segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Entrevista: Smartini

Em silêncio no que diz respeito a material original, o regresso dos Smartini foi muito saudado. Mas este EP de 4 temas intitulado Liquid Peace não deve ser visto como uma obra em solitário, já que a banda já prepara novo material para breve como nos confidenciou João Paulo Duarte.

Olá! Obrigado pela disponibilidade! Em termos de discos não há nada desde 2007, mas tem estado sempre ativos não é verdade?
Existem caraterísticas que são inerentes à nossa formação enquanto banda. Somos talvez perfecionistas, parcimoniosos na composição, exigentes no processo e por isso o produto final torna-se demorado. Por momentos a evolução que a música levou, fez-nos pensar que estávamos “fora” e embora nunca fosse esse facto que nos demovesse e nos impedisse de trabalhar, contribuiu para que nos voltássemos para “dentro”, e como que num processo autista nos fechássemos. Foi um período de produção de igual forma, pois hoje temos registos daquilo que se podem chamar “embriões musicais”, ou “ideias na gaveta” e que serão a base do que futuramente iremos apresentar. Parece que o tempo está agora a nosso favor, e assim, os smartini poderão agora com Liquid Peace, mostrar o que sempre foram. Claro que a vida familiar e profissional intensa de cada um, também teve a sua cota responsabilidade neste hiato temporal, mas com uma gestão cuidada das nossas agendas, queremos muito ficar presentes no panorama alternativo da música portuguesa, fazendo aquilo que mais gostamos.

Quando sentiram necessidade de voltar a gravar?
Gravar um trabalho poderá parecer o princípio de tudo, mas na verdade consiste no fecho de um ciclo. Neste momento os temas estão gravados, no entanto tudo volta ao princípio que consiste na necessidade de os apresentar ao público. Esta fase é importante para darmos por concluído um trabalho e pensar imediatamente na composição de novos temas.

Este EP de 4 temas é uma obra isolada ou o precursor de algo maior a caminho?
O processo de composição dos nossos temas é pouco ortodoxo. O EP é formado por quatro temas cuja correlação entre eles é pouco visível. Podemos mesmo considerar que dentro de cada tema parece não haver conexão entre as frases. A ligação só se dá após uma análise cuidada. Este EP não será visto como uma obra isolada visto que existem muitos temas que deverão ser preparadas para uma próxima edição.

O que, nesta altura, diferencia os Smartini do tempo de Sugar Train?
Muito e nada. Somos os mesmos quatro elementos de sempre que vão mantendo as mesmas influências, apesar de sermos permeáveis às sonoridades que vão surgindo no panorama musical. A diferença reside essencialmente no facto deste trabalho refletir mais aquilo que somos. Sugar Train teve um trabalho de produção elaborado e apesar da boa crítica, nunca conseguiu demonstrar aquilo que pretendíamos transmitir. Isso deixou algum desconforto na banda. Neste ponto, Liquid Peace apresenta uma sonoridade idêntica ao que somos ao vivo e no nosso constructo do que idealizamos como banda.

Como definiriam o vosso som, para quem não vos conhece?
Somos assumidamente uma banda cujo Rock'N'Roll é a base. Depois provavelmente alternativo/Indie será o separador mais consensual. Quando surgiu o álbum Sugar Train, encontrávamos o disco nas estantes da música alternativa.

Projetos ainda para cumprir nos próximos tempos? O que têm em mente?
Atualmente estamos focados em preparar da melhor forma possível os próximos espetáculos. O que esperamos que venha sinceramente a acontecer será a gravação de um álbum ao longo do próximo ano.

Mais uma vez obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Gostaríamos de agradecer todas as pessoas que nos têm dado apoio neste projeto. Aos estúdios Sá da Bandeira e aos fredericos pela realização dos videoclipes.

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