domingo, 9 de outubro de 2016

INFO: Alternativa nacional

Mergulho em Loba
(JOANA BARRA VAZ)
Mergulho em Loba é novo álbum da artista Joana Barra Vaz, a lançar no final deste mês de setembro, via Bi-Du-Á, sendo a continuação da trilogia f l u m e iniciada em 2012 com o EP Passeio Pelo Trilho. Há em Mergulho Em Loba três suites que sustentam o disco e onde as canções seguem sem paragem entre elas. O primeiro single é Tanto Faz, onde Joana partilha a interpretação com Selma Uamusse, num tema gravado por Bernardo Barata assistido por Diogo Rodrigues nos Estúdios Iá, Luís Nunes em Alvito e a própria Joana Barra Vaz na Smup. Em Tanto Faz, também participam os músicos: David Pires (bateria, arranjos ritmo e sopros, coro), Ricardo Jacinto (violoncelo), David Santos (baixo eléctrico), Ana Nagy (coros), Mário Amândio (trombone) e Gabriel Correia (trompa). Globalmente, Joana Barra Vaz inspira-se no mar para criar Mergulho em Loba, um trabalho escrito durante os anos de 2012 e 2013, que se posiciona entre o folk e a eletrónica, com momentos de dança e introspecção num mergulho que se adivinha predominantemente rítmico. Um disco criado como uma viagem sonora, escrito em português e acompanhado de um coro, sopros, cordas e pontuais incursões na pop eletrónica contemporânea.

Oxalá
(TERRACOTA)
Os Terrakota estão de volta aos álbuns de energia limpa, formação renovada, baterias recarregadas e ainda mais força! Oxalá, é o nome deste novo registo, tratando-se, à semelhança dos seus últimos registos, de uma edição completamente independente. Desta vez, a maioria dos temas são em português, tornando a mensagem mais clara. Musicalmente, continua o caldeirão multiétnico com imensos sons, ritmos e cadências oriundos, principalmente, de Brasil e África, embora se possa já notar a espaços algumas tendências rock com a guitarra com uma distorção controlada a surgir tímida mas efetiva. Secção rítmica pujante, diálogos constantes entre as linhas vocais, as guitarras, utilização de instrumentos tradicionais como o kora, o sitar, o ballafon, as percussões e outros instrumentos provenientes de diferentes culturas que consolidam a tendência do world music. E com participações de um enorme número de músicos, artistas visuais e escritores. Destaques para as participações vocais de Vitorino, Mahesh Vinayakram, Selma Uamusse, Anastácia Carvalho e Florian Doucet; uma letra de Luaty Ikonoklasta e as contribuições visuais de Pedro Feijão e Caelyn Robertson. O álbum é lançado este mês de outubro.

Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them
(BRUNO PERNADAS)
Dois anos após How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge, eis que o aclamado músico e compositor Bruno Pernadas está de regresso. E regressa não com um, mas com dois presentes: dois novos discos. Primeiro, o que agora aqui nos ocupa, Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them, descendente direto do seu disco de estreia. Depois, Worst Summer Ever, um produto que promete espelhar uma linha mais jazzistica. Foquemo-nos, então, no primeiro, onde Bruno Pernadas parte de uma busca pessoal pela relação entre a mitologia egípcia no que diz respeito à adoração do crocodilo do Nilo e o comportamento humano contemporâneo ocidental. E a atenção é logo despertada pelo longo, intrincado e esquisito título. Depois, a apresentação dos temas, com dois grupos distintos de canções, cada um iniciado por a narração de um curto poema ilógico. Musicalmente, Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them acaba por ser uma viagem eclética por uma mão-cheia de universos musicais, numa bem elaborada  combinação de vários estilos tais como West Coast jazz dos anos 70, lounge oriental, krautrock, freak folk, pop music, sampling e soul, bebendo inspiração de todos os cantos do mundo – desde as guitarras da música tuareg do Norte de África em Problem Number 6, à mistura infinita na faixa Ya Ya Breathe, que vai da música indiana à experimentação de uns Sonic Youth. Este é, portanto, um disco criativo, colorido e agradável.

Marrow
(YOU CAN’T WIN, CHARLIE BROWN)

Marrow, aparentemente o nome de um vegetal, foi o título escolhido para os You Can’t Win, Charlie Brown (YCWCB) batizarem o seu terceiro álbum. E, de facto, não poderia ser mais despropositada a relação entre o termo e a música da banda lisboeta. Uma música onde os arranjos não servem para disfarçar lacunas ou para tapar a falta de ideias, mas sim para levar o mais longe possível aquilo que uma simples conjugação de harmonia e melodia promete ser. Chromatic (2011) e Diffraction/Refraction (2014), os dois primeiros discos do coletivo, usavam esse dispositivo com mestria. E Marrow, mantendo a traça melancólica que os carateriza, adiciona uma nova atenção aos sons elétricos que induzem uns passinhos de dança. A prova vem logo no primeiro single, Above The Wall, de uma cadência eletro-rock que se aproxima de uns Suuns. Já Pro Procastinator, segundo single de Marrow, lembra a forma como os My Morning Jacket e os Fleet Foxes nos fizeram pensar que a folk pode ser um território agitado, sem leis, fronteiras ou fim à vista. E daí em diante, os YCWCB avançam de surpresa em surpresa, atmosféricos (Mute ou In the Light There Is No Sun), provocadores e dançáveis em (If I Know You, Like You Know I Do), clássicos inquietantes e imprevistos (Joined by the Head e Frida (La Blonde)). Celebremos os YCWCB: sem trair aquilo que há muito neles admiramos, mas como nunca antes os ouvimos.

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