente, para mim foi Depeche Mode. O poder de ser capaz de criar músicas inteiras por ti próprio com um computador e ser capaz de sair e tocá-las ao vivo, sem uma banda, inicialmente intrigou-me. Os meus primeiros projetos foram 100% eletrónicos, acrescentando, ao vivo, umas guitarras e, mais tarde, bateria. O nosso projeto que já referi anteriormente, Separate Ways, foi de 100% ao vivo – sem, ou com muito poucos sintetizadores ou programação. Com Cure For Gravity tentei encontrar um bom equilíbrio entre os dois mundos, acrescentando um toque etéreo num som completamente ao vivo.

Noto que vocês colocam um cuidado especial nas questões líricas. Podes dizer-nos quais as principais mensagens que tentam passar através da música?
Nunca me imaginei um poeta. A maioria das nossas letras nascem em jams em estúdio. Tento uma aproximação a Mick Jagger e atiro ideias vendo em que melodias vão cair. Nos ensaios gravamos tudo, e depois vou ouvir e começo a formar ideias – deixo as músicas seguirem o seu caminho. Na maioria das nossas músicas, tento criar uma definição, uma cena, através das letras que são suportados pela paisagem sonora. Quase como um mini-filme. É assim que eu as vejo. Cada filme tem um tema e uma história diferentes. Alguns são muito positivos, como Tonight, outros mais obscuros e misteriosos, como a personagem central de Sunspots que assiste à transformação da sua namorada se num zombie, ou Blackmetal que é um pouco uma canção de protesto contra a paisagem social e política atual aqui nos EUA e no mundo. Também tento deixar espaço para a interpretação dos ouvintes. Quero que o ouvinte participe ativamente e preencha os espaços em branco com as suas próprias ideias ou imaginação.

Engraçado que o primeiro single e vídeo seja uma canção chamada Black Metal. Não temes que algumas confusões possam surgir com o estilo musical extremo?
(risos). Bem visto! E, honestamente, não tenho certeza se realmente pensei muito nisso até que vermos o que estava a acontecer no Twitter. Para nós, a ideia de Blackmetal não era tanto sobre um estilo, uma vez se trata do material duro e frio que constitui uma arma, ou a escuridão do petróleo que mostramos no vídeo, que é o recurso central por trás de grande parte dos conflitos do mundo de hoje - para a escuridão do submundo que não vemos dentro das redes e servidores que mantêm os nossos dados pessoais. Há muitas liberdades do nosso mundo das quais inerentemente desistimos quando estamos online – mas, da forma como o mundo funciona hoje, não podemos contornar isso.

Em breve irão começar uma tournée americana e internacional. Como se estão a preparar para tal?
De momento, estamos num pequeno local de diversão perto da nossa cidade natal chamado The Ivy Room. De lá sairemos para alguns locais em dezembro e início de janeiro e, em seguida, vamos para o noroeste do Pacífico e o Centro-Oeste, no início da Primavera, tentando coordenar alguma aparição em algum festival de verão. O nosso objetivo é chegar a alguns locais-chave na Europa no próximo outono a menos que o management consiga alinhar algo divertido mais cedo!

OK Joe, muito obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado pela disponibilidade e por ajudares a lançar a nossa música! Estamos superanimados para fazer com que a nossa música passe as fronteiras da nossa cidade natal e do nosso país – até agora temos recebido um feedback muito positivo dos nossos ouvintes europeus. E agora - uma pergunta para ti! Na tua opinião, quais são as três bandas com as quais nós soamos mais?

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