sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Entrevista: Riders On Chase

Os Riders On Chase são uma banda da zona de Coimbra, nascida no início deste ano e praticante de uma sonoridade que pode ser apelidada de stoner/grunge. O primeiro EP de 4 temas intitulado The Hero teve edição recente por parte da Cogwheel Records, estando nesta altura a banda em fase criação de novos temas para apresentar numa tour nacional. O vocalista/guitarrista Alex Bessa foi o porta-voz deste trio nesta conversa.

Olá Alex! Como surgem os Riders On Chase? O que vos motivou a erguerem este projeto?
Os Riders on Chase surgiram de uma forma não premeditada, sem existir qualquer plano de virmos a formar este projeto musical. Foi tudo muito casual, onde inicialmente eu e o Gonçalo já tínhamos alguns temas compostos na sala de ensaios, ainda numa fase muito embrionária. Os primeiros temas estavam criados sem o acompanhamento do baixo, mas parecia que faltava algo para complementar a sonoridade desejada. Ouve um dia que decidimos convidar alguns amigos, que já tinham realizado algumas free sessions, para executarem a parte do baixo, mas ficou tudo por ali. Ninguém tinha a possibilidade de criar uma espécie de comprometimento, com a regularidade dos ensaios. Passou algum tempo, até que o Gonçalo encontra o Luís num bar e o convida a ir assistir a um ensaio. Quando estávamos a ensaiar, rapidamente o Luís pega no antigo baixo colocado à disposição do pessoal e começa a improvisar. Logo a sonoridade pretendida começa a dar os seus contornos e o Luís acaba por aceitar o desafio de se inteirar dos tons graves do que se viria a tornar os Riders on Chase.

Qual era o vosso background musical antes de iniciarem esta caminhada?
Bem… Da minha parte, já passei por algumas bandas underground ligadas mais ao Indy Rock, experimental e étnico, mas inicialmente tive um bom tempo ligado à cena de metal. O Gonçalo praticamente passou pelo mesmo trajeto que eu passei ao logo do caminho musical, onde as suas raízes ao metal persistiram por mais tempo. Pode não parecer mas aquele tipo nos ensaios quando por vezes começa na paródia com o seu bom humor, torna-se uma besta mecanizada a executar intensidades rítmicas sincopadas de metal extremo, (risos). Por sua vez o background do Luís passou por alguns projetos musicais, dentro da onda de Mastodon e Queen of the Stone Age.

Algum significado para um nome como Riders On Chase?
Ouve um período que andávamos obcecados por encontrar um nome que se ajustasse à imagem da banda, mas nada surtia de especial, mesmo com o jogo típico de troca de palavras. Decidimos então cada um de nós criar uma lista e apresentar as sugestões. Nessa fase já havia alguns nomes que se podiam aproveitar, mas faltava o significado. Foi quando o Luís teve a ideia porque também adora o universo do desporto motorizado, em associar alguma coisa com rodas, na procura constante das emoções humanas. E dessa forma se criou o fogo (risos).

Quais as vossas principais influências?
Estaríamos uma tarde inteira e não iria chegar com certeza. Muitas mesmo! Fica para quem ouvir o nosso som as decifrar.

Como estão a vivenciar esta experiência do lançamento do primeiro EP?
É como uma espécie de primeiro filho, que seguramente vai ficar marcado por muito tempo na nossa mente. O mais importante nesta fase é expormos o nosso trabalho, no maior número possível de locais em todo o país.

Como surge a Cogwheel no vosso caminho?
Foi através de uns amigos da nossa zona que agora tem uma nova banda, (OCRE), que nos informaram que existia uma Editora com um conceito empreendedor, em procurar encontrar opções num mercado onde toda a gente se mata para ter um lugar ao sol (risos).

Falem-me do processo de composição. Como funciona nos ROC?
É muito simples. Basicamente cada um nós tenta vir o máximo inspirado e liberta os seus fragmentos emocionais por forma acharmos uma base sólida, para o que estamos a fazer. Toda a composição passa sobretudo pelo contributo de cada elemento da banda, de maneira a enriquecer a composição dos temas e deixar a sua pegada musical bem marcada no sonoro.

E quanto ao processo de gravação? Como foi essa experiência?
Sem palavras mesmo. O Duarte Feliciano foi das pessoas mais acessíveis com que trabalhei. Parece mesmo que estás em tua casa no teu conforto apenas na tua introspeção musical. Quando sentimos essa liberdade mental e física, todo o resto fluiu de uma forma natural quando estávamos a gravar.

E quanto ao futuro? Até onde pensam poder chegar com os Riders On Chase?
Bem. Até onde a linha do tempo nos permitir (risos). Nada dura para sempre, mas o mais importante é crescermos como músicos, mas acima de tudo como pessoas. Os Riders on Chase ainda irão ter uma palavra a dar, no panorama da música alternativa que se faz em Portugal. Vamos esperar que tudo se concretize nesse sentido.

Obrigado, Alex! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Apenas o agradecimento ao programa Via Noctura, por auxiliar na divulgação do EP e a todos as pessoas que tem o bom senso e gosto de não ouvir sempre o mesmo quer nas radios playlist, quer naquela cantiga típica de centro comercial.

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